Nélson Gonçalves |
|
|
Para o prefeito Rodrigo Agostinho, a cidade não tem como fugir de enfrentar a limitação no abastecimento com urgência |
A escassez no abastecimento exige a revisão do Plano Diretor (PD) de Bauru tendo a água como determinante de onde e como a cidade pode ou não continuar sendo ocupada e, por consequência, onde o adensamento tem de ser freado. A afirmação é do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).
Para ele, apesar dos investimentos do Departamento de Água e Esgoto (DAE) em perfurações de poços - como a terceira unidade na região do Parque Roosevelt/Vânia Maria, colocada em operação na véspera do Natal – a cidade já enfrenta esgotamento da capacidade de retirar água do subterrâneo. “O esgotamento é real e preocupante. E não dá mais para adiar isso. Temos sérios problemas com abastecimento. O DAE entregou o poço Roosevelt III, mas ele já veio para substituir o I e o II porque eles estão esgotados. Não há disponibilidade de água em várias regiões na mesma proporção da população que ocupa esses locais. O Plano Diretor tem de ser revisado urgente e passar a determinar que região não pode mais ser ocupada por falta d’água e que região isso ainda é possível”, conta.
Segundo Rodrigo, o novo Plano Diretor (PD) tem de trazer a divisão da ocupação da cidade, por regiões, de acordo com o estudo geológico e do estoque subterrâneo para cada setor. “Tem de setorizar de acordo com a disponibilidade de água. Nós entregamos três poços novos pelo DAE em 2013, mas isso não dá conta porque a cidade cresceu muito e a demanda é elevada. Ainda não estamos na mesma situação que Ribeirão Preto (SP), onde a cidade toda é abastecida só por água de poço profundo e lá o problema é gravíssimo. Mas em várias regiões já enfrentamos esgotamento aqui em Bauru”, acrescenta.
A mudança no PD, porém, depende do envio de projeto de lei do Executivo para a Câmara Municipal. O atual Plano Diretor foi revisado em 2005, durante a gestão Tuga Angerami. A atual legislação que dá as diretrizes de ocupação de solo menciona o abastecimento, mas não determina diretrizes de acordo com a disponibilidade ou não de água. No início do governo, o prefeito chegou a estipular regras para empreendedores para autorizar parcelamento do solo. Empreendedores passaram a se cotizar, em alguns casos, com o pagamento de uma espécie de outorga para que o DAE realizasse o investimento adicional em poço na região. Isso aconteceu, por exemplo, no empreendimento do Minha Casa Minha Vida no Octávio Rasi, com o poço sendo perfurado com dinheiro pago pela empreendedora.
Mas agora, sustenta Rodrigo, a questão será de proibição em alguns setores. “Em algumas regiões não adianta dinheiro para perfurar porque não tem mais água. Então o novo PD vai ter de impor essas restrições”, afirma. Segundo ele, o projeto de lei poderá ser submetido ao Legislativo assim que o DAE concluir o Plano Diretor de Água, contratado por licitação com investimento de cerca de R$ 1,5 milhão.
“A informação preliminar do estudo em relação ao rio Batalha por exemplo não é boa. Aponta que há espaço para ampliar a reservação, na região da cabeceira. Mas que o Batalha já atingiu o limite do que retiramos dele por hora para abastecer 40% da cidade”, conta. O Batalha hoje tem vazão máxima próximo de 600 mil litros/hora, no sistema ETA, no Jd. Ouro Verde.
Em outras regiões da cidade, a Norte e Noroeste, a decisão é mais drástica, segundo o prefeito. “Na região que vai da Bauru-Ipaussu até a Bauru-Iacanga, em toda essa área, onde está a maior Área de Proteção Ambiental (APA) municipal, a do Água Parada, a decisão será por utilizar o ribeirão Água Parada como futuro abastecimento de superfície ou não. Não tem meio termo. Ou direciona pra isso ou libera para ocupar e não tem como aproveitar o Água Parada”, cita. O Plano de Manejo que fez estudo da região, inclusive de espécies de fauna e flora, está pronto há meses.
Falta d’água
Durante o feriado de Natal, moradores da região do Vânia Maria, Jardim Petrópolis e 9 de Julho tiveram alívio com a chegada de água em razão do início da operação do poço Roosevelt III. Mas, apesar disso, muitos ainda não tiveram água nas torneiras.
José Ricardo continuou com a torneira seca no Petrópolis. Ele mora na quadra 1 das rua Mário Rossi. A rua fica mais ou menos no meio do caminho entre a divisão operacional do DAE para distribuição de água do Reservatório Enterrado e o Elevado, na região. “Apesar do DAE ter colocado esse poço em funcionamento na véspera do Natal, aqui em casa não chegou uma gota. É que eu estou, segundo o DAE, sendo abastecido pelo reservatório subterrâneo e a outra parte seria pelo reservatório elevado. Então o problema por aqui permanece em várias ruas e nos bairros próximos também”, menciona.
O morador conta que não tem água na rua Mário Rossi, esquina com a rua Eurico Aires Prado, onde não teria ocorrido problema de abastecimento. “Na rua vizinha tem, mas aqui em casa e em outras ruas não tem. Essa divisão aqui da distribuição da água entre os dois reservatórios continua deficitária na região”, cita.
Paulino Henrique Alves de Souza, morador da rua Santos Dumont, quadra 14, disse que a água continua fazendo falta em sua residência, assim como na de casas vizinhas.
Há no Colina Verde, no núcleo do Minha Casa Minha Vida, o abastecimento ficou prejudicado na noite de Natal. No facebook moradores reclamaram durante a tarde de ontem.
Por outro lado, o funcionamento do Poço Roosevelt III, com capacidade de produção de 200 mil litros/hora, levou água às ruas como a Antonio C. Praques e Rui Barbosa, no Jardim Gérson França. No bairro 9 de Julho, também já foi possível lavar roupas acumuladas, ontem.
Moradores de bairros como Jd. Bela Vista, Petrópolis, Roosevelt, Vânia Maria e 9 de Julho puderam ver a caixa d’água encher na véspera do Natal. Mas o problema ainda não soluciona a carência na região.
