Regional

Região tem programas para auxílio à 3ª idade

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 9 min

O brasileiro vai viver mais. A constatação é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou recentemente pesquisa sobre o aumento da expectativa de vida. Numa curva ascendente, as previsões passaram de 73,4 para 74,6 anos, e deverá chegar aos 80 em 2041.  


Os fatores que propiciaram a longevidade são inúmeros, dentre eles os avanços tecnológicos da medicina, alimentação saudável, o crescimento econômico do País, acesso à água tratada e esgoto e a conscientização das famílias sobre os cuidados com a saúde.


Os idosos, até o ano passado, formavam uma comunidade de aproximadamente 21 milhões de brasileiros, segundo dados do IBGE. Esse número deverá atingir 32 milhões em 2025, estima a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ao atingir essa marca, o Brasil vai figurar em sexto lugar em número de pessoas com mais de 60 anos.


Especialistas advertem que o envelhecimento da população no País vai exigir reformas na previdência social. Afinal, em curto prazo haverá um aumento do número de aposentados e pensionistas e uma queda no índice de contribuintes para a previdência.


Atualmente, para cada 100 indivíduos em idade produtiva existem 46 dependentes, grande parte crianças. Existem projetos de reforma tramitando no Congresso. Para este ano, a expectativa é de que o rombo na previdência chegue a R$ 41,8 bilhões.


O envelhecimento dos cidadãos torna essenciais as políticas públicas focadas nesse público. Nas cidades da região, projetos voltados para aqueles que já atingiram a casa dos 60 são realidade, seja na área de saúde, social, esporte ou entretenimento.



Qualidade


Proporcionar qualidade de vida é a meta de muitas prefeituras. Em Macatuba, a administração municipal oferece cursos de crochê, macramê, treino de vôlei e coral, dentre outras atividades. No mês de outubro, dedicado a esse público, faz passeios e reúne idosos de outras cidades para que os moradores troquem experiências com eles.


Em Lins, além de várias ações voltadas para aqueles que já completaram 60 anos, há um Disque-Idoso, pelo qual os moradores anonimamente podem denunciar qualquer tipo de violação aos direitos dessas pessoas. Uma assistente social faz a visita e encaminha o caso para os órgãos competentes tomarem providências.


Em Lençóis Paulista, a turma da 3ª idade - ou da melhor idade - foi vice e agora campeã de vôlei masculino adaptado nos últimos jogos estaduais JAI (Jogos Abertos dos Idosos).  A ‘turminha’ também foi classificada no dominó. O município investe no bem-estar dessa população com foco no esporte.


Para aqueles que não praticam esporte com impacto, o município adotou um “primo” do Tai Chi, o Lian Gong, que é um verdadeiro remédio para combater o sedentarismo e ficar com a mente e o corpo em equilíbrio. Alguns praticantes deixaram de tomar medicamento para dormir e para algumas dores musculares, graças aos exercícios.  

 

Lins implanta o ‘Disque-Idoso’

Serviço coordenado pela Secretaria de Assistência Social recebe denúncias sobre negligência e violência doméstica

Na cidade de Lins, as transgressões aos direitos dos idosos não passam em branco. Através do disque idoso os moradores podem denunciar a negligência familiar, maus-tratos e até violência física. Para cada caso há um tipo de encaminhamento, explica a gerente de proteção especial da Secretaria Municipal de Assistência Social, Geisa Vasconcelos Lemos.


“O Disque-Idoso é uma ouvidoria que existe no município há três anos. O denunciante não precisa necessariamente se identificar, basta passar o problema. Temos um profissional assistente social que faz a busca ativa. Após visitar o idoso e a partir do diagnóstico, encaminha para a rede de serviços. A ouvidoria nos aponta caminhos para estabelecer as políticas públicas no campo da saúde, da assistência social e até na área de educação. Se o idoso está vivendo em situação de isolamento, se não estudou por exemplo”, explica Geisa.


