João Rosan |
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Jesus Caparroz foi assim batizado por ter nascido na madrugada do dia 25 de dezembro, depois de um parto difícil |
Era Natal, há 65 anos, quando a mãe de Jesus Caparroz entrou em trabalho de parto. Um parto difícil, feito em casa, e que durou horas e horas até o bebê chegar ao mundo. “Minha mãe, Ignez Caparroz, estava em um parto complicado. Meu pai não sabia mais o que fazer. Então se ajoelhou e rezou. Pediu a Deus pela minha saúde e a de minha mãe e fez uma promessa: caso corresse tudo bem e o bebê fosse menino, chamaria Jesus. E eu nasci. Segundo minha mãe, o seu melhor presente de Natal”, lembra o bancário aposentado, o Jesus da Vila Cardia.
Católico praticante, Jesus nasceu em Garça e vive em Bauru há 15 anos. Para ele, carregar tal nome é, ao mesmo tempo, uma responsabilidade e uma graça divina. Casado e com quatro filhos, ele enfatiza a importância da prática religiosa para agradecer a vida. “Faço questão de ser um cristão praticante. Com minha esposa, por exemplo, participo há anos da Pastoral da Família na paróquia São Sebastião. É uma honra ter recebido o nome do filho de Deus”, finaliza.
Assim como o morador da Vila Cardia, muitos outros bauruenses foram batizados com o nome do protagonista do Natal. Cada um com sua história, sua profissão, sua trajetória... Nas próximas páginas, você conhecerá um pouco da história do Jesus da Vila Dutra, do Parque Vista Alegre, da região do Lago Sul, Vila Nova Santa Clara e Jardim Rosa Branca.
Cada Jesus, uma história
Sindicalista, técnico de natação, advogado, repórter esportivo e representante popular... Quem é o Jesus do seu bairro?
"Jesus das piscinas"
J esus Arena nasceu em dezembro de 1925 em um sítio na região do atual condomínio Lago Sul. Mudou-se ainda menino para o Jardim Bela Vista. Segundo ele conta, foi um dos primeiros a lá morar. Seu pai, Frederico Arena, foi um dos desbravadores da região. Abriu ruas e construiu, em 1948, a primeira piscina com medidas oficiais da região: a piscina Recreio.
Arena começou a nadar em represas e lagos da região, ainda na infância. Tomou tanto gosto pelo esporte que virou técnico de natação e atuou na organização de muitos eventos esportivos, entre eles o concurso da Mais Bela Banhista do Esporte Clube Noroeste, além de inúmeras competições de natação.
Hoje, aos 87 anos, e morador da Vila Nova Santa Clara desde 1967, ele coleciona seus feitos e a “história aquática” de Bauru. Material que daria um livro e que ele faz questão de guardar e mostrar com carinho e orgulho aos que o visitam.
“De 1958 a 1969, assumi a administração do complexo esportivo do Esporte Clube Noroeste, na época, Complexo Esportivo Alfredo de Castilho. Antes disso, na década de 1940, fui convidado a participar da equipe do Bauru Tênis Clube. Em seguida, formei a primeira equipe de natação da Piscina Recreio, onde foi realizado o 3º Campeonato de Natação Infanto-Juvenil da Federação Paulista de Natação”, recorda.
Federação Paulista
Foi também nesta época que Arena recebeu o convite para ser o delegado regional da Federação Paulista de Natação, onde atuou por muitos anos. Outros destaques da carreira do “Jesus das piscinas” foram as aulas dadas a policiais militares. “Dei aulas de salvamento aquático para a primeira turma de bombeiros de Bauru. Também dei aulas para os recrutas que chegavam para a formação do exército paulista... Pude ensinar muita gente ilustre a nadar, além de atletas queridos na ativa até hoje, como Norival Agnelli”.
"Jesus sindicalista"
Jesus Francisco Garcia é técnico de subestação da CPFL Paulista e presidente do Sindicato dos Eletricitários. Aos 58 anos de idade, atualmente ele vive no mesmo bairro em que nasceu, o Parque Vista Alegre.
Filho de católicos praticantes, daí a origem do seu nome, Jesus também foi engajado em movimentos da Igreja na juventude. “Morei um tempo em Campinas. Lá, trabalhei na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e, na época do Regime Militar, estive engajado em movimentos estudantis. Tomei gosto pela militância”.
