Comprar presentes, pensar nas ceias de Natal e Ano Novo, preparar a viagem de férias... Estas costumam ser prioridades comuns entre as pessoas nessa época, mas para muitos moradores, soma-se à lista a reforma de final de ano da casa, o bom e velho “trato” no lar com pequenas ou médias reformas para receber as visitas e a chegada do novo ano, além de aproveitar o dinheiro extra com o 13º salário para incrementar o imóvel. Contudo, especialistas alertam sobre o planejamento adequado para que tais mudanças não virem pesadelos, e isso vale desde a ideia inicial até a contratação da mão de obra.
Uma pintura externa aqui, uma calçada melhorada ali, um portão novo, um piso trocado, uma parede nova na sala... É fácil notar as pequenas reformas pelos bairros.
A comerciante Chris Michelle Pires tem uma loja de material de construção no Parque Real e, há 27 anos, a família trabalha no ramo da construção civil em Bauru. “Com 20 anos no ramo, percebo que muitas pessoas optam por reformar a casa perto do final do ano para deixá-la mais bonita e acolhedora para as festas. É como uma tradição nos bairros”, observa.
Ainda segundo a comerciante, pintura da casa, reforma do banheiro, substituição de pisos e azulejos e gabinetes estão entre os reparos mais comuns. “Os consumidores optam por tudo o que envolve o visual”, comenta.
‘Só falta decorar’
Decorar a casa para o Natal é tradição na família da cabeleireira Iracema Lopes, moradora da quadra 1 da rua Francisco Ministro Zani, Jardim Allah, região do Alto Paraíso. E para deixar a residência ainda mais charmosa e receptiva para as visitas, ela priorizou a pintura externa do imóvel. “Agora só falta decorar com as luzes e receber para a ceia. Costumamos fazer festa para cerca de 30 pessoas”, conta.
Segundo Iracema, a família pesquisou antes de contratar o profissional para o serviço. Isso porque já passou por “poucas e boas” em outra obra. “A pessoa contratada não cumpriu com o combinado e gerou muito aborrecimento para todos, e isso não pode acontecer justo agora, uma época de festas e alegria. Por isso, para pintar a casa, chamamos uma pessoa de confiança”, garante e deixa a dica.
Bonito com pouco
Engana-se quem acredita que é preciso muito dinheiro para dar uma renovada no lar para receber o novo ano. É possível fazer pequenas mudanças com criatividade, pouco dinheiro e sustentabilidade, garantem profissionais da arquitetura, como Maria Teresa Martha de Pinho Meca.
Antes de tudo, ela aponta a busca por lojas que ofereçam melhores condições de pagamento e preços justos. “Uma lata de tinta faz muita diferença em uma casa quando você quer mudar o ambiente. A cor é a primeira coisa que pode impactar sem, necessariamente, mexer em muita coisa”, indica.
Para uma cidade quente, como Bauru, ela aposta em cores claras dentro e fora dos imóveis para uma sensação térmica mais agradável. As mesmas tonalidades dão a sensação de amplitude aos imóveis pequenos. “Você pode usar uma cor mais vibrante para detalhes ou mesmo uma das paredes”, orienta.
Sustentabilidade
Reutilizar é a palavra de ordem quando o assunto é deixar a casa charmosa e quase não mexer no bolso. Pintar um móvel de outra tonalidade, revestir o sofá ou simplesmente fazer uma capa, se o orçamento for mais limitado, são opções para ambientes internos.
“Há inúmeras soluções sustentáveis na decoração. Um painel de fotografias de família pode dar um ar legal a uma sala, assim como um vaso de planta. Se você olhar dentro da sua casa, vai ver que dá para montar um ambiente completamente diferente do que você tem, sem gastar muito”, exemplifica a arquiteta.
De olho no clima
Mas quando o assunto são as áreas externas, apesar de existir essa expectativa de reformar a casa nessa fase do ano por causa das festas, este não é um período propício por ser época de chuvas, o que prejudica reparos em telhados, pintura de áreas externas... Segundo a arquiteta Maria Teresa Martha de Pinho Meca, o ideal é programar tais mudanças até o mês de outubro. Outro item que vai contra as obras de final de ano é a mão de obra sobrecarregada agora, o que pode encarecer o serviço.
