O ex-magnata opositor russo Mikhail Khodorkovsky disse nesta sexta-feira (20), em Berlim, que pediu o indulto ao presidente Vladimir Putin para poder ficar com a família. Ele chegou à capital alemã após deixar mais cedo o campo de detenção de Segezha, no noroeste da Rússia, após cumprir dez anos de prisão.
O empresário foi condenado em 2003 por lavagem de dinheiro, evasão fiscal e fraude e deveria sair da prisão em agosto de 2014. A liberação antecipada foi anunciada ontem por Putin, que disse ter recebido um pedido da defesa do magnata, que até então havia negado.
Ao chegar na capital alemã, no entanto, Khodorkovsky confirmou que enviou em 12 de novembro uma carta a Putin para pedir o indulto por motivos familiares e disse estar contente com o resultado positivo.
Ele, porém, afirmou que não admitiu a culpa nem recebeu exigência para que fizesse isso. "O problema da admissão de culpa não foi levantado", disse o ex-magnata. "Estou muito ansioso para o momento em que eu vou abraçar meus entes queridos. Agradeço a oportunidade de celebrar as festas com a minha família".
Ele também revelou que o ex-ministro das Relações Exteriores alemão Hans-Dietrich Genscher participou das negociações nos bastidores com o governo russo, informação que foi confirmada pelo gabinete da chanceler Angela Merkel.
"Com a grande entrega e com o apoio da chanceler e do Ministério das Relações Exteriores conseguimos encontrar uma solução com sucesso", diz comunicado do gabinete da chefe de governo.
A mãe do ex-magnata, Marina, 79, disse ter ficado surpresa com a liberação. "É uma notícia tão agradável que vou precisar de tempo para assimilar. Estou em estado de choque. O que eu mais quero é abraçá-lo. Não sei ainda o que ele vai me dizer", afirmou, em entrevista no asilo onde está, em Moscou.