Se o caso é de violência contra o idoso, ele é encaminhado para o centro de referência especializado de assistência social, órgão que atua na área de violação de direitos dos idosos no município. “Se for negligência aos cuidados com a saúde do idoso, o caso é encaminhado para a área de saúde.”



Além dos limites


De acordo com a gerente, quando o caso ultrapassa os limites das políticas públicas, o Ministério Público (MP) participa. “Em casos assim, o MP é acionado. Ele é que vai determinar ações específicas. Por exemplo, quando a família não adere a cuidar do idoso, uma responsabilidade dela, prevista em legislação.”


Em casos assim, a partir do estudo feito pela assistente social, a secretaria passa a trabalhar com a família. “Nós trabalhamos com a família no sentido de garantir que o idoso seja bem cuidado, deixe de ser negligenciado. Todo o esforço é feito nesse sentido, porque entendemos que o melhor lugar para o idoso ficar é junto de seus parentes.”


Há ainda os idosos que não têm mais família ou que o companheiro (a) está acamado. “Temos vários casos, um grande número de idosos que não têm filhos e estão sozinhos. Um cuidava do outro e de repente, um deles fica acamado. Nesses casos, estudamos as medidas de acolhimento para uma unidade, vulgarmente chamada de asilo. Essa é a última medida que o estatuto propõe e é a última que adotamos. Fazemos tudo para que o idoso continue a conviver com seus familiares inseridos na comunidade em que vivem”, relata Geisa.

 

Outros projetos

Na cidade de Lins há inúmeros projetos que beneficiam e oferecem mais qualidade de vida para aqueles que superaram os 60 anos. “Temos inúmeros projetos, tanto na área de assistência social quanto no esporte voltado para a pessoa idosa. Temos grupos de terceira idade dentro da Secretaria Esportes. Temos centro de referência de assistência social que trabalha com o idoso no território onde ele mora. O Centro Dia está programado para ser instalado no município no ano que vem. Temos os recursos para a construção dele”, relata a gerente de proteção especial da Secretaria Municipal de Assistência Social, Geisa Vasconcelos Lemos.

 

Semana do Idoso teve excursão


O mês de outubro é um dos mais esperados pelos idosos de Macatuba. No período dedicado a eles, o governo municipal realizou uma série de atividades esportivas e de lazer. “Na Semana do Idoso eles tiveram atividades diferentes todos os dias. Começou com uma caminhada junto com a secretaria da Saúde que mediu a pressão,” lembra o secretário Júnior.  


De acordo com ele, os idosos participaram de um piquenique no Centro de Lazer e viajaram para a Holambra para a feira de flores. “No encerramento, receberam idosos de Marília, Igaraçu do Tietê, Barra Bonita. Todas as atividades são gratuitas e eles ganharam camisetas para ficar uniformizados.”

 

Três anos em atividade

Nos três anos de atividade em Lins, o Disque-Idoso recebeu muitas denúncias de negligência, explica a gerente de proteção especial da Secretaria Municipal de Assistência Social, Geisa Vasconcelos Lemos.


“São casos de idosos que não estão recebendo os cuidados mínimos ou que vivem isolados, não participam da convivência familiar, não estão amparados com alimentação de qualidade ou que as necessidades de saúde não estão sendo supridas.”


Segundo Geisa, existe muito conflito familiar envolvendo esses temas. “Famílias que não querem cuidar do idoso. Mesmo entre aqueles que cuidam há conflito. Muitos usam a aposentadoria do idoso como renda. Há denúncias a respeito deste item no centro de referência.”


A violência física contra idosos também figura entre os vários atendimentos, ressalta a gerente. “Não são poucos casos. Percebemos que a violência física contra idosos está acontecendo em todas as classes sociais”, afirma Geisa.

 

Coral nasceu há três meses

Na cidade de Macatuba, são vários os projetos sociais, esportivos e na área de saúde que atendem a população idosa. O coral foi criado há três meses e fez a primeira apresentação no início de dezembro, no Centro Cultural. Para o professor de música Waldir Beteto Jr., cantar é um remédio para o corpo e para a alma.


