Em nota divulgada nesta segunda-feira (9), o comando da Polícia Militar (PM) em Santa Catarina declarou que não colocou policiais dentro da Arena Joinville, onde torcedores do Atlético-PR e Vasco se enfrentaram ontem, em respeito a uma ação civil pública do Ministério Público (MP) que pede que a Justiça proíba a participação de policiais militares "em atividades que fujam da competência constitucional da corporação".
"Segundo o Ministério Público, é ilegal a destinação de agentes públicos para a proteção do trio de arbitragem e de bens e instalações. Outra atividade tida como ilegal vem a ser a destinação de policiais para compor a chamada barreira que divide os torcedores. O Ministério Público entende que essa atividade é da competência dos organizadores do evento, portanto, de cunho privado, e por eles deve ser exercida", diz texto assinado pelo coronel Nazareno Marcineiro, o comandante da PM.
Marcineiro destacou que "o comando local de policiamento se absteve de atuar naquilo que foi considerado ilegal pelo Fiscal da Lei (Ministério Público), até porque o administrador público estaria sujeito a responder criminal e civilmente ao capitanear um ato tido como ilegal pelo Fiscal da Lei".
Segundo o comandante, a PM escalou 113 policiais militares para "policiamento ostensivo a pé, de trânsito, montado, de resgate médico, motocicletas e aéreo" e "tão logo configurou-se a quebra da ordem pública, a Polícia Militar agiu de pronto, inclusive com o resgate aéreo de torcedores feridos".
"Ao todo, aproximadamente 180 policiais militares foram empregados para a continuidade do jogo, sem registro de mais incidentes", acrescenta a nota.
Após briga, Promotoria diz que foi mal interpretada pela PM
O Ministério Público de Santa Catarina informou que foi mal interpretado pela PM em sua proposta de regular o policiamento na Arena Joinville, onde torcedores de Atlético-PR e Vasco brigaram ontem.
O promotor Francisco de Paula Fernandes Neto informou, via assessoria, que a ação ainda é só uma proposta que não foi apreciada pela Justiça. E, segundo ele, se tivesse sido aceita, só seria aplicada em 2014.
O objetivo, segundo o promotor, é evitar "desvio de finalidade da Polícia Militar". Ele entende que, no estádio, a segurança deve ser feita pelos organizadores do evento, e à PM cabe apenas supervisionar.
O comandante da PM em SC, Nazareno Marcineiro, declarou que teve acesso à ação, que o texto considera "ilegal" o emprego de policiais para compor "a barreira que divide os torcedores" e que não colocou tropas dentro do estádio porque estaria "sujeito a responder criminal e civilmente" pelo ato.
Marcineiro acrescentou que havia 113 policiais no entorno do estádio e que "tão logo configurou-se a quebra da ordem pública, a Polícia Militar agiu de pronto, com o resgate aéreo de torcedores feridos".
Alugado
A Fundação de Esportes, Lazer e Eventos de Joinville, que administra a Arena, informou que só aluga o estádio ao Atlético-PR e que a segurança particular é de responsabilidade do clube.
"Pelo nosso contrato, o clube deve cuidar da segurança e avisar a polícia", disse o diretor da autarquia, Fernando Krelling.
Segundo ele, o clube sabia que não haveria policiamento dentro do estádio desde sexta-feira, quando se reuniu com a corporação no local.
"No jogo contra o Náutico, duas semanas atrás, também não teve policiamento", acrescentou Krelling.
Segurança privada
O Atlético-PR contratou a Mazari Vigilância, de Joinville, para cuidar da segurança do estádio.
Segundo o proprietário da empresa, Arilson Alves, o clube pediu 60 homens para fazer as revistas e o cordão de isolamento e comunicou que traria outros 30 de Curitiba para ajudar no trabalho.
"Nós fornecemos o número de seguranças que o cliente pede. Eu acho que 60 é muito pouco para um jogo assim, mas não sou eu que decido. Na hora da confusão, a gente estava com 15 ou 20 (na arquibancada). Não tinha como evitar [a briga] nunca", disse ele.
Transferência
O caso está sendo investigado pela Polícia Civil em Joinville. Três torcedores do Vasco detidos em flagrante no domingo foram transferidos nesta segunda-feira (9) ao presídio de Joinville.
Eles foram indiciados por tentativa de homicídio, associação para o crime e incitação da violência, segundo o delegado Dirceu Silveira.
"Há vários outros envolvidos, e a polícia está empenhada em identificar todos os partícipes do evento", disse o policial.
A polícia recolheu filmagens da briga, e espera indiciar outros torcedores em dez dias.
Os três detidos no domingo à noite foram pegos pela Polícia Militar na saída do estádio. Um deles estava no banheiro do ônibus que o levaria ao Rio de Janeiro.
O governador Raimundo Colombo (PSD) classificou de "terrível" a briga de torcedores em Joinville e, segundo sua assessoria, determinou a abertura de uma sindicância para apurar "se houve falha no policiamento".