O governo da Índia informou ontem que pediu a transferência de sua diplomata Devyani Khobragade, vice-cônsul em Nova York e acusada pelos EUA de falsificar dados para obter visto de trabalho para sua empregada, para um cargo na missão do país nas Nações Unidas.
O pedido foi feito em carta enviada pelo embaixador indiano na ONU, Asoke Mukherji, ao secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon.
Com a transferência para a ONU, Khobragade, 39 anos, teria imunidade para não ser mais detida por autoridades americanas. No entanto, a mudança teria de ser aprovada pelo Departamento de Estado dos EUA.
A porta-voz do deprtamento, Jen Psaki, evitou dizer se a alteração do status diplomático de Khobragade encerraria o episódio, mas disse que “acusações anteriores” não deixariam de existir.
A diplomata foi presa no dia 13 e solta após pagar fiança de US$ 250 mil e ter seu passaporte retido. O caso surgiu quando a também indiana Sangeeta Richard, 42, empregada de Khobragade nos EUA, a acusou de tratá-la como escrava e fazê-la trabalhar de manhã à noite durante toda a semana, o que ela nega.
Segundo a Procuradoria de Nova York, para obter o visto de trabalho da empregada, a diplomata disse lhe pagar US$ 4.500 (R$ 10,7 mil); na verdade, Richard receberia apenas US$ 3 (R$ 7,14) por hora trabalhada. Se condenada, ela pode pegar até cinco anos de prisão por falsa declaração e até dez por fraude.
O caso revoltou os indianos porque Khobragade foi submetida a revista íntima e teve de se despir para os policiais. Para o procurador responsável, Preet Bharara, ela foi bem tratada.