O governo da Ucrânia enviou ontem uma delegação à Rússia a fim de negociar o fornecimento de gás e outros problemas econômicos que aprofundaram a dependência com Moscou. A viagem acontece no mesmo dia em que manifestantes opositores cercaram a sede do governo em Kiev.
A dívida com os russos, de cerca de US$ 60 bilhões (R$ 140 bilhões), é um dos principais motivos apontados pelo presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, para não assinar um acordo de adesão à União Europeia. A rejeição, anunciada na sexta, provocou indignação na oposição e deu início à onda de protestos.
No fim de semana, cerca de 300 mil pessoas ocuparam as ruas de Kiev em manifestações que terminaram com confrontos violentos com a polícia e dezenas de feridos. Desde segunda, os opositores ocuparam prédios estatais e cercaram alguns ministérios e a sede do governo, impedindo o trabalho dos funcionários públicos.
Ontem centenas de manifestantes bloquearam a principal entrada da sede do governo, mas não conseguiram isolar o edifício, já que um dos acessos secundários está protegido pela polícia. Outros milhares estão acampados na praça da Independência, no centro da cidade.
Nos últimos dois dias, os opositores conseguiram interromper a passagem dos servidores.
Em entrevista, o chefe de governo ainda pediu à oposição para diminuir a escalada da tensão política e que seja aceito o voto de confiança que o Parlamento lhe deu ontem. “É um fato que a oposição e nossos sócios estrangeiros devem aceitar. Pelo que pare a escalada da tensão política.”
Ontem, o ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, se reuniu com líderes oposicionistas ucranianos em seu acampamento de protesto em Kiev, esnobando o presidente do país, Viktor Yanukovich.