De lá para cá, Garcia entrou na CPFL e no movimento sindical. Da sua história de militância faz parte a participação na formação da Central Única dos Trabalhadores (CUT): “Estive ativamente em congressos que anteciparam isso”.
Ele também esteve nas mobilizações pela Constituinte de 1988, pelas Diretas Já e Democratização do País, além de ter representado o Brasil na Federação Internacional do Serviço Público. “Andei o mundo nessa época”.
Desafios
O Jesus sindicalista ainda coleciona participações em conselhos municipais e estaduais. Foi dirigente da Associação do bairro ColinaVerde, quando lá morou, e aponta quais são os seus desafios de vida. “Eu luto por melhores condições de trabalho. Mas o meu desafio mesmo é estimular essa luta nos jovens, mostrar para eles a importância de movimentos sindicais, de lutar pelos direitos dos trabalhadores”, pontua.
João Rosan |
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Jesus Arena: ‘Dei aulas de salvamento aquático para a primeira turma de bombeiros de Bauru’ |
"O Jesus do jornalismo esportivo"
Ele é conhecido como Jota Augusto ou o “Jota” da Auriverde, mas seu nome de batismo é Jesus Aparecido Augusto. Morador do Jardim Rosa Branca, ele nasceu em Piratininga, mas está em Bauru há 60 anos.
Foi no rádio que este Jesus fez a sua carreira. Tudo começou em 1965, na antiga Rádio Terra Branca. “Meu primeiro trabalho foi ao lado do mestre Leonardo de Brito, cobrindo o futebol varzeano”, recorda.
Depois, Jota trabalhou na G8, hoje Bandeirantes e, profissionalmente, está na AuriVerde desde agosto de 1990. “Sempre atuei na área esportiva, embora tenha participado várias vezes de coberturas de Carnaval e eleições”, frisa.
Com as coberturas esportivas, o repórter correu o Brasil pelo esporte. Entre os destaques do seu trabalho estão as coberturas de jogos da Seleção Brasileira em eliminatórias de Copas do Mundo e, em 1976, a transmissão de um grande prêmio de F1, em Interlagos.
“Talvez a mais importante e marcante cobertura tenha sido pela AuriVerde em 1971, na Copa América, no Chile. Ficamos 22 dias naquele país”, destaca.
Jesus, Maria e José
E por que Jesus? Segundo Jota, não há um motivo especial para o nome. Ele acredita que o tenha recebido por ter nascido perto do Natal, no dia 2 de dezembro, e por sua mãe ser muito religiosa.
Mas não é somente Jota quem tem nome bíblico em casa. Sua irmã mais nova é Maria e o irmão mais velho, José. “Primeiro nasceu José, em seguida Jesus e, por último, Maria, fechando a sagrada família”.
E para fechar a sua história, o morador do Jardim Rosa Branca conta uma passagem curiosa sobre o seu nome. “Quando meu filho Fábio tinha 3 anos de idade, estava com minha esposa e eu no supermercado e ficou perdido. Ao se ver só, ele chegou até um senhor e perguntou: moço, o senhor conhece Jesus? O homem disse: claro que sim, menino. E meu filho: ele é meu pai, o senhor sabe onde ele está?”.
"Jesus das associações de moradores"
Felicidade. É o que Jesus Adriano dos Santos sente em relação ao seu nome. Foi a avó Geralda Joana Matos quem o escolheu para o neto. Jesus é filho de Maria Vicência e irmão de José, Jorge, Donizete, Agnaldo, Francisco, Maria Aparecida, Conceição Aparecida e Maria Tereza. “Ou seja, venho de uma família religiosa”.
Presidente da Federação da União das Associações de Moradores de Bauru e Região Centro Oeste (Fuam), ele nasceu em Presidente Alves, em 1952. Por causa do nome especial, ele lembra que sempre foi destaque na escola. Era o primeiro a ser citado como exemplo pelas professoras.
Entre os seus destaques profissionais estão: formação de marceneiro e administração de empresas, o trabalho em fábrica de móveis e como agente administrativo em várias empresas e instituições. Na Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), ele atuou como coordenador agrícola e, na Câmara Municipal, como assessor parlamentar. Jesus ainda participou da diretoria de fundação do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru e Mato Grosso do Sul.
