Quioshi Goto |
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O delegado Kleber Granja: “Alvos principais são adolescentes, mulheres e idosos” |
Período em que mais dinheiro e pessoas estão em circulação, o fim do ano oferece a combinação ideal para a ação de golpistas. E, de fato, os registros de estelionato tendem a aumentar nesta época do ano, o que demanda atenção redobrada da população, conforme alerta a polícia.
Somente na última terça-feira, duas pessoas em Bauru foram vítimas da ação destes criminosos. Em um caso, um homem de 59 anos depositou R$ 4,7 mil em uma conta corrente após receber uma ligação e acreditar que seu sobrinho precisava de ajuda em um acidente de trânsito. Na outra ocorrência, uma mulher de 63 anos quase perdeu R$ 1 mil como pagamento do resgate de um falso sequestro de sua filha.
Em média, a cidade registra três casos de estelionato por dia, segundo dados do Sistema de Informações Criminais (Infocrim) da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo.
E, com a liberação do pagamento de salários e da segunda parcela do 13º, assim como o aumento de pessoas circulando nas ruas para as compras de Natal, as chances de o número de vítimas aumentar são grandes.
“Não apenas os golpes, mas as abordagens em saídas de banco também tendem a se tornar mais frequentes. Como as oportunidades para estes criminosos aumentam, as chances de eles serem bem sucedidos também cresce”, observa o delegado da Central de Polícia Judiciária (CPJ), Kleber Granja.
O golpe do falso sequestro, do falso acidente de trânsito e do prêmio por SMS estão entre as modalidades mais frequentemente aplicadas pelos estelionatários (leia mais no quadro). Mas as táticas mais convencionais que não dependem de aparelhos eletrônicos, como o golpe do bilhete premiado, ainda continuam fazendo vítimas.
Poder de convencimento
E os alvos preferencias, segundo Granja, costumam ser adolescentes, mulheres e idosos. “Na verdade, acaba dependendo muito da postura da vítima e o criminoso com experiência tem condições de detectar os alvos mais vulneráveis”, detalha.
Portanto, quem não se encaixa neste perfil não está livre de cair no “conto do vigário”. Conforme o delegado explica, os estelionatários possuem grande poder de persuasão, o que faz com que golpes já bastante conhecidos continuem sendo aplicados com sucesso.
E, para garantir que conseguirão ludibriar suas vítimas, geralmente eles agem em duplas ou trios.
“Em muitos casos, para maior credibilidade a toda a encenação, um ou dois deles fingem que não se conhecem e se colocam na mesma posição da vítima, o que aumenta a chance de convencer a pessoa”, pontua.
Neste sentido, os estelionatários também se valem do que a polícia chama de torpeza bilateral, em casos que a vítima é convencida a agir com má-fé para obter alguma vantagem financeira.
“Diante da possibilidade do ganho fácil, a vítima se deixa enganar e acredita verdadeiramente naquela história que está sendo contada. Ela é coagida de tal forma que, depois de perceber o golpe, mal consegue acreditar em tudo o que aconteceu”, completa o delegado.
Samu
Funcionários do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tiveram problemas com o vale-alimentação. De acordo com um servidor, ao utilizar os créditos no último dia 1º, ele notou que não havia mais créditos. Quando foi fazer a consulta, percebeu que o valor já havia sido gasto em um estabelecimento que ele nunca havia visitado.
Ao entrar em contato com a empresa responsável pelo vale, portanto, a vítima teve o valor depositado novamente.
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