Cultura

Show apimentado!

Por Camila Pasin | Especial para o JC
| Tempo de leitura: 5 min

A expectativa quanto aos shows da banda californiana Red Hot Chili Peppers no Brasil era grande. No momento em que foi divulgado que o grupo tocaria em solo brasileiro novamente, a surpresa dos fãs foi inevitável, já que só faziam dois anos desde a última vez que os rockeiros vieram para o país, também pela turnê do disco “I’m With You”. Em 2013, as cidades que serviram de palco para o show do grupo foram Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.

O show em São Paulo aconteceu em 7 de novembro. Apesar de ser uma quinta-feira nublada, mais de 30 mil pessoas compareceram à Arena Anhembi para pular e cantar junto com o vocalista Antony Kiedis, o baixista Flea, o baterista Chad Smith e o mais novo integrante, Josh Klinghoffer, na guitarra. A abertura do show ficou por conta do trio indie rock Yeah Yeah Yeahs, comandado pela estilosa Karen, no vocal. Mas era difícil segurar a ansiedade para o ponteiro do relógio atingir 22h, horário previsto para o início da atração principal.

E foi exatamente às 22h05 que o RHCP entrou em cena. Quando Josh começou a dedilhar as primeiras notas de “Can’t Stop”, o público já começou a comemorar. A próxima foi “Dani California”, do disco “Stadium Arcadium” (2006). E, logo depois, do álbum “Californication” (1999), a canção “Otherside”. A escolha das músicas iniciais para a setlist não poderia deixar os fãs mais empolgados, que tinham grandes expectativas quanto às antigas. Contudo, canções como “Monarchy of Roses”, que abriu o show do grupo no Rock in Rio 2011, “Look Around”, “The Zephyr Song” e “Scar Tissue” não estavam presentes na setlist.

Sintonia afinada

Com repertório variado, a banda mostrou forte sintonia com o público. O baixista Flea foi quem mais conversou com a plateia entre uma música e outra, demonstrando seu carinho pelo Brasil. Com cabelo tingido de roxo e energia incessável, Flea mostrou que o tempo não o fez perder o ritmo e o gingado. Impressionando a todos com a sua habilidade com o baixo, Flea, e seus 41 anos, dançou, pulou, “plantou bananeira” e deu até “estrelinha” no palco. Um verdadeiro showman.

Ritmos brasileiros também fizeram parte do show. O percursionista Mauro Refosco, de Santa Catarina, contribuiu para essa sintonia, trazendo um toque de samba e funk. Além disso, utilizou, em algumas músicas, a cuíca, instrumento de origem afro-brasileira. Mauro já possuía uma ligação com o Red Hot Chili Peppers, pois foi convidado por Flea, em 2010, para participar da gravação do disco “I’m With You”. Desde então, participa dessa turnê ao lado do Red Hot, inclusive no Rock in Rio 2011. Com “jam sessions” entre as músicas, os integrantes deixaram o palco após “Californication” e “By the Way”. Mas voltaram com gás para o bis, que contou com “Around the World”, “Meet me at the Corner” e a agitada “Give it Away”, fechando com chave de ouro as duas horas de RHCP.


Fãs de todo o Brasil marcam presença

Cada um curtiu à sua maneira o show do RHCP na Arena Anhembi. A banda, que está completando 20 anos de carreira, possui uma diversidade de fãs muito grande, de variadas faixas etárias. O argentino Guillermo, que mora atualmente no Brasil, levou sua esposa e seus três filhos para assistir ao show do Red Hot, um gosto em comum entre eles. “Conheço a banda desde a adolescência, já faz parte da minha vida. Todos na minha casa ouvem e adoram!”.

Assim como Guillermo, Rodrigo Brito, de 30 anos, também acompanha a banda desde a sua adolescência e, por marcar tanto a sua vida, resolveu tatuar o símbolo do Red Hot Chili Peppers em seu peito, quando tinha uns 20 anos de idade. Apesar de se identificar mais com uma outra fase do grupo californiano, quando a guitarra ainda era comandada por John Frusciante, Rodrigo não pôde deixar de assistir a mais um show do Red Hot, sendo que já havia ido em 2002 e 2011. “Mesmo sabendo que os integrantes estão ficando mais velhos, a gente gosta de ver o Antony Kiedis pirar no palco, ao som do baixo do Flea.”

Bauru também estava em peso no Anhembi! Saindo da Praça da Paz, uma excursão levou mais de 40 bauruenses, em sua maioria estudantes, para o show. Dílon Soubhia, organizador da caravana, conta que conseguiu lotar um ônibus rapidamente assim que foi confirmada a apresentação, apesar da dificuldade por ser uma quinta-feira. “Assim como eu, todos criaram uma expectativa muito grande em relação ao show, que foi recheado de clássicos. Acredito que valeu a pena cada centavo investido”, completa.

Amanda Menezes, de 15 anos, viajou de Santos até São Paulo só para ver sua banda preferida de pertinho. E ela não se arrependeu. Pelo contrário, a jovem saiu do Anhembi dizendo que foi o melhor show de sua vida. “Nunca gritei tanto. Eu e minhas amigas pegamos a fila errada, levamos muito empurrão, quase desmaiamos, mas valeu a pena. Foi uma experiência e tanto!”, conta.


A Oficina Unesp JC

A matéria na edição de hoje do JC Cultura sobre o show do Red Hot Chili Peppers é a segunda – no total, serão três reportagens publicadas – produzida por estudantes de Jornalismo da Unesp/Bauru. Elas são fruto de uma oficina sobre jornalismo cultural, realizada durante a Semana de Comunicação da Unesp – SeCom 2013, evento que teve parceria com o Jornal da Cidade.

A primeira reportagem da série, de autoria das alunas Bibiana Garrido e Maria Esther Castedo e que mostrou o trabalho da Frente Feminina de Hip Hop de Bauru, foi divulgada no último dia 21 de novembro. Já a terceira e última matéria, que aborda trabalho de um grupo que estuda a economia criativa na cidade, será publicada nos próximos dias.

Cerca de dez estudantes participaram da oficina, que tinha como objetivo discutir sobre a editoria de jornalismo cultural, os desafios, a produção jornalística e promover troca de ideias.

 

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