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No início do ano, uma represa transbordou e um trecho da Rodovia da Amizade foi interditado |
O verão nem chegou, mas as chuvas já começaram. Com muita intensidade elas fazem muitos estragos. Algumas cidades da região que sofreram com os estragos em anos anteriores se preparam para enfrentar as chuvas versão 2014.
Na cidade de São Manuel, as precipitações de janeiro deste ano derrubaram a ponte Branca Campana, utilizada por moradores do bairro Santa Helena. O município busca recursos financeiros para construir uma nova ponte. Enquanto a nova não sai do papel, a população tem que fazer outro caminho de acesso.
No bairro distrito de Aparecida, que pertence a São Manuel, outra ponte caiu, a Lopes Trovão. Com recursos da Defesa Civil ela começa, nos próximos dias, a ser reconstruída. Tanto na cidade quanto no distrito, a limpeza dos bueiros está sendo feita para deixar livre a captação de água.
Na vizinha Agudos as últimas chuvas deste ano dispararam uma série de ações para evitar que novos alagamentos aconteçam no centro da cidade e no bairro Pampulha. Os alagamentos que acontecem rotineiramente no bairro são provocados pela água pluvial. As casas foram construídas abaixo do nível da rua o que facilita a entrada da água da chuva.
Brigadistas
Em Agudos há 40 brigadistas preparados para uma situação emergencial, segundo a Defesa Civil. A limpeza de bueiros e a recolha de materiais que possam acumular água de chuva é outra ação que vem sendo desenvolvida na cidade. O Seminário Santo Antônio é um dos locais preparados para receber desabrigados.
Depois de sofrer uma das maiores enchentes em 2011, a cidade de Lençóis Paulista se preparou para não ter que enfrentar situações semelhantes.
Drenagens, construção de galerias, substituição de pontes e limpeza do rio Lençóis que corta a cidade são algumas das ações desencadeadas pela Defesa Civil municipal. Para o município, as obras estão dando o resultado esperado, tanto que em 2012 e até o mês de novembro deste ano, não foram registrados casos de enchentes.
Em Borebi não haverá problemas de enchentes, prevê o prefeito Manoel Frias Filho, o Mané Frias. As represas do Rio Lençóis estouradas não serão reconstruídas, dando vazão às águas pluviais. As três represas que ainda existem foram rebaixadas e devem suportar a quantidade de água prevista para as chuvas de verão. “Teremos problemas se a chuva for muito forte.”
Preparados ou não, os municípios já tiveram uma amostra do que serão as chuvas do verão na temporada 2013/2014. Aqueles que fizeram a tarefa de casa ficarão tranquilos, aqueles que deixaram para executar as obras necessárias com certeza terão problemas.
As enchentes, na maioria dos casos, prejudicam a população mais carente que vive às margens dos rios e córregos. São elas que fazem parte do rol dos desabrigados.
S. Manuel busca recurso para ponte
As chuvas de janeiro deste ano assustaram os moradores da cidade de São Manuel. Muitos estragos e danos que até hoje estão sendo reparados, comenta o secretário municipal de obras, Jairo Reinaldo Feliciano.
“A ponte Branca Campana caiu e os moradores do Bairro Santa Helena tiveram que mudar o caminho. O acesso existe, porém, mais longo. O resto dela precisou ser removido e atualmente estamos buscando recursos para reconstrução na Defesa Civil estadual. O bairro não ficou isolado porque há outro acesso. Nos próximos dias vamos a Capital buscar os recursos. Uma rua teve que ser interditada e assim está até hoje.”
No Distrito de Aparecida outra ponte também caiu, a Lopes Trovão. “A Defesa Civil estadual já disponibilizou a verba de cerca de R$ 150 mil para a reconstrução dela. O início das obras deve ocorrer em dezembro.”
Para não correr o risco de sofrer no período das águas que está prestes a começar, a prefeitura tem feito a limpeza dos rios Santo Antônio e Paraíso que cortam a cidade. Fez manutenção de todas as pontes, limpou os bueiros etc. “Os bombeiros vem de Botucatu, aqui temos um caminhão pipa para casos de incêndio.”
A chuva de janeiro 2013 foi além da normal na opinião do secretário. “A chuva foi forte demais. Nunca tivemos uma chuva como aquela. “Três famílias ribeirinhas tiveram que ser retiradas de suas casas. O imóvel não chegou a cair, fizemos a retirada por prevenção. Atualmente elas ocupam outros três imóveis custeados com a bolsa aluguel. Vamos resolver o problema da ponte e futuramente teremos que estudar a situação dessas famílias e de outras que ocupam áreas de riscos. Os imóveis foram construídos há muitos anos.”
