No ano passado, a taxa de mortalidade infantil na área do Departamento Regional de Saúde (DRS-6) de Bauru, que abrange 68 municípios, foi de 11,4 crianças mortas a cada mil nascidas vivas. Apesar de ter ficado abaixo da média do Estado (11,5), o índice aumentou em relação a 2011, quando o DRS-6 registrou taxa de 11,3. Em algumas cidades da região, o elevado número de mortes chama a atenção.
É o caso de Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru), onde a taxa de mortalidade infantil saltou de 7,9 em 2011 para 20,0 em 2012. Segundo a diretoria de Saúde da cidade, nos próximos dias, deverá ser agendada uma reunião com os responsáveis pelo setor de planejamento familiar para saber o que levou ao aumento do índice.
A pasta informou, porém, que, neste ano, já adotou algumas medidas para melhorar o atendimento na área de saúde, como a contratação de pediatras e ginecologistas e a ampliação do programa “Protegendo a Vida”. Por meio dele, as gestantes recebem orientações de especialistas sobre os cuidados durante e após a gestação.
Em Dois Córregos (73 quilômetros de Bauru), a taxa de mortalidade, que era de 21,5 em 2011, subiu para 31,7 no ano passado. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da prefeitura para obter informações sobre as mortes de crianças de até um ano na cidade, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
Em São Manuel (69 quilômetros de Bauru), o índice saltou de 7,8 em 2011 para 19,0 em 2012. O Executivo atribui o aumento expressivo no número de mortes aos desvios de verbas da saúde que, em 2012, resultaram na prisão de três diretores municipais e dois empresários pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Neste ano, a prefeitura conta que iniciou a construção de uma unidade de saúde na vila Ayres, no distrito de Aparecida, contratou médicos clínicos gerais para as unidades de saúde da família, além de ginecologistas e pediatras, entre outras especialidades, e zerou a lista de espera de gestantes que aguardavam para fazer exames de ultrassom.
Outras cidades que tiveram taxa de mortalidade infantil acima da média estadual foram Bariri (18,9), Boraceia (41,7), Cabrália Paulista (41,1), Iacanga (18,7), Lençóis Paulista (16,9), Paulistânia (37,0), Pirajuí (34,5) e Reginópolis (50,0). Esses dados, porém, devem ser analisados com certo cuidado.
Como a média é feita com base no total de mil crianças nascidas, municípios de pequeno porte, onde a quantidade de partos é muito pequena, acabam tendo a taxa de mortalidade infantil bastante elevada quando registram, por exemplo, apenas uma morte em todo o ano.
Destaques
Embora muitos municípios enfrentem problemas relacionados à área da saúde, alguns na região de Bauru registraram em 2012 índice de mortalidade infantil abaixo da média estadual, como Agudos (8,1), Areiópolis (7,6), Botucatu (8,9), Guaiçara (6,1), Itapuí (6,4), Jaú (8,5) e Macatuba (9,3). O destaque foi Piratininga (13 quilômetros de Bauru), que teve índice de 5,7, um dos menores na área do DRS-6.
A pesquisa
A taxa de mortalidade infantil (TMI) é o número de óbitos de crianças de até um ano de idade por mil nascidas vivas. Ela é um dos indicadores mais usados para aferir condições de saúde da população, em especial das crianças menores de um ano.
Em São Paulo, para o cálculo desse indicador, a Fundação Seade faz pesquisas junto aos Cartórios de Registro Civil de todo o Estado, em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde, que, por sua vez, repassa informações fornecidas pelas Secretarias Municipais de Saúde.
Segundo a pesquisa, as causas perinatais e as malformações congênitas representam 80% da mortalidade de menores de um ano e metade dos óbitos infantis ocorrem na primeira semana de vida. A média da taxa de mortalidade infantil no ano de 2012 é a menor registrada no Estado e uma das menores do Brasil e dos países da América Latina.