São Cristóvão, Cristóforo, aquele que carrega Cristo, é um lendário santo popular da igreja desde a Idade Média. Padroeiro dos motoristas, este santo tem grande dificuldade para desempenhar sua missão na idade moderna. Não por ele, mas pela fraca cooperação das "peças atrás do volante..."
O automóvel ? tão incorporado na cultura atual ? figura, muitas vezes, como personagem mais importante da família de quem deveria ser um servidor. Ao invés de bem a serviço do homem, tem servido, por vezes, como expressão de falta de caridade e de solidariedade. Encurtando distâncias, essencial para a mobilidade humana e nos transportes de bens de consumo, até onde o homem faz com que o carro cumpra seu papel a serviço do bem? Ou, em vez disso, estaria já constituindo problema para a saúde do planeta e também uma arma mortífera a ceifar vidas nas estradas e ruas do Brasil e do mundo?
Uso irracional: mês a mês as montadoras de veículos comemoram recordes de venda, resultado das facilidades de acesso oferecidas para a sua aquisição. O automóvel ? o mais popular fruto tecnológico da invenção da roda e do posterior motor à explosão ? representa o sonho de consumo mais cobiçado, transformado em verdadeiro sinal de status social. O uso racional implica plena capacitação para o manuseio, além de respeito e tolerância com o próximo, pois atrás de um volante e dentro de cada veículo estão seres humanos...
Segundo, a incidência no preço final do que consumimos, por conta do transporte das mercadorias: o produto é mais caro, onerando os consumidores, que poderiam pagar bem menos, se o meio de transporte fosse mais econômico. E não por último, o transporte rodoviário aumenta a poluição ambiental, com a emissão de gás carbônico e o consequente aquecimento da Terra...
Na opção fluvial, o Brasil oferece imensas possibilidades, com seus muitos e imensos rios navegáveis. Claro, este transporte precisaria ser mais confiável, com embarcações seguras e constante fiscalização. Na Alemanha, no rio Reno, vi enormes barcaças transportando dezenas de carros, que exigiriam muitas cegonhas para transportá-los pelas rodovias. Já para o transporte urbano, precisamos de metrô, de trens urbanos e de uma ampla malha de linhas de ônibus, desafogando o trânsito com grande número de carros particulares, principais geradores dos grandes congestionamentos, evitando-se tanto tempo perdido e o grande número de acidentes.
João Álvares