Um dia depois de anunciar que o governo pode prorrogar o prazo para instalação obrigatória de itens de segurança nos carros novos, o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse à reportagem que a decisão ainda não está tomada e que a preocupação do governo é com a manutenção de emprego.
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Ueslei Marcelino/Reuters |
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Segundo Mantega, executivos do setor automotivo afirmaram que, se for mantida a regra que obriga a instalação na totalidade dos equipamentos em veículos no ano que vem, algumas linhas terão que ser desativadas e os empregados serão demitidos |
A obrigatoriedade a partir de 2014 havia sido estabelecida em 2009 pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito), órgão formado por representantes de oito ministérios e vinculado ao Ministério das Cidades. Várias montadoras já haviam preparado as linhas de montagem para incluir airbag (bolsas que inflam em caso de colisão) e freios ABS (que evitam o travamento das rodas) nos modelos que ainda não eram fabricados com esses equipamentos.
Mantega afirmou que conversou, nesta quinta-feira (12), cedo com o ministro das Cidades. Embora tenha anunciado a possibilidade de adiamento, a Fazenda não integra o Contran.
Neste ano, a exigência de instalação desses itens de segurança atinge 60% da produção, embora em várias classes de veículos a porcentagem exceda esse mínimo.
Segundo Mantega, porém, executivos do setor automotivo afirmaram que, se for mantida a regra que obriga a instalação na totalidade dos equipamentos em 2014, algumas linhas terão que ser desativadas e os empregados serão demitidos.
"Esses itens são incompatíveis com algumas linhas antigas. A Kombi não tem condições de receber esses itens e a linha será desativada. Sem dar um tempo para as empresas, elas poderão demitir", argumentou Mantega em entrevista à reportagem.
O ministro não soube explicar, no entanto, por que acredita que a indústria não tenha se preparado, já que a regra foi prevista em 2009, garantindo um prazo de transição longo.
"Não sei [porque a indústria não se preparou]. Não queremos prejudicar a segurança. Nossa preocupação é com a manutenção do emprego. Se houver maior prazo, as empresas podem acomodar os empregados."
A ideia do ministro é elevar a exigência de instalação de airbag e freio ABS para 80% dos carros novos no ano que vem e dar mais um prazo para atingir a totalidade da frota. "Não temos uma data final. Ainda não foi decidido nem se haverá adiamento."
"Vamos discutir com a indústria na semana que vem qual é a melhor solução que preserve o emprego. Para o consumidor, não muda nada porque hoje ele já tem acesso a carros com esses itens", completou o ministro.
Ontem, ao dizer que a medida poderia ser prorrogada, Mantega expressou preocupação com o aumento no preço dos carros novos, calculado em "de R$ 1.000 a R$ 1.500". Na terça, a reportagem havia mostrado que tabelas de preço de carros populares para o ano que vem já traziam aumentos de até 10%.
O impacto contribuiria para pressionar ainda mais o índice oficial de preços (IPCA).
