Cultura

Uma sexta 13 de sorte

Por Marcus Liborio | especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Camisas pretas, som ensurdecedor e muita atitude. O Jack Music Pub de Bauru foi cenário de um dia histórico para inúmeros fãs de heavy metal que acompanharam, cara a cara, o show pesado e “sujo” da banda Sepultura, na última sexta-feira 13 do ano.

Divulgação

Em nova turnê mundial, Sepultura se apresentou no Jack Music Pub, em Bauru, na última sexta-feira 13 do ano

Acostumados com grandes palcos e plateias extensas, Derrick, Andreas, Paulo, e Eloy pareceram não se importar com a proximidade entre o grupo e o público. “Há um tempo que a gente não tocava cara a cara assim com vocês. Bem legal”, exaltou Andreas Kisser ao público.

Como em um festival de amigos, os músicos subiram ao palco. Simples assim. O primeiro a entrar foi Eloy Casagrande. A galera mal começou a gritar e, num piscar de olhos, foi possível visualizar o restante da banda a postos para o grande momento. 

Com as mãos para o alto, Andreas cumprimentou o público, que nem teve tempo de retribuir a saudação. Após o aceno do guitarrista, a contagem nas baquetas de Eloy anunciava Trauma Of War, música que abre o novo álbum do Sepultura - The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart -, lançado em outubro deste ano. Um “bate-cabeça” se formou à frente do palco e, desde então, ninguém mais segurou os fãs.

Primeiro a falar com os fãs, o guitarrista Andreas Kisser não escondeu a adrenalina de tocar em Bauru. “Tem muita coisa boa ainda pra vocês”, prometeu e cumpriu com mais de uma hora e meia de show. Não demorou muito para que o vocalista norte-americano Derrick se soltasse no palco. Em vários momentos da apresentação, brincadeiras e risadas deram lugar à expressão sisuda e voraz que os fãs estão acostumados a ver. Um ponto alto do show foi durante a execução de Polícia, do Titãs. Mais rápida e pesada do que a original, a versão do Sepultura não deixou a desejar e arrancou euforia da galera.

Sexta 13

Anderson de Souza

Cara a cara, músicos e fãs compartilharam de uma noite pesada e histórica no Jack

Os mitos e superstições que envolvem a sexta-feira 13 fizeram ainda mais sentido quando somados ao show. Durante a apresentação, Andreas Kisser fez questão de exaltar a data e ainda brincou: ‘hoje é sexta 13... Acho que vale uma do Black Sabbath’, anunciou já puxando o clássico do grupo, que leva o mesmo nome da banda. Mas, para decepção de muitos, não passou da introdução.

Outro momento alto da apresentação foi quando a banda tocou Territory, primeiro single do álbum Chaos A.D., de 1993. Com a marcante introdução de bateria, Eloy Casagrande levou os fãs ao delírio. Para encerrar com chave de ouro, os músicos brindaram o público com a tão esperada Roots Bloody Roots, clássico de 1996.

Pode-se dizer, sem exagero, que o Jack veio abaixo nessa hora. Cada nota foi cultuada e exaltada com fervor pelos fãs. Ao final, com a expressão no rosto de missão cumprida, o quarteto deixou o palco. Já para os fãs, sem direito a bis, só restou ir embora. Mas uma coisa é certa: foi a sexta 13 mais pesada, intensa e histórica que já tiveram.


Set list do show

“Trauma Of War”

“The Vatican”

“Propaganda”

“Kairos”

“Impending Doom”

“Manipulation Of Tragedy”

“Convicted In Life”

“Dusted”

“The Age Of The Atheist”

“D.E.C.”

“Biotech Is Godzilla”

“Da Lama ao Caos”

“Innerself “

“Territory”

“Refuse/Resist”

“Arise”

“Ratamahata”

“Roots Bloody Roots”

 

Confira o clipe oficial de Roots Bloody Roots

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