A demarcação de áreas de cerrado de Bauru para a criação de unidade de conservação será discutida em mais uma audiência pública. Desta vez, na Câmara Municipal, no dia 5 de fevereiro do ano que vem. A data foi marcada após árdua discussão sobre o assunto na sessão legislativa de ontem, quando o vereador Lima Júnior (PSDB) dirigiu críticas ao prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). O tucano avisou ainda que a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo suspendeu, por ora, os trâmites do projeto.
Na última sexta-feira, o Instituto Florestal apresentou a proposta de demarcação de 12 fragmentos de cerrado em Bauru, Agudos e Pederneiras. A proposta, da forma como foi feita, foi mal recebida pela maioria do público presente, empresários e pequenos proprietários de algumas dessas áreas. As glebas públicas correspondem a 70% do total proposto para demarcação. O tucano Lima Jr. disse, no entanto, que o prefeito – e ambientalista – foi o responsável pela proposta, sem qualquer diálogo com o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Condema) e com entidades civis como o Vidágua. “A notícia que trago é que, diante dessa situação, o deputado Pedro Tobias (PSDB) entrou em contato com secretário Bruno Covas [do Meio Ambiente], que garantiu que nada vai acontecer de afogadilho”, informou Lima.
Segundo o vereador, Covas tinha o entendimento de que a criação da unidade de conservação como fora proposta era um anseio da sociedade. A informação é de que, antes da última audiência, quando os técnicos do Instituto Florestal foram surpreendidos com a reação contrária dos presentes, o decreto estadual já estava pronto e seria publicado ao longo dos próximos dias. Renato Purini (PMDB) destacou que o cerrado deve ser protegido, sem, no entanto, engessar o crescimento da cidade. O líder do governo disse ainda não acreditar que a iniciativa para demarcar as 12 áreas na região tenha partido de Rodrigo Agostinho.
Mas Fernando Mantovani (PSDB) lembrou que, apesar de sua intensa participação nos debates sobre o cerrado, não foi chamado para discutir o assunto. Markinho da Diversidade (PMDB) e Sandro Bussola (PT) também discursaram em favor de maior abrangência no debate, o que motivou o pedido de audiência pública por parte da bancada do PSDB.