“Começamos com o coral em setembro deste ano e contamos com uma média de 20 idosos com até 70 anos. O repertório é sertanejo e música popular brasileira. Os ensaios acontecem duas vezes por semana. Sinto no olhar e no sorriso deles uma satisfação imensa.”


Júnior ressalta que a música tem um poder extraordinário porque age ‘de dentro para fora’, libertando a pessoa dos problemas do cotidiano. “Funciona com uma terapia. Enquanto canta, a pessoa esquece seus problemas, se sente bem. É um alimento para a mente, o corpo e o espírito. Alivia o nervoso e as doenças. Age contra a solidão porque preenche esse espaço de uma forma harmoniosa.”


O secretário municipal de Assistência e de Desenvolvimento Social, Marcos Olivatto, é um entusiasta dos projetos voltados a essa população. “São cerca de 180 pessoas com idade acima de 60 anos atendidas pelos projetos. Temos parceria com a Secretaria do Esporte, que desenvolve as aulas do vôlei feminino e masculino. Os treinos são no Centro de Lazer do Trabalhador. Há também aulas de crochê e macramê desenvolvidas no centro de desenvolvimento social.”


Aqueles idosos que não conseguem sair da cama são atendidos pelo Programa de Saúde da Família, explica o secretário. “Estamos montando o Creas com uma equipe de proteção especial para atender os idosos.”


Para o próximo ano, o secretário anuncia a instalação do Centro de Convivência do Idoso. “Ganhamos um CCI. Vai melhorar o atendimento ao público idoso”, observa Olivatto.

 

Lençóis tem time campeão no JAI

Nos Jogos Abertos do Idoso, time masculino de vôlei  adaptado ficou com o primeiro lugar; treinamento é intenso

Em Lençóis Paulista, o esporte é prioridade para a população que superou os 60 anos, a se pautar pelos resultados obtidos nos Jogos Abertos do Idoso (JAI) evento encerrado dia 8 de dezembro em Santos (SP). O time de masculino vôlei adaptado, que era vice- campeão, ficou com a taça de 1º lugar. O time de dominó se classificou em 8º e o de buraco feminino, em 7º. A cidade ficou em 30º lugar entre os 204 municípios participantes.


Os times de vôlei adaptados, tanto o masculino quanto o feminino, são filiados à Associação Pró-Vôlei do Estado de São Paulo. Esses grupos treinam três vezes por semana no ginásio de esportes, segundo a diretora de assistência e promoção social, Elisabeth Portado Attanásio.


Ela enfatiza que em 2012 a cidade sediou os Jogos Regionais dos Idosos e muito provavelmente sediará o próximo em 2014. “É uma maneira de incentivá-los. Nossos times são bastante competitivos.”  Além dos jogos, Attanásio lembra que há a ginástica terapêutica que agrega qualidade de vida para aqueles que estão acima dos 60 anos. “Contratamos esse serviço por necessidade dessa parcela da população. Eles amam a atividade. É o terceiro ano. Tivemos que ampliar o atendimento. No início era apenas uma turma, atualmente são duas.”


Para quem atingiu a melhor idade sem saber escrever, a prefeitura oferece a alfabetização. “Esse público que está aprendendo a escrever é formado, em sua maioria, por pessoas de baixa renda. São alunos aplicados. É uma alfabetização informal. Para 2014 estamos programando um curso de alfabetização, uma parceria com a Secretaria de Educação.”


O centro de convivência da melhor idade é outro espaço disponibilizado para esse público. “Temos um espaço que acolhe uma recepção, duas salas de atendimento, cozinha, banheiro e um palco para apresentações. Durante toda a semana são desenvolvidos cursos voltados à terceira idade, em sua maioria para as mulheres”, detalha Attanásio.

 

 

 

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