Prevenção
O prefeito de São Manuel, Marcos Monti, diz que ao longo do ano determinou que algumas ações fossem efetivadas no sentido de evitar que o problema sofrido no início desse ano se repita em 2014. “Foram feitas fiscalizações e manutenção necessária para que as enchentes, caso ocorram, não atinjam grandes proporções. É triste ver pessoas perderem seus bens e seus sonhos, consultados com sacrifício e luta porque suas asas encheram de água pluvial.”
As medidas adotadas pelo prefeito vão desde a rotineira limpeza das encostas dos rios, desassoreamento das calhas para que haja maior fluidez das águas, manutenção das estruturas das pontes e desentupimentos de bocas de lobo bem como a devida fiscalização para que não apresentem problemas.
Para o diretor municipal de gestão e serviços, Ademir Ayres, é de extrema importância realizar rotineiramente a manutenção de pontes, só assim há chances de evitar estragos e danos que prejudicam a população.
O acúmulo de lixo e o descarte inadequado também preocupam. O diretor de agricultura e meio ambiente, Eduardo Ricardo, diz que a prefeitura está estruturando um projeto de conscientização para orientar a população. “O objetivo é fazer com que a população deixe de depositar lixo nas margens dos rios.”
Defesa Civil tem colchões doados
A Defesa Civil municipal de São Manuel está preparada para enfrentar uma situação emergencial na opinião da coordenadora Sandra Aparecida Scarparo Ortolan. De acordo com ela, os pontos mais críticos que poderiam ter problema de enchente, a prefeitura fez os reparos necessários.
“Um clube de campo da cidade trocou todos os colchões e doou os usados para a Defesa Civil, estão estocados, caso a gente precise. Temos o que restou das doações de roupas e calçados doados da chuva do começo do ano. No nosso plano emergencial temos pontos onde podemos recolher os moradores em caso de desabrigados, no poliesportivo e nas escolas.”
Borebi se preparou para período chuvoso
No início deste ano, uma represa de Borebi transbordou e um trecho da Rodovia da Amizade, estrada que liga Borebi a Agudos foi interditada. A represa, que fica na entrada da cidade, não suportou as fortes chuvas que atingiram o município e invadiu a via. Não houve vítimas. Para que situações como essa não se repitam, a prefeitura fez a prevenção, avisa o prefeito Manoel Frias Filho.
“Lá, todo ano tem problema. Baixamos o nível de duas represas. A terceira já tinha passado pelo mesmo processo. Eu acredito que não vamos mais ter problema. Não conseguimos recursos da Defesa civil para recuperar a capa asfáltica. A pavimentação foi feita pela Rodovias Tietê. Eles têm um convênio de recuperar 10 quilômetros tanto para a esquerda como para a direita.”
Mané Frias frisa que alguns problemas que provocavam enchentes em Borebi foram resolvidos pela própria natureza. “As represas estouraram e não vamos refazê-las. Acredito que isso vá ajudar na vazão da água do Rio Lençóis, mas tudo depende da quantidade de água que vier através da chuva.”
Ele lembra que na cidade não há residências em áreas de riscos e, portanto, é menos um problema. “Estamos em busca de recursos para refazer a tubulação da Rua 7 de Setembro que há 15 anos clama por consertos. O solo é úmido, antigamente era um brejo ali e a tubulação foi feita de forma inadequada. O certo é fazer tudo de novo.”
Em 2011, Borebi entrou em estado de atenção por conta da enchente do Rio Lençóis. Na época, duas represas da cidade se romperam. O especialista em Recursos Hídricos, Sidney Aguiar explicou na oportunidade que a forte chuva fez com que o Rio Lençóis, que corta a cidade, entrasse em fase de risco de transbordo.
“Isso ocorre quando a lâmina d’água atinge a borda da calha. O Rio Lençóis entra muito rápido no estágio de transbordo. Essa fase leva em consideração algumas variáveis hidrobiológicas, como estágio de saturação hídrica do solo e tempo de chuvas”.
Agudos constrói galerias para evitar alagamentos
A chuva que atingiu a cidade de Agudos no começo e em novembro deste ano disparou o botão de start da municipalidade que arregaçou as mangas e partiu para ações de prevenção. Nos locais onde foram registrados alagamentos foram feitas galerias e onde a vazão das águas pluviais era pequena, foi aumentado.
