Há quase três anos sem grandes intervenções no plenário da Câmara, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) deixou a reclusão ontem para se defender da condenação no mensalão sustentando que o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) foi uma “peça teatral de farsa”.
O petista disparou ataques ao STF, em especial ao presidente da corte e relator do processo, Joaquim Barbosa, dizendo que ele é um juiz que trabalha com informação seletivas. Mais uma vez, criticou a imprensa, reiterou sua inocência e negou que pense em renunciar ao mandato se for pedida sua prisão. “Eu sei o que fiz e o que não fiz. Eu nunca fiz nada de errado. E se tivesse que fazer, não faria aqui (na Câmara)”,disse.
A fala foi recebida por parte dos colegas como um grande ato de despedida. O petista apontou que precisava quebrar o “silêncio obsequioso” para rebater injustiças.
“Sou mensaleiro de muitos anos. Passo por esse infortúnio desde 2005. Essa é uma prestação de contas aos meus 256 mil eleitores, aos senhores deputados e aos filiados do PT”, disse.
E completou: “Fiz uma opção pelo silêncio, ele acaba aproximando a gente da gente mesmo. O político tem facilidade para falar, mas pouca para se ouvir. Só percebi isso quando fui arrasado por esse processo”, disse.
O deputado fez uma comparação de sua condenação à prisão à história do líder sul-africano Nelson Mandela, que lutou contra a discriminação racial e passou 27 anos na cadeia. “Se o Mandela ficou 27 anos preso, longe de mim me comparar com o Mandela, eu suportarei também. Eu não quero é ficar sozinho lá (...) Quero que me mandem cartas”, disse.
João Paulo Cunha foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão em regime inicialmente fechado pelos crimes de peculato (desvio de dinheiro público), corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Como ainda resta um recurso para ser analisado pelo Supremo, seu caso deve ser definido em 2014.
A maioria dos ministros do STF acolheu acusação da Procuradoria de que ele recebeu R$ 50 mil do esquema que desviou recursos públicos para abastecer a compra de apoio no Congresso durante o início do governo Lula.