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Tanto a encontrar

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 1 min

"Os homens, por pressa, por medo de amar. Passaram por ela sem nada encontrar". Taí um trecho da música "Berço de Marcela", de Taiguara, do qual particularmente eu gosto. É intrigante: "passaram por ela sem nada encontrar". Por pressa? Por medo?

Quantas pessoas especiais estão à nossa volta e a gente, por pressa ou por medo, vê, mas não encontra? Ou nas palavras creditadas a Saramago: "É preciso andar muito para se alcançar o que está perto".

Humanos transbordam de possibilidades. É riqueza. Em pessoa. Nesse tempos corridos, contudo, deixamos de aproveitar o melhor do outro por puro desconhecimento. A música de Taiguara é de 1971, mas poderia ter sido composta hoje. A pressa está matando a percepção. E o medo do outro intimida as descobertas.

Relações rasas dão nisso: superficialidade. O bom mesmo é aprofundar com leveza, conhecer com honestidade, conviver pra valer. Tem muita gente boa por aí. E, nessa época do ano, não deixa de ser oportuno refletir sobre elas, eles e outros tantos.

Não se trata de olhar só para virtudes. Trata-se de valorizar qualidades alheias que, até hoje, não viram a luz da convivência. Abrir os olhos da alma para o que o outro tem de real é uma experiência saborosa, bem menos óbvia e piegas do que possa parecer.

Em certa medida, estamos na era da fofoca online, da quase irrefreável maledicência, de tolas maldades. Mas, como indica o "Samba da Bênção", de Vinicius, "a vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida".

É a vida: mesmo "torta", coloca alguém do bem no caminho. Se você não tiver pressa ou medo, vai encontrar.

O autor, João Pedro Feza, é editor executivo do JC

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