Feng Shui e o poder das cores
O Feng Shui, milenar técnica chinesa de harmonização de ambientes, defende as reformas como oportunidades de renovação também para os moradores. De acordo com a consultora e palestrante de Feng Shui Cris Ventura, reformar é importante para adequar as necessidades do ambiente e de seus habitantes.
“Por exemplo, é bom tomar cuidado com armários fixos, móveis planejados, mudanças de porta de lugar... A cabeceira de uma cama deve ficar em uma parede lisa e sem encanamento para não afetar o sono e a energia das pessoas, causando desânimo e cansaço”, acredita.
Cores
Para a consultora, o ideal é fazer aplicação das cores de acordo com o baguá (veja quadro acima), um mapa octogonal aplicado sobre a planta baixa, a partir da porta de entrada do imóvel. Porém, é possível escolher a cor de acordo com o seu significado, pensando no cômodo e na energia de sua funcionalidade.
O verde, por exemplo, é a cor que marca o início da primavera e está diretamente ligada com seu simbolismo no Feng Shui: novo ciclo, desenvolvimento, crescimento, expansão... “Representa tranquilidade, frescor, esperança, saúde, renovação, longevidade”.
O amarelo é luz para qualquer ambiente e lembra o sol, por isso sua intensa ligação com boas energias, vitalidade, saúde, alegria, comunicação. Já o laranja é uma cor energética e transmite entusiasmo, alegria, disposição, fartura, otimismo e poder.
“As cores devem ser sentidas e experimentadas pelos ocupantes de uma casa, pois cada um de nós reage de uma forma diferente com uma determinada cor. Conscientes ou não, todos são afetados pelo efeito das cores conhecendo ou não os seus significados, e podem ter sintomas e reações positivas ou não”, defende (saiba mais sobre o Feng Shui e as cores no blog da Cris Ventura: www.cantodofengshui.com).
Conselho é colocar tudo no papel
Quem já reformou ou construiu, certamente já teve dor de cabeça com a obra. Quem não teve, ao menos tem um amigo ou parente próximo que sabe bem sobre os possíveis transtornos que uma simples mudança em casa pode trazer. Para evitar aborrecimentos com atraso, falta de material ou mesmo abandono da obra, especialistas da área alertam para o planejamento completo da ação. Isso inclui orçar o material necessário, avaliar o tempo, incluindo imprevistos por causa do clima e, principalmente, colocar tudo no papel com os profissionais contratados.
Renato Parreira é engenheiro e diretor da Regional Bauru do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon). Segundo ele, quando o assunto é a segurança na hora de construir ou reformar, o primeiro passo é selecionar a mão de obra especializada no tipo de reforma que se deseja fazer.
Se o objetivo é trocar o piso, o profissional deve ser apto para isso. “Você deve obter informações sobre a qualificação e profissionalismo do contratado. Ligar nos últimos trabalhos da pessoa também é fundamental, já que você vai colocar um desconhecido dentro da sua casa”.
Contrato
O ideal, ainda de acordo com Parreira, é preparar um contrato de serviço, mesmo que simples, e pegar o nome completo, endereço e documentação do profissional autônomo escolhido, como precaução e proteção para ambas as partes. Na ponta do lápis deve ser especificado todo o serviço que será feito, item a item, como prazo para a finalização e a forma de pagamento, que é o principal.
“Amarrar” o pagamento com a execução do serviço é uma das alternativas: “30% para cada etapa da obra. Como agora a procura é grande, não é difícil encontrar gente que tenha levado prejuízo em obras. Há quem receba a maior parte do pagamento e deixe a obra por terminar para pegar outro serviço”, alerta o diretor do Sinduscon. Confira, abaixo, mais dicas de como evitar transtornos em reformas e deixar a casa pronta para as festas.