O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse ontem que a espionagem é necessária para qualquer país do mundo, mas defendeu a regulação da atividade. Ele ainda disse sentir inveja do americano Barack Obama por poder fazer o monitoramento sem ser punido.
Questionado sobre a espionagem feita pela Agência de Segurança Nacional americana (NSA, em inglês), Putin disse que a vigilância é necessária para evitar o terrorismo, mas que deve ser regulada por “normas e regras estritas”.
“(A espionagem) sempre existiu. É uma das profissões mais antigas do mundo, ao lado de algumas outras. Não vamos enumerá-las. Não há tantas profissões tão antigas”, ironizou o presidente, que foi agente da KGB, o serviço secreto russo.
Para ele, a espionagem da NSA não deve ser motivo nem de alegria nem de arrependimento e que é um risco à privacidade, já que as agências não são capazes de processá-las por inteiro. O russo disse ainda ter inveja de seu colega americano, Barack Obama, de poder espionar e continuar impune.
“Sinto inveja. Invejo-o, já que ele pode fazer (escutas) e não vai acontecer nada.”
Snowden
Putin negou também que tenha interrogado o delator da espionagem americana, Edward Snowden, a quem concedeu asilo temporário em agosto. “Não trabalhamos com ele e nunca fizemos isso. E não fazemos perguntas a ele sobre o que fazem os serviços para os quais trabalhou no que diz respeito à Rússia”.
O presidente russo indicou também que nunca se encontrou com Snowden: “Não o conheço pessoalmente, nunca me reuni com ele. É um homem nobre, interessante, mas ele deve decidir seu futuro. Nisso, nem o ajudamos, nem o limitamos, simplesmente lhe demos asilo”.
“Não nego que não me é indiferente. Acho que graças a ele mudou muito na cabeça de milhões de pessoas, incluído nas dos maiores grandes dirigentes políticos da atualidade”, afirmou Putin.
Ártico
Putin também afirmou que deverá tomar medidas firmes para evitar que grupos ambientalistas interfiram na exploração de petróleo e outras atividades econômicas no Ártico.
Em entrevista coletiva, o mandatário acusou outros países de instruírem os 30 ativistas do Greenpeace que invadiram uma plataforma em setembro, mas não mencionou que nações teriam interesse em prejudicar a extração de petróleo.
Ex-magnata pode ser anistiado
Putin mostrou que na Rússia as coisas ocorrem como e quando ele quer. Ele anunciou ontem que decidiu anistiar o ex-magnata do petróleo Mikhail Khodorkovsky, preso há dez anos por lavagem de dinheiro, fraude e evasão fiscal.
Hoje com 50 anos, o empresário fez fortuna nos anos 90 ao adquirir a gigante do petróleo Yukos durante a privatização das estatais russas.
Foi acusado, durante o primeiro governo Putin, de lavar US$ 23,5 milhões (R$ 54 milhões) e roubar petróleo de poços estatais. Seu patrimônio já foi estimado em US$ 15 bilhões (R$ 34 bilhões).
Quando as autoridades o prenderam pela primeira vez, em 2003, Putin foi acusado de operar para punir um adversário, além de tentar intervir na economia para retomar o controle petrolífero. Dois anos depois, Khodorkovsky foi condenado -na época, Putin o chamou de “ladrão”.
O “perdão” de agora atende a uma estratégia de Putin para melhorar a imagem da Rússia no exterior, a dois meses dos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi, na costa do mar Negro.