As religiões ensinam que devemos trabalhar em favor dos outros. Amar ao próximo como a si mesmo. As pessoas não amam a si mesmas, como podem amar o próximo?
Ainda estamos muito longe do amor verdadeiro. O que se vê no mundo é o bem por obrigação, pelo medo de ir para o inferno, é a vontade de ganhar alguns pontinhos diante da sociedade e de Deus.
Como alguém pode ser bom sem sentir amor? Como alguém pode dar aos outros o que não tem?
É por isso que a violência, a crueldade andam soltas no mundo. Por observação, muitos, a maioria, nossos conhecidos, vivem pregando o amor ao próximo, mas entregam-se à mesquinhez, à desonestidade. Por toda parte tenho visto o descaso com tudo que é de interesse público. Parece até que o que é da comunidade não é de ninguém. Pode ser destruído.
Isso é falta de amor. Essa é a maior chaga da humanidade. O amor pressupõe o capricho, o trabalho bem feito, o prazer de cooperar, o respeito pelo bem comum.
O governo não coopera.
Não é um problema do governo. É um problema de cada um.
O que realmente acontece na sociedade é reflexo do que vai dentro do coração das pessoas. Mas, todos pregam o bem e as boas ações. Desde a faculdade ouço falar nisso. Intelectualmente todos sabem, mas raros tentam fazer.
Nossa sociedade está doente e infeliz.
É difícil consertar isso?
Nada é difícil quando a vida quer. E ela trabalha para isso o tempo todo.
De que forma?
Fazendo cada pessoa colher os resultados de suas atitudes.
Se a violência e a crueldade refletem a falta de amor dos corações, a dor, as tragédias, as doenças são meios que a vida usa para sensibilizar, abrir as consciências e mostrar os verdadeiros valores.
As semelhanças das doenças do corpo físico cumpre-nos descobrir a faixa negativa e iniciar a terapêutica certa. Entretanto, em relação aos problemas da alma, as doutrinas cristãs oferecem-nos recursos bastantes para sermos nós mesmos os médicos competentes: isto é, diagnóstico seguro na base do tratamento eficaz, através da medicação inesquecível, instituída pelo mestre divino: amar o próximo como a nós mesmos.
Lembre-se e acredite: todo o bem que pudermos fazer, toda a ternura que pudermos dar a um ser humano, que o façamos neste momento, porque não passaremos, duas vezes, pelo mesmo caminho.
E Cristo disse no Evangelho: "A cada um será dado segundo suas obras. Estarão felizes se tiverem sido bons, e desgraçados se fizeram mal ao seu próximo".
Azis Neme