A secretaria municipal de obras está a todo vapor, segundo o titular da pasta, Cícero José Ferreira. “O local mais crítico é no bairro Pampulha. Alagou duas residências que foram construídas antes da pavimentação. Os imóveis foram feitos sem considerar o nível da rua e ficaram abaixo. No final do ano passado e começo desse ano elas alagaram.”
Nesse caso, segundo Ferreira foi aumentado a captação de água pluvial, para evitar os alagamentos. “O alagamento é provocado só pela água de chuva não tem rio por ali. É o bairro mais crítico. Tivemos alagamento na área central, no cruzamento das ruas Carlos Dias com José Bonifácio. Estamos tomando as providências, fazendo os reparos, seria troca de tubulação e aumento da captação de água pluvial.”
Quase 100% impermeabilizada
Na opinião do secretário municipal de obras de Agudos, a chuva que tem castigado a cidade não é normal. “São pancadas de muita intensidade. O município está 97% impermeabilizado, ou seja, quase todo asfaltado. Antigamente a água pluvial infiltrava na terra. Atualmente, escorre para a tubulação que não dá conta.”
O lixo mal descartado tem auxiliado no entupimento das bocas de lobo e a tubulação não era dimensionada para dar vazão a toda a toda essa chuva.
A limpeza dos bueiros e dos três córregos, Bonsucesso, Serraria e dos Agudos também foram feitas.
Lençóis aprendeu a lição em 2011
Em 2011 Lençóis Paulista sofreu com uma das maiores enchentes que já aconteceram no município. Na época foi tida como uma “catástrofe climática de proporção mediana” sem precedentes, consequência direta de uma intensidade pluviométrica de aproximadamente 700 mm/m2 acumulados durante o mês de janeiro, sendo que, somente na escala de 8 horas, choveu uma média de 180 mm/m2. Em determinada área da bacia do Rio Lençóis a montante da cidade de Lençóis Paulista, a soma de drenagem em três microbacias foi de aproximadamente 431mm/m2, recordes absolutos na história do município, disse na oportunidade o analista de Meio Ambiente Sidney Aguiar.
Na época ele analisou que a enchente ocorreu por causa do chamado efeito reverso das águas fluviais, que ocorre quando elas são estranguladas da parte mais baixa do rio para a mais alta. O efeito reverso, de acordo com o especialista, só ocorre em condições extremas de excedente líquido, levando em consideração tempo de fluxo e vazão nominal dentro de corpos receptores (rios).
Desde então a prefeitura vem fazendo limpeza do rio Lençóis, informa o coordenador da Defesa Civil e vice- prefeito, José Antonio Marise. “Periodicamente fazemos a limpeza do Rio Lençóis, que corta a cidade toda. Na área onde a situação é mais grave que são as vilas Contente e Bassili , construímos diques e comportas para disciplinar a enchente.”
“Na vila Repke substituímos uma ponte de madeira, muito antiga que represava o rio. Fizemos uma ponte bem maior que proporcionou o aumento de vazão nessa área . Fizemos várias drenagens urbanas com construção de galerias que também vão distribuir melhor a água da chuva impedindo que elas cheguem todas num ponto só”, acrescenta.
Plano emergencial dispara automaticamente todos os recursos da prefeitura, avisa o vice. “Eventualmente se acontecer alguma enchente disparamos o plano emergencial e temos todos os recursos da prefeitura disponibilizados e do SAAE. O departamento de assistência social participa no atendimento. Realocando as famílias em prédios públicos.”
Historicamente os pontos mais críticos estão localizados nas vilas Contente e Repke, onde há um número maior de famílias que eram atingidas. População ribeirinha que moram próximo ao rio, tanto do rio Lençóis quanto do córrego Corvo Branco. “A construção do dique e das comportas que construímos entendemos que o assunto está resolvido tanto que em 2012 e 2013 não foi registrado nenhum evento.”
Regime de chuvas intenso
Para Marise, o regime de chuvas está muito intenso para um período muito curto. “Se tiver uma precipitação de 200 milímetros num período muito curto é praticamente impossível prever tudo. Porque a calha do rio Lençóis é muito grande, tem 30 quilômetros de extensão, vem antes de Borebi passa por lençóis vai até Igaraçu do Tietê.”
No município, de acordo com o vice, não há favelas e nem construções precárias. “As residências na área de preservação permanente serão retiradas. Aprovamos no CDHU a construção de 39 residências destinadas a retirada dessas famílias. Esse número de imóveis ainda não é suficiente. Algumas famílias foram selecionadas e a construção de 39 casas deve começar nos próximos meses.”