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O poder das palavras

Ismar Pereira
| Tempo de leitura: 2 min

Ao ouvir aquela frase, ele impediu que a porta se fechasse e voltou para dentro do elevador. Queria fazer perguntas, saber muito mais... Talvez estivesse para desvendar um "mistério", talvez estivesse prestes a salvar a vida de um grande amigo.

Tudo começou quando se encontraram na fila do elevador: ele, médico veterinário, por motivos profissionais ia até o oitavo andar; ela, cirurgiã-dentista e esposa de um grande amigo, ia para o seu consultório, localizado no décimo quinto. Enquanto aguardavam, ele perguntou pelo amigo, que estava "desaparecido". Ela explicou que o motivo do "sumiço" era o pior possível: doença. Uma doença tão insidiosa quanto misteriosa que mantinha o marido internado há um bom tempo. Baterias de exames e mesas-redondas com médicos famosos não resolveram o problema: o marido continuava na mesma. Que melhor: estava cada vez pior, com a situação se agravando dia a dia. Impressionado com o que acabara de ouvir o veterinário lamentou que o caso fosse tão grave. Afinal, o amigo era muito estimado e todos sentiam a sua ausência. As reuniões do clube de serviço a que ambos pertenciam já não eram iguais.

Havia uma tristeza no ar, já que o amigo era extremamente alegre, brincalhão e estava sempre de bem com a vida. A esposa concordou com as afirmações do amigo e, quando o elevador parou no oitavo andar, proferiu as palavras mágicas: "Lá em casa até os passarinhos estão tristes!" Ao ouvir a frase, o veterinário impediu que a porta se fechasse e retornou ao elevador. Talvez estivesse prestes a salvar a vida de um grande amigo.

Depois de fazer muitas perguntas, anotou o nome e o telefone dos médicos. Uma reunião foi marcada com urgência: alguns dias depois o paciente recebeu alta e voltou para casa, "são e salvo"!

Aí vem a pergunta: como uma frase tão simples foi tão decisiva para salvar uma vida?

Elementar, meu caro leitor! O paciente sofria de psitacose, doença infecciosa que ataca determinada espécie de pássaros e é transmissível ao homem. Daí a grande dificuldade dos médicos em diagnosticá-la. Para o médico veterinário as coisas foram menos complicadas. Ao ouvir aquelas palavras ele concluiu, acertadamente que a tristeza não era (apenas) pela ausência, mas porque as aves também estavam sofrendo da doença ? que certamente já haviam transmitido para o dono da casa.

Mas o incrível desta história (verídica) é o modo como tudo aconteceu. Como é possível uma simples frase salvar uma vida? Certamente graças à intervenção divina!

Em tempo: a todos os leitores, sinceros votos de Feliz Natal e 2014 repleto de conquistas e realizações, sempre com muita paz, saúde e alegria!

O autor, Ismar Pereira, é advogado aposentado e colaborador de "Opinião")

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