Quando não temos como fiscalizar eficazmente uma lei, é melhor não criá-la, pois acabará fatalmente desmoralizando o poder público. Eu, particularmente, vejo inúmeros veículos sem autorização/identificação parados nas vagas reservadas para deficientes e idosos e pouquíssimos desses veículos são multados. Para colocar um pouco mais de pimenta, afirmo mais: diversos veículos com identificação de idosos e deficientes não estão, na maior parte das vezes, sendo dirigidos por idosos/deficientes ou sequer estão transportando idosos/deficientes, ou seja, são familiares ou amigos usufruindo da benesse. De fato, mesmo as isenções de IPI e IPVA facultadas aos deficientes são, muitas vezes, usufruídas por familiares ou amigos. O segundo ponto é a justificativa para tal isenção. Como comparar a gravidade de uma cardiopatia mínima, como um prolapso de válvula mitral, com um câncer de intestino?
Por que um terá isenção e o outro não? Será que apenas pessoas menos favorecidas são portadoras de diabetes, cardiopatias ou estão gestantes? E para apimentar de vez a discussão: será que deficiência e idade são sinônimo de pobreza? Acho válido que idosos e deficientes tenham vagas localizadas estrategicamente pela limitação de locomoção que alguns possuem (vejam que eu disse alguns, porque temos inúmeros idosos mais saudáveis que muitos jovens e alguns deficientes sem qualquer limitação da capacidade de locomoção), mas isenção de estacionamento me parece mais um exagero dos chatíssimos politicamente corretos que estão deixando a vida cada vez mais chata com suas inúmeras regras.
Fernando Bilharinho