Correr a São Silvestre é o sonho da maioria dos corredores amadores. A prova não é a mais longa (longe disso), sequer seja a mais difícil do Brasil, mas certamente é a que mais inspira os atletas que não têm na corrida sua profissão. Inúmeros bauruenses estarão em São Paulo nesta terça-feira para disputar a 89.ª edição da prova, que aconteceu pela primeira vez em 1925.
Aceituno Jr. |
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Cláudia Gomes de Aragão, 45 anos, treina na Getúlio Vargas para disputar sua segunda prova |
O médico Márcio Pedroso Miyahara, de 43 anos, vai para sua segunda São Silvestre seguida. “Disputar a prova em 2012 foi um sonho realizado. Quem pratica corrida de rua sempre quer estar lá um dia. Treinei bastante para competir no ano passado e consegui completar com um tempo de 1h40, mais ou menos na posição 12 mil entre 24 mil competidores”, explica.
Apesar de não ter participado da corrida quando esta acontecia no período da tarde – entre 1989 e 2011 – o bauruense aprovou o novo horário da prova, no período da manhã. “Eu gostei, e principalmente para a gente que mora no Interior é bom porque dá tempo de terminar a São Silvestre e voltar com calma para virar o ano com a família. Além disso, a maioria das corridas de rua são de manhã”, destaca Miyahara, que treina na Clínica Corpore.
Quem também esteve em São Paulo no último dia de 2012 e repetirá a dose neste ano é a supervisora de recursos humanos Cláudia Gomes de Aragão, de 45 anos. Em sua segunda São Silvestre, ela espera melhorar o desempenho obtido no ano passado, quando completou os 15 km em cerca de 1h40.
“O que me animou muito em 2012 foi o fato da prova ter acontecido de manhã, deu tempo de voltar para Bauru para passar a virada de ano. Desta vez vou competir mais uma vez, novamente com um grupo, treinamos juntos, é o Laboral Runner. Faz dois anos que eu estou treinando, e isso fez muito bem para minha vida pessoal”, ressalta Cláudia.
Sobre as características da prova, ela concorda que a etapa final é a mais complicada, em função da subida da Avenida Brigadeiro Luis Antônio. “Achei que não fosse conseguir terminar, é uma subida bem complicada. A prova é muito eclética, tem muita gente, de todos os tipos, acho que vale a pena participar”, relata a atleta.
Estreante
Por outro lado, o designer Luiz Carlos Santos vai competir a São Silvestre pela primeira vez nesta terça-feira. “O mais difícil é segurar a ansiedade, foram dois anos treinando para chegar até aqui. Todo mundo fala que é uma grande festa, eu espero realmente que seja algo bacana, para lavar e fechar o ano”, afirma Santos, de 43 anos.
Ele vem nos últimos tempos participando de provas de rua, como a meia-maratona de São Paulo (Circuito Athena). “Depois que comecei a correr, mudei meu estilo de vida. Pesava 117 kg, estou com 90 kg. Praticar exercícios físicos faz você mudar a postura, ter um planejamento a médio e longo prazo”, detalha.
Kits até amanhã
A organização da Corrida Internacional de São Silvestre faz a entrega dos kits oficiais aos inscritos até amanhã, das 9h às 16h, no Ginásio Geraldo José de Almeida, no Parque do Ibirapuera. A entrega dos kits começou na sexta-feira e prossegue até amanhã, mas não ocorrerá na terça-feira, dia da prova.
A largada da São Silvestre será na Avenida Paulista, altura da rua Frei Caneca, e a chegada acontecerá em frente ao prédio da Fundação Cásper Líbero, no número 900. A primeira largada para os 15 km será dos corredores cadeirantes, às 6h50 (de Brasília), e dos portadores de necessidades especiais, às 6h55. O pelotão de elite feminino terá a largada às 8h40. Logo em seguida, às 9h, é a vez do pelotão masculino, especial (masculino e feminino) e atletas em geral.
História
A prova leva o nome do santo do dia 31 de dezembro, Silvestre, que foi um Papa da Igreja Católica no Século IX. A primeira disputa foi em 1925, sempre com corridas acontecendo durante a virada de ano, no período da noite. Em 1989, a pedido da televisão, a prova passou para o período da tarde, e desde 2012, vem ocorrendo de manhã.
Até 1975, apenas os homens participavam da São Silvestre. A partir de então, as mulheres passaram a integrar a corrida, que tem como maior vencedor o queniano Paul Tergat, com cinco vitórias no masculino, enquanto a portuguesa Rosa Mota é a maior vencedora no feminino, com seis vitórias seguidas na década de 1980. O brasileiro com mais vitórias é Marílson Gomes dos Santos, que levou três vezes.
Por países, Quênia lidera no feminino com dez títulos, seguido de Portugal com sete e Brasil com cinco. No masculino, o Brasil possui 29, contra 13 do Quênia e seis da Bélgica. Contudo, os estrangeiros só começaram a disputar a São Silvestre em 1944.
