Política

José Amir Mobaid não responde a perguntas na Câmara Municipal

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 2 min

Em nada acrescentou o depoimento de José Amir Neme Mobaid à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara Municipal, na manhã de ontem. O pecuarista, autor das denúncias que envolvem a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) e a aprovação de empreendimentos residenciais de alto padrão, se recusou a responder perguntas feitas pelos vereadores.

A postura irritou os parlamentares, já que foi Mobaid quem pediu para ser ouvido oficialmente pela comissão que investiga o caso. Em ofício, ele alegava possuir informações privilegiadas que poderiam contribuir para os trabalhos legislativos. O pecuarista também citava a existência de diversas práticas de corrupção na administração.

Ainda via ofício, o denunciante informava que o município aceitou como áreas institucionais permutadas por empreendimentos terrenos de brejo e até contaminados. No entanto, na oitiva, ele se recusou a citar quais, alegando que é de responsabilidade dos vereadores investigarem. “Já estou muito desgastado”, declarou.

Por outro lado, José Mobaid escancarou a motivação de suas denúncias: o desejo de comercializar sua área, defronte à avenida Pinheiro Machado. “É uma área muito importante para minha Bauru, que fica em uma região que precisa de creches, postos de saúde e até de polícia”, argumentou.

O pecuarista acusa a empresa Aiello Urbanismo de ter utilizado sua área para obter a aprovação do empreendimento Spazio Verde Comendador. A gleba de Mobaid, de fato, foi aceita pelo poder público municipal para a permuta institucional, mas a comercialização da área entre os entes particulares não se efetivou. “Se eu tivesse recebido algum dinheiro, acha que eu estaria aqui?”, retrucou ao vereador Roque Ferreira (PT).

Valores

Mobaid focou suas declarações nas divergências sobre os valores de avaliação da área de sua propriedade em relação à do empreendimento da Aiello. Como já foi divulgado, o preço atribuído por imobiliárias contatadas pela construtora – e aceito pela prefeitura – é muito inferior ao da revisão da planta genérica proposta pelo prefeito Rodrigo Agostinho.

A proposta inicial de relatório do vereador Lima Júnior (PSDB) deu destaque ao problema, o que motivou a prefeitura a cancelar as avaliações de áreas recentemente. O caso também é investigado pelo Ministério Público (MP).

Novo convite

Após a oitiva de José Amir, os vereadores Lima Júnior (PSDB), Roberval Sakai (PP), Telma Gobbi (PMDB) e Roque Ferreira (PT) – Renato Purini (PMDB) faltou à reunião – decidiram convidar para falar à Comissão de Fiscalização e Controle o empresário Renato Aiello, proprietário da empresa responsável pelo empreendimento.

Durante seu depoimento, por mais de uma vez José Amir Neme Mobaid alegou não se conformar com o fato de um dos polos da denúncia não ter sido arguido pelos parlamentares.

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