Aposentado desde 1995 e aos 61 anos de idade, o morador da Vila Dutra se dedica voluntariamente à organização popular, por meio de orientação às associações de moradores, desde a sua criação e eleição, até a organização de reinvindicações e projetos populares junto aos órgãos públicos e a participação em conselhos municipais. Dessa forma, ele é conhecido em Bauru como o Jesus das Associações de Moradores.
2014
“Avanços aconteceram, principalmente na questão da regularização das associações e projetos populares, mas é preciso repensar o movimento popular e buscar uma nova dinâmica para que as atuais e futuras lideranças possam dar novos rumos à cidade como um todo. Plano Diretor, Orçamento Participativo, Setor de Planejamento Urbano e Lei do Abairramento são metas que, em 2014, se comprometem com a cidade”, acredita.
"Um Jesus advogado"
Jesus Gilberto Marquesini tem 55 anos e nasceu no município de Santa Adélia. Chegou a Bauru em 1977, trazido pelo desejo de estudar. No início, ele ingressou no curso de comunicação social da antiga Fundação Educacional de Bauru, atual Universidade Estadual Paulista (Unesp). Mas descobriu que sua vocação era o direito e ingressou na Instituição Toledo de Ensino (ITE).
“Foi aqui, em Bauru, que eu cresci, formei-me advogado, construí minha carreira, conheci minha esposa e tive meus filhos. Sou bauruense de coração, com certeza, afinal, cheguei à cidade ainda adolescente”.
Advogado por convicção, há três décadas Marquesini mora em uma chácara na região do Lago Sul e trabalha com direito empresarial e atende importantes usinas de açúcar do País. “Na minha profissão, a ética profissional é fundamental. É o que eu passo para meus dois filhos, que também optaram pelo direito”, grifa.
‘Nasci desacordado’
O advogado tem uma história especial sobre o seu nome. Ele relata que, na época de seu nascimento, a cidade onde nasceu não tinha mais do que 2 mil habitantes e era um município carente de recursos. A mãe entrou em trabalho de parto de gêmeos aos 7 meses de gestação. O irmão nasceu bem, com saúde, mas Jesus... “Eu nasci desacordado, alguns até acreditaram que eu não sobreviveria. Naquele desespero todo, minha mãe fez uma promessa. Se eu sobrevivesse, meu nome seria igual ao de Cristo”, emociona-se ao contar.
Jesus: a origem do nome
O nome de Jesus vem do aramaico, língua falada e escrita corrente na Palestina, que deu origem a diversos idiomas usados até hoje, segundo explica o mestre diácono e professor coordenador do curso de geografia da Universidade Sagrado Coração (USC) José Rafael Mazzoni.
Ainda de acordo com ele, o termo “Jeshua Hamashia”, significa Jesus Cristo, o Messias, o escolhido, “Deus é salvação”. “É uma versão do nome grego Iesous, adaptada do aramaico Yeshu’a”, acrescenta. No original, esta é uma versão contraída do nome Yehoshu’a, que se traduz no português como “Josué”, equivalente a Jesus em significado. O acróstico “Ixoye” significa Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador, e tem a origem nas iniciais de palavras gregas. Já Cristo, palavra hebraica Mashiach, significa ungido com óleo sagrado.
Maria e José
Segundo um levantamento feito recentemente pela proScore, empresa de análise de crédito, Maria é o nome mais comum do Brasil. Há pelo menos 13 milhões de brasileiras chamadas Maria, ou seja, cerca de 7% das 190 milhões de pessoas que vivem no País, de acordo com o ranking levantado. Dos nomes mais escolhidos para batizar os homens, José é a opção mais comum, com mais de 8 milhões apontados, o que garante o posto de segundo lugar no ranking apresentado com 50 nomes mais utilizados em território nacional. A explicação pode ser tão simples quanto o que já aponta a intuição geral. Por se tratar do País mais católico do mundo (68,4% da população segundo estudo da Faculdade Getulio Vargas divulgado em 2013), o Brasil concentra muitos nomes ligados à religião.
Para o levantamento, a empresa utilizou seu banco de dados com aproximadamente 165 milhões de Cadastros de Pessoas Físicas (CPFs). Outro nome bíblico, João, aparece em quarto lugar entre os mais populares do Brasil, com aproximadamente 3 milhões de brasileiros que atendem pelo nome. Em terceiro lugar vem Antônio, com cerca de 3,5 milhões.

