Tem química! Ah, se tem! No pensar, falar, cor dos cabelos, fé e especialmente na felicidade. É a química explicando o mundo. Nunca experimente o crack: dá uma sensação indescritível de felicidade plena, pois aumenta-se muito a produção e liberação de dopamina no cérebro viciando de primeira.
As doenças e sentimentos ruins representam falta ou excesso de algum mediador químico. Os medicamentos mais vendidos são antidepressivos, ansiolíticos e todos aqueles que nos procuram devolver o bem estar, a plenitude ou inserção adequada no mundo!
Nas primeiras viagens pelo corpo uma das curiosidades era amamentação, prazer e fecundação! Lá estava a ocitocina. Henry Hallett Dale a detectou em 1906 no sangue durante as contrações do parto e nos períodos prévios da amamentação. No homem, por décadas foi considerada residual ou vestigial, tal como os mamilos. Em breve poderemos descobrir que mamilos no homem servem para alguma coisa!
Em 2013, o cientista e economista Paul Zak participou do ciclo de conferências “Fronteiras do Pensamento”. Conhecido como o criador da “neuroeconomia”, atua como professor da Universidade de Claremont nos EUA e escreveu o livro ”A Molécula da Moralidade”.
Intrigado, Zak queria saber de onde vinha o elevado grau de confiança entre os dinamarqueses e suíços que os levaram a um elevado índice de prosperidade e desempenho econômico. Por que o contrário ocorria entre os desconfiados colombianos e brasileiros que não apresentavam uma grande prosperidade e desempenho econômicos prolongados!
O que faz alguém se apresentar como confiável e amigo, enquanto outro estimula desconfiança? De onde vem a empatia? São características importantes no comercio exterior e determina desempenho e prosperidade. Desconfiou que poderia ser o nível de ocitocina no sangue das pessoas, especialmente dos agentes econômicos. Incrível, sua teoria estava certa! Paul Zak montou então um centro de pesquisas de “neuroeconomia” no qual procura identificar quais os hormônios e outros produtos químicos determinantes na compra e venda e como influenciam na economia de cada país.
A ocitocina produzida no hipotálamo, levada em vesículas para a hipófise, é liberada no sangue, estimulando sentimentos que podem ajudar a entender a origem do bem e do mal, assim como os critérios de moralidade. Ela inibe o estresse e aumenta a liberação da dopamina e serotonina que nos deixam felizes. Quando se faz o bem, como um abraço, o cérebro libera ocitocina e nos leva a ter compaixão, ser solidário e amar o próximo.
O ovário também produz ocitocina e estimula as contrações uterinas para levar o esperma até o óvulo. No parto, promove as contrações uterinas e, na sucção, induz a ejeção do leite nas glândulas mamárias. O estímulo às contrações do orgasmo fez a ocitocina ser chamada de “hormônio do amor”. Homens quando inalaram ocitocina nos estudos da Universidade de Bonn tenderam a ficar mais distantes das mulheres atraentes e foi também chamada de “hormônio da fidelidade”.
A ocitocina deixa as pessoas mais extrovertidas: em spray ou sublingual, pesquisa na Universidade de Concórdia, no Canadá, revelou que facilita as relações sociais dos tímidos. Da pesquisa participaram 100 pessoas normais de 18 e 35 anos; após 90 minutos se sentiram mais confiantes e altruístas.
Em um dos experimentos, Paul Zak abraçava os que encontrava, em vez de apenas cumprimentar as pessoas com as mãos. As pessoas passaram a ter conversas e tratativas mais produtivas: negociava-se mais, a confiança aumentava. O abraço deixa as pessoas a vontade e aumenta a ocitocina no sangue, elevando a empatia, satisfação e confiança. Paul Zak recebeu apelido de Dr. Love pelas suas comprovações e ganhou o título de um dos 50 cientistas mais sexys do mundo.
Os sem humor e graça já o acusaram de manipulador profissional, mas somos manipulados o tempo todo. Mulher, marido, filhos e amigos não se manipulam com suas chantagens e convencimentos? E a publicidade? Convencer e agradar pode ser pejorativamente chamados de manipulação, mas é relação social legítima e própria da espécie. É química pura! Sim, temos hormônios da felicidade e do amor! Se tiver faltando, que nos vendam e tomemos!
Neste ano novo desejo muita ocitocina diretamente no sangue para que sejam amorosos, sensuais e simpáticos! Que a alegria derrame grandes quantidades de ocitocina em seu corpo: aproveite, seja feliz!