Regional

Expedição registra 70 pontos de degradação de mata no rio Batalha


| Tempo de leitura: 3 min

Cerca de 70 pontos de degradação das matas ciliares em trechos do rio Batalha foram flagrados, na semana passada, durante expedição realizada como parte das ações da campanha do Instituto Ambiental Vidágua “Da mobilização à floresta – Articulação e sensibilização social para a conservação e recuperação das matas ciliares da bacia hidrográfica Tietê-Batalha”.

Os biólogos que participaram do projeto, realizado entre os dias 30 de novembro e 1 de dezembro, elaboram agora um relatório técnico. As matas ciliares são Áreas de Preservação Permanente (APPs), mas apesar da proteção prevista pelo Código Florestal, na bacia Tietê-Batalha esta vegetação tem sido ilegalmente suprimida.

De acordo com a assessoria de imprensa do Vidágua, quatro barcos fizeram o trajeto saindo de Avaí (39 quilômetros de Bauru) e desembarcando em Pongaí (100 quilômetros de Bauru), com o objetivo de verificar a situação das matas ciliares do rio. A equipe percorreu por barco o total de 107,6 km.

Diagnóstico preliminar

No primeiro dia de expedição, o grupo embarcou em um ponto do rio Batalha no município de Avaí, em direção a Reginópolis. Neste trecho foram observadas muitas áreas preservadas, e outras em regeneração, mas também algumas áreas de pastagem e casas dentro das APPs, além de lixo como garrafas pet, sacolinhas plásticas e isopor. A equipe acampou em local próximo ao rio em Reginópolis, onde passou a noite.

No dia seguinte, a expedição seguiu rumo à Prainha Municipal de Pongaí. Neste trecho as ocupações irregulares nas APPs aumentaram. A equipe flagrou gado na beira do rio em diversos pontos, além de casas e ranchos.

Os biólogos da expedição chamaram atenção para áreas onde há mata ciliar, porém faixas pequenas e insuficientes em relação ao que prevê a legislação. Assim como foram constatadas áreas exemplares, em que a mata ciliar vai além da faixa obrigatória prevista pelo Código Florestal.

O solo desprotegido pela mata fica exposto a processos erosivos. Quando chove, a água carrega sedimentos do solo para o rio, causando bancos de areia no curso d’água e assoreamento. Durante a navegação foi notável que em alguns pontos o rio está muito raso por conta da supressão da vegetação ciliar.


Biodiversidade

Apesar das ocupações irregulares nas APPs do Batalha, grandes áreas contínuas de mata ainda protegem o rio e servem de abrigo para a fauna. Alguns animais foram observados durante a expedição. Aves como tucano, garça, gavião, coleirinha, canário da terra, anu, sabiá, saracura, pato-mergulhão e martim-pescador, répteis como teiú e calango-verde, mamíferos como bugio e capivara sobrevivem graças à vegetação do entorno do rio, e ao próprio curso d’água.

Em janeiro de 2014 será realizado um fórum de encerramento do projeto “Da mobilização à floresta” em Bauru, onde o Instituto Ambiental Vidágua apresentará um vídeo sobre a expedição pelo rio Batalha, que depois deve ficar disponível no Youtube.

No evento a equipe técnica apresentará também dados e atividades do projeto, que começou em 2012 e conta com financiamento do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), além de parcerias com órgãos públicos e privados. A data, hora e local do evento serão publicados em breve no site: www.vidagua.org.br/damobilizacaoafloresta.

 

Comentários

Comentários