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Estrada-parque será nova rota para o litoral sul de SP

José Maria Tomazela
| Tempo de leitura: 2 min

Uma estrada-parque de 38 quilômetros, cuja construção foi autorizada pelo o governo estadual no Interior do Parque Estadual Carlos Botelho, entre São Miguel Arcanjo e Sete Barras, vai criar uma nova rota turística entre o planalto e o litoral sul paulista. O trecho transpõe a Serra das Macacas e vai se interligar à SP-139, rodovia de acesso às praias de Iguape, Ilha Comprida e Cananeia.

O tráfego, porém, será restrito e controlado. Por cortar uma unidade de conservação com Mata Atlântica, considerada sítio do patrimônio natural da humanidade pela Unesco, a prioridade no trânsito será dos animais.

A reserva, de 36,7 mil hectares, tem a maior população de mono-carvoeiro do Estado e outras espécies ameaçadas, como o bugio ruivo e a onça pintada. Os veículos vão rodar a uma velocidade máxima de 40 km por hora controlada por doze radares com câmeras ao longo do percurso.

Nos corredores de fauna, haverá redutores de velocidade e sinalização que obriga o usuário a parar se tiver algum bicho sobre a pista. A estrada terá oito passagens subterrâneas para a fauna terrestre e seis aéreas ligando árvores para serem usadas pelos primatas. A estrutura inclui um pronto-socorro para animais silvestres e o “samu-animal”, um serviço de emergência que levará os bichos eventualmente acidentados ao hospital veterinário do zoológico municipal de Sorocaba.

O projeto da estrada-parque teve a supervisão de um grupo de trabalho formado pelas secretarias estaduais e Transportes e Meio Ambiente. A empresa contratada pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) iniciou a montagem do canteiro de obras e, no dia 6 de janeiro, a rodovia será interditada para o início da pavimentação. No lugar do asfalto, serão usados bloquetes articulados que permitem a infiltração da água e reduzem a emissão de calor. Não serão permitidos veículos com cargas na estrada. O controle do acesso será feito nos portais de entrada e saída.

A estrada, em terra, existe desde a década de 1940 e é anterior à criação do parque. Durante a ditadura militar, foi usada como rota de fuga pelo revolucionário Carlos Lamarca. O caminho é percorrido por peregrinos que se dirigem ao santuário do Bom Jesus, em Iguape. Como parte do projeto da estrada-parque, já foram instalados quiosques, áreas para observação da natureza, mirante, trilhas de interpretação do ambiente e central de monitoria. A estrada-parque está inserida no projeto de ecoturismo na Mata Atlântica da Secretaria do Meio Ambiente.

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