Tribuna do Leitor

Depois que o burro passa...


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É surpreendente a capacidade de algumas pessoas em tentar tirar proveito de situações bizarras e sem sentido. Em primeiro lugar, acho engraçado discutirmos situações já concretizadas. Imagine você, caro leitor, se começássemos a discutir neste ano de 2013 a derrota da Seleção Brasileira de Futebol para a França em 1998. Se elaborássemos um debate sobre o que poderia ter sido feito naquela ocasião que mudasse o resultado e entregasse a taça para o Brasil, hoje? Se o treinador colocasse o Edmundo no lugar do Ronaldo mudaria o resultado da partida? Se sugeríssemos ao Felipão que mude aquela seleção agora, pois sabemos que o Brasil perdeu de 3 x 0, o que você acha? Claro, voce vai dizer: o que voce quer com esse debate? A Copa de 98 foi vencida pela França e não adianta mais discutir o assunto.

Pois é, foi assim que me senti ao receber o convite para a audiência pública do dia 12.12.2013, na Câmara Municipal, para debatermos a Lei 250/13, que institui política municipal de ações preventivas e de assistência à gravidez na adolescência, de autoria do nobre vereador Paulo Eduardo de Souza. Quando publiquei, nesta coluna, a minha opinião sobre discutirmos o projeto e envolvermos outras entidades e associações de nossa cidade antes de sua votação, alguns "superinteligentes" e "superavançados" criticaram e disseram que isso não seria assunto para entidades eclesiásticas e que cada um se limitasse à sua esfera de atuação, como se nós, os cristãos, não tivéssemos absolutamente nada a acrescentar ou sugerir para a melhoria dos relacionamentos familiares e na busca da solução dos problemas observados com adolescentes e crianças em nossa cidade.

Acho que estes "espertos" e cultos ao extremo devem dirigir suas críticas ao referido vereador, pois tudo o que sugerimos há alguns dias atrás o mesmo confirmou ao convocar uma audiência pública e convidar diversas entidades civis e eclesiásticas da cidade para participarem do referido debate do Projeto de Lei que já foi aprovado, inclusive o Conpev. Curioso, não é? Acredito tratar-se de uma discussão inócua, sem propósito e oportunista. Talvez seja para dar uma resposta paliativa para os que se posicionaram pelo debate antes da aprovação do projeto ou, quem sabe, para tentar dizer que ficou "mal na fita" com alguns segmentos importantes da sociedade, pois apesar do estado ser laico, como esbravejaram alguns incaltos, o estado não é laicista!

Por isso, a menos que a Lei possa ser revogada e discutida com as propostas elaboradas, o que acredito não seja mais possível, debater sobre o projeto já aprovado é no mínimo desnecessário, já que gerará custo para a efetivação da referida audiência, ou será para se colocar holofotes sobre algumas pessoas a fim de amenizar a intransigência no dia da votação, ou quem sabe torná-los "bonzinhos" e democráticos, agora que já não cabe mais mudanças. Por isso que eu respondo ao convite enviado ao Conselho de Pastores com um adágio popular: "Depois que o burro passou, não adianta mais trancar a porteira". Que sirva de lição para as próximas discussões, pois o burro que passou pode não voltar mais, porém evitará que novos burros fujam pelo mesmo local.


Ubiratan Cássio Sanches - CONPEV - Bauru/SP - Pastor presidente do Conselho de Pastores Evangélicos de Bauru e Região

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