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Um homem pardo, de estatura mediana, olhos castanhos e aparentando ter cerca de 30 anos está deixando estudantes universitárias que circulam pelo Jardim Panorama assustadas. A bordo de uma bicicleta de cor escura, ele expõe sua genitália e tenta acuar as jovens, que, até o momento, sempre conseguiram escapar da abordagem.
A polícia ainda não tem pistas sobre a identidade do homem, que já teria assediado ao menos quatro mulheres, mas a promessa é de que o patrulhamento será reforçado na região. Num dos casos mais recentes, registrado na última sexta-feira, uma estudante de 23 anos precisou pedir ajuda a um rapaz que estava em uma caminhonete estacionada para conseguir afastar o criminoso.
“Por sorte, esse motorista me reconheceu da universidade”, relembra. A jovem – que terá a identidade preservada para evitar constrangimentos – foi abordada por volta das 12h30, em frente a uma praça localizada na quadra 2 da rua Edmundo Antunes, no Jardim Panorama.
Ela havia acabado de descer de um ônibus na avenida Nações Unidas, quando o homem, empurrando sua bicicleta e com uma mochila preta nas costas, passou a persegui-la.
“Ele estava escondido no recuo de um prédio em frente à praça e apareceu do nada. Eu continuei andando, mas ele veio na minha direção, me chamando para pegar o pênis dele, que estava à mostra”, narra a vítima.
Neste momento, a estudante gritou por socorro e encontrou um conhecido da faculdade, que a levou de caminhonete até o prédio onde ela mora, no Jardim Panorama. A Polícia Militar (PM) foi acionada, mas nenhum suspeito foi localizado.
Importunação
No mesmo dia, segundo ela, outras duas jovens teriam sido vítimas de abordagens semelhantes nas imediações da avenida Nações Unidas. Coincidentemente, uma das mulheres seria moradora do edifício vizinho ao da estudante. “E, na semana passada, outra menina que mora no meu prédio também enfrentou a mesma situação”, completa a jovem (leia mais abaixo).
Embora a PM tenha sido acionada, o caso ainda não chegou ao conhecimento da Polícia Civil, conforme informou a delegada Priscila Bianchini de Assunção, da Central de Polícia Judiciária (CPJ).
“Pode ser que os boletins de ocorrência não tenham sido registrados”, avalia. Procurada, a coordenadoria operacional do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I) informou que irá apurar, ainda hoje, qual foi o encaminhamento dado pelos PMs que atenderam a ocorrência.
Se o suspeito for identificado e capturado, ele poderá responder por crime de ato obsceno, por mostrar a genitália em público, e importunação ofensiva ao pudor, por perseguir e intimidar as jovens ao convidá-las para encontros sexuais.
“Em princípio, parece-me que ele não poderia ser enquadrado por tentativa de estupro, porque nem mesmo tocou a vítima. Não houve um comportamento mais agressivo nesse sentido, que viesse a ser impedido por circunstâncias alheias”, pondera a delegada.
Patrulhamento reforçado
Diante da sequência de “ataques” a estudantes universitárias, a Polícia Militar informou que irá reforçar o patrulhamento nas imediações do Jardim Panorama e do Jardim Brasil, onde os episódios mais recentes foram registrados.
Segundo o major Alan Terra, coordenador operacional do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), casos de importunação ou mesmo de estupro ocorrem de maneira sazonal em bairros habitados por estudantes e só cessam quando o autor é capturado.
“Pode ser que este sujeito esteja se aproveitando do fim do ano letivo, que faz com que o trânsito de pessoas nas ruas seja menor. As universitárias que ficam na cidade são minoria, geralmente porque também trabalham, além de estudar”, analisa.
Por conta dos riscos, a PM informa que promove, periodicamente, palestras em universidades para alertar as jovens sobre como se prevenir e se comportar diante de uma abordagem.
“A primeira orientação é evitar locais ermos e, à noite, evitar caminhar na rua desacompanhada”, cita. Ao perceber a aproximação de uma pessoa suspeita, a melhor atitude é acionar a PM por meio do número 190 ou mesmo um parente ou amigo e solicitar ajuda.
‘Não ando mais sozinha’, diz jovem
“Estou morrendo de medo e não volto mais para casa sozinha”, diz uma jovem de 19 anos que já foi importunada pelo menos três vezes pelo homem que circula pelo Jardim Panorama de bicicleta e mochila preta. A primeira abordagem, segundo ela, teria ocorrido em abril deste ano e a última, na semana passada.
Em todas as ocasiões, o homem estaria com a genitália exposta e a teria perseguido, à distância. A jovem mora no mesmo prédio onde vive a vítima que foi abordada na última sexta-feira e faz a pé, todos os dias, o trajeto do trabalho de volta para casa.
“Tento fazer caminhos diferentes, mas ele também perambula pelas ruas do bairro. Acho que ele nunca chegou a me abordar porque sempre pedi ajuda de algum homem na rua. Era quando ele saía correndo”, comenta.
A vítima diz que chegou a acionar a Polícia Militar (PM), mas nunca registrou boletim de ocorrência. Para ela, o homem parece sofrer de alguma doença mental. “Apesar disso, a gente teme pela nossa vida. Agora, só volto para casa na companhia de um colega de trabalho”, completa.
