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Novo Natal, velho problema: sem água

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

Vlademir Rodrigues, não acredita em Papai Noel. Para ele o bom velhinho decididamente não quer saber de visitar casa sem ter água para beber. Neste final de semana, o servidor público repete a sina de passar o quarto Natal seguido com falta d’ água em sua residência, drama também enfrentado por centenas de vizinhos no seu bairro, o Jardim Petrópolis. Na região Noroeste, as torneiras secas se tornaram drama há cerca de uma década, desde que o Poço Roosevelt I foi desativado por esgotamento de sua capacidade de vazão, em 1999.

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) reconhece o problema e também seu agravamento neste período de forte calor e de festas, onde famílias inteiras costumam receber visitas para a as confraternizações do nascimento de Jesus e da passagem do Ano Novo.

A geladeira da casa de Vlademir, garante, terá, graças ao esforço do trabalho, alimentos, doces e bebidas, mas falta o básico: água potável. “Posso encher a geladeira de cerveja e deixar a churrasqueira pronta. De que adianta? A frustração é enorme porque sem água eu não consigo nem limpar a casa, nem lavar louças, nem roupas e fica muito difícil. É um drama que a gente enfrenta o ano inteiro e que agora no Natal aumenta porque recebemos parentes”, comenta.

Para Rodrigues, só muita fé e reza para o menino Jesus podem mudar essa situação. “Olha, acho que precisa rezar mais para ver se o prefeito se sensibiliza. E rezar porque é muita falta de sorte também dos moradores dessa região. O poço antigo estourou faz tempo e dai o DAE perfurou o Roosevelt II. E o poço estourou justamente na véspera do Natal do ano passado. E agora nós continuamos com o mesmo problema. O DAE faz manobras (ações operacionais para levar água excedente de outra região para a Noroeste, mas a produção é muito baixa para toda essa região e o problema é gravíssimo por aqui”, conta.

O cidadão protesta; “Gastaram mais de R$ 5 milhões para uma pista de atletismo aqui na região. Esporte é necessário, mas sem água nem matar a sede a gente consome, imagina tomar banho. O poço do DAE foi anunciado que custa R$ 1,2 milhão e não se investe nisso com urgência. Enfrentamos esse problema há 20 anos, o tempo que eu moro aqui”.

Paulino Henrique Alves de Souza, morador na rua Santos Dumont, 14-72, reforça a dificuldade. “A região sempre foi problemática com água. Há 22 anos é assim. As obras de reforma do Pronto-Socorro que funcionava na Bela Vista também pararam porque o pedreiro não tem água para trabalhar. O atendimento no 0800 está congestionado e quando atende é muito difícil falar. Eu peço que a presidência do DAE possa ouvir as ligações e veja como as pessoas estão sendo tratadas. Falta orientação e há descaso. Eu estou recebendo parentes, como muitos dos meus vizinhos”, completa.  

Uma luz de Natal?

A diretora de produção do DAE, Talita Nuzzi, acenou com uma informação que pode aliviar os moradores de bairros como Jd. Bela Vista, Petrópolis, Roosevelt, Vânia Maria e 9 de Julho. O novo poço perfurado na região (chamado de Roosevelt III) está em fase de testes de vazão. A obra foi concluída na última sexta-feira.

“Este poço foi contratado para substituir o Roosevelt II, que infelizmente apresentou problemas de produção e está gerando apenas 70 mil litros/h, muito pouco para esta região. O planejamento do DAE contratou o Roosevelt III e estamos trabalhando para que os testes de vazão sejam concluídos ainda nesta segunda-feira. Se os parâmetros forem consolidados, vamos colocar o Roosevelt III em operação ainda a tempo de minimizar essa deficiência na região antes do Natal”, pondera a diretora.

Nuzzi enfatiza, entretanto, que a liberação do novo poço do DAE depende da conclusão dos testes. “Não podemos nos precipitar. Vamos realizar os testes de vazão e se tudo correr bem liberamos o poço. Com isso, o Roosevelt II será fechado porque a norma do DAEE para licenças exige que poços perfurados a distância de até 1,5 km não podem funcionar conjuntamente, porque estarão interferindo no mesmo sistema de abastecimento de água subterrânea. Mas serão 200 mil litros/hora, contra os atuais 70 mil litros/hora”, acrescenta.

Conforme a diretora, caminhões-pipa realizaram atendimento na região até as 22h do domingo. O JC encontrou o veículo operando na região do Jd. Petrópolis às 16h. Até este horário, oito viagens já haviam sido realizadas para minimizar a falta de água nos bairros da área Noroeste.

O DAE também realiza manobras (destinação de água excedente de outras regiões), mas elas são insuficientes para o volume de consumo. “Nós fazemos manobras do excedente do poço do Caic e também do Gasparini, mas esse excedente é incapaz de atender à população que enfrenta o desabastecimento.

A região Noroeste é a mais crítica de Bauru em abastecimento de água”, lembra Nuzzi.


Região do Geisel

O rompimento da adutora de seis polegadas da ligação do poço Marabá gerou deficiência no abastecimento para os reservatórios Santos Dumont e Geisel, secando as torneiras também naquela região no final de semana.

O rompimento da tubulação ocorreu na quadra 1 da avenida Luis Edmundo Carrijo Coube. Até ontem à noite, a equipe do DAE trabalhava para concluir o conserto da adutora. Em razão disso, Jardim Mary, Jardim Santos Dumont, Geisel e residencial Colonial tiveram limitação no abastecimento.


Atendimento na linha 0800

Muitos consumidores reclamaram, ontem, que não conseguiram ser atendidos pela linha 0800 do DAE, mesmo para a solicitação de caminhão-pipa. A diretoria da autarquia enfatiza que parte dessa dificuldade continua no fato de que os consumidores estão efetuando o contato através de telefone celular para o 0800-7710195. Este número não atende ligação de telefone celular.

Atenção: o consumidor que dispõe apenas de telefone celular em casa tem de ligar para o 3235-6140. O 0800 recebe ligações apenas de telefone fixo.

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