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Man

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Não sei se é verdade, mas li em algum lugar que Mandela foi um nome escolhido pela mãe dele e que, no dialeto de lá, significaria "aquele para o qual os problemas se apresentam". Se é lenda ou não, o fato é que essa parece ser uma boa definição para o homem Mandela. Nasceu pobre, virou rebelde, foi preso, chegou a presidente, uniu a nação, morreu feliz. Quero ver é fazer tudo isso numa única vida e com 27 anos de desvantagem.

O cara ficou 27 anos preso. Aliás, não só preso: um tempão foi sem sequer encostar em alguém. Separado por vidros. Foto, então, impossível (hoje seria).

Um político sul-africano narrou o choque de ver Mandela ao sair do cárcere em 1990: só reinava aquela imagem de homem destemido, jovem boxeador, vigoroso. E eis que surge um "avô", nas palavras desse político, em lento caminhar e de oratória simples.

Sumiram com Mandela, mas também até aí reside um pouco do lado icônico da coisa. O poder que quis calá-lo ajudou a alimentar o mito. Mandela, em função da causa que defendia e da postura adotada diante de seus desafios, talvez tenha sido a última das legítimas unanimidades.

Sorrindo, Obama já disse que Lula era "o cara". Mas, bem antes, "o cara" foi Mandela. E o homem por trás do mito parece ainda mais inacreditável. O homem supera o mito: fez o que fez contra o racismo em meio a tantas adversidades continentais.

Suspeito que o poder reacionário até tenha planejado matá-lo algumas muitas vezes, mas seria pior: a lenda de agora já teria nascido ao primeiro disparo.

Só não vamos esquecer do homem de carne e osso que, sabe Deus (e ele), como chegou tão inviolável, positivo e afetuoso a dezembro de 2013. Não foi um superman, mas quase um homem de aço. Inquebrável pela força do amor.


O autor, João Pedro Feza, é editor executivo do JC


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