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Limites na celebração

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 4 min

Arquivo/João Rosan

Professora Ana Cristina Acosta ressalta que, em um ambiente de festa, o menos é mais

É dia de festa! Hora de esquecer as preocupações e se jogar na “farra” sem se importar tanto com convenções para desestressar. Certo? Quase.

Vale a diversão em festas com família, amigos e companheiros da empresa, vale descontrair e espairecer, mas é preciso cuidado para não se prejudicar, destruindo uma boa imagem profissional pelo exagero na bebida ou comida, verborragia ou comportamento constrangedor e inconveniente.

As bebidas, música e ambiente informal da festa muitas vezes representam uma armadilha e uma “escorregada” pode custar a promoção, não fechamento de novos negócios ou mesmo o emprego. Além, claro, de rompimentos familiares e afetivos. É desgaste certo na sua imagem.

Portanto, até festejar exige autoconhecimento e autocontrole para se impor limites, afirma a professora de ética e etiqueta da Universidade do Sagrado Coração, Ana Cristina Acosta.

“Quando nos conhecemos e somos equilibrados emocionalmente, temos maior domínio sobre os nossos atos e atitudes. Desta forma, num ambiente de festa, por mais descontraído que seja, é necessário mantermos o nosso ponto de equilíbrio em harmonia, a fim de que não ultrapassemos os nossos limites”, alerta.

Acosta explica que a medida correta para não “queimar o filme” é evitar os excessos, independentemente do local, evento, situação ou horário.

“Devemos lembrar que a roupa que uso, o meu comportamento e as minhas atitudes devem sempre ‘falar bem’ de mim. Por isso, é fundamental termos discernimento do que devemos ou não fazer, usar, falar, beber para que não comprometamos a nossa imagem pessoal e profissional”, pontua a professora.

Luz amarela

A especialista em ética e etiqueta explica que os excessos sempre prejudiciais e têm várias fontes, mas um roteiro com “personagens” conhecidos.

“Sempre existem alguns comportamentos que são comuns em pessoas que acabam ‘metendo os pés pelas mãos’. As pessoas que exageram pecam com relação ao que falam, ao excesso de bebida alcoólica, à sua vestimenta e, na maioria das vezes, perdem o bom senso com relação aquilo que devem ou não fazer”, analisa a professora. A consequência imediata, de acordo com Acosta, é o autoprejuízo da imagem e o afastamento de outras pessoas da sua convivência.

A professora ressalta que o autocontrole não deve significar ausência de diversão. “Claro que numa festa temos que nos descontrair e interagir com as pessoas”, pontua. Porém, reitera que é preciso atenção para não confundir a celebração com uma balada e dá dicas para não se comprometer.

“Comer e beber moderadamente; cuidar do seu visual: usar roupas e acessórios adequados para a ocasião; saber chegar e ir embora na hora certa; ir sozinho à festa se o convite foi individual; preservar a sua identidade, imagem e carreira”, lista Acosta.

A professora explica que é preciso manter-se atento para perceber quando atinge-se a “luz amarela”, perto de um limite que pode prejudicá-lo até para segurar os próprios impulsos.  “A luz amarela já é um sinal de que estou perto de me exceder, mas ainda há tempo de manter-me ‘intacto’ com relação aos outros e à minha imagem. Sempre que eu tiver alguma dúvida com relação a uma atitude, palavras ou gestos, eu devo ‘parar’, analisar o ambiente, as pessoas e dominar os meus impulsos, antes de cometer um erro que não terá volta. Acredito que num ambiente de festa, o menos é mais, sempre”, aconselha.


“Salvando” o amigo

Você está na confraternização de final de ano de sua empresa e percebe que seu amigo, que já está, digamos, um pouco alterado, acaba de ultrapassar o limite do bom senso e começa a se tornar inconveniente, causando embaraço aos outros convidados. Vale a pena dar um toque e tirá-lo desta situação? Acosta entende que sim. “Isso é importante e pode ‘salvar vidas’”, brinca.

“Caso verifique que alguém está passando dos limites e você tem certa proximidade com ele, vale chamá-lo de lado e fazê-lo perceber o quanto pode se prejudicar tomando tais atitudes. Creio que seja uma questão de consideração com o outro. Ajudar alguém, não importa a situação, é sempre um gesto de respeito e atenção para com o outro”, define.


Quando se é a vítima

A festa da empresa está rolando, todos já estão animados, alguns até mais que isso, e você, de repente, é pego como “vítima” de algum colega em uma conversa sem fim e desinteressante. Ou acaba de coadjuvante involuntário e a contragosto de alguém que bebeu demais e começa a dar um escândalo. E agora, como se desvencilhar desta situação sem cometer uma grosseria?

A professora de ética e etiqueta Ana Cristina Acosta admite que este é um momento complicado. “É uma situação muito delicada. Devemos zelar sempre pelo respeito ao próximo independente da situação ou características comportamentais”, lembra.

Porém, Acosta explica que é possível se desvencilhar de uma “saia justa” destas com educação e polidez. “Devemos, sim, com delicadeza, dizer o que não está nos agradando, ou até criar uma situação para que não sejamos monopolizados o tempo todo”, comenta.

“Temos que ter traquejo social, afinal de contas, convivemos com todos os tipos de pessoas para mantermos um relacionamento saudável e harmônico em sociedade, seja em casa, no trabalho ou num momento descontraído como as festas de confraternização de final de ano”, finaliza.


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