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Rojões são o drama dos pets na passagem do ano

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 5 min

Um dos motivos pelos quais os seres humanos começaram a criar cães, lá atrás, bem antigamente, e a domesticá-los é seu ouvido afiado. Ouvidos capazes de avisar quando uma raposa se aproximava do galinheiro, mantendo os ovos intactos; capazes de identificar a presença de intrusos numa propriedade a quilômetros de distância, só pelo barulho das patas do cavalo (isso nos tempos em que nem se pensava que seriam inventados os motores).

 

Renan Casal

Brisa costuma disputar espaço com os outros: isso ajuda a desviar a atenção do barulho

Isso é fato. Ninguém tem dúvidas do quanto a audição de um cão (e mesmo de um gato) é mais apurada que a do ser humano. Então, imagine o som de um rojão multiplicado. Ou como se estivesse sendo estourado bem do lado do seu tímpano. Pois é o que vai ocorrer com eles na noite de hoje. Os fogos da passagem serão uma tortura. E, por consequência, para os donos também. Afinal, além do barulho dos fogos, haverá também o latido dos bichinhos. Muitas vezes latidões. E os medrosos e assustados ainda puxam o coro dos que não têm medo. Durma-se com um barulho desses! Literalmente não dá!



Da cidade grande


Este é o segundo ano que Nádia Ávila recebe a pet  Nina e sua filha Cookie, ambas são lhasa-apso,  para passar as férias de verão em Bauru. Enquanto as donas delas, Luiza Carvalho e Ju Machado, vão viajar, uma com o namorado na praia, outra com a família da mãe em apartamento onde não comporta cachorrinho, cabe a Nádia hospedá-las. Ela já era escolada com uma pastora alemã que teve durante anos: “Nunca vi tão medrosa”, diz ela. O marido de Nádia completa: “Era enorme, e nessas noites cabia como um bolinho, como um ursinho no colo da gente de tanto que ela se encolhia de medo”, diz Borges Carvalho.

 

Minimizar o barulho


Para a sorte de Nina e Cookie, Nádia está sabendo driblar o medo das duas pelos rojões. “Elas ficam apavoradas, até mesmo com bombinhas que os meninos estouram aqui na rua”, diz a culinarista e redatora, que mora na Vila Falcão, numa rua onde os meninos ainda brincam de bola, de soltar pipa, andam de bicicleta e soltam bombinhas. Nádia usa com elas a técnica que o veterinário indicou para a pastora: “Trancar a casa e minimizar ao máximo o barulho. Fechamos tudo. Quando eles começam com os estouros, já estamos com as portas e janelas trancadas. Mas daí, quem aguenta com este calor? Tanto que elas já ficaram empipocadas e tiveram que ser tosadas”.


Cães entretidos, desviar o foco


Beatriz Lopes, dona de pet shop e proprietária de quatro pets de pequeno porte, das raças lhasa e maltês, lembra que há os que não dão a mínima para o barulho e ficam tranquilos durante a queima de fogos; há os que entram em pânico e chegam a se machucar e machucar os outros, e há a faixa em que se encontra a maioria: se assusta, procura um esconderijo e, mesmo com medo, esse animal não causa danos maiores.  Muitos dentro dessa faixa, no entanto, apresentam tremedeira, urinam por medo e procuram onde se esconder.


A técnica dela é a que a maioria dos veterinários indica: entreter os cães. Não deixar que eles associem fogos, barulhos a algo traumático, desviar a atenção. O que no caso dos quatro não é difícil. Até porque existe sempre um mais “ranheta” do que outro.


A cadelinha Brisa, por exemplo, é mais briguenta, então é desviar o foco do barulho, disputando com ela seu brinquedo, que ela não gosta de dividir com a parceira Bebel e menos ainda com os machos Radesh e Joca. Daí todos ficam preocupados com a disputa do brinquedo e menos com os fogos. Também em dia de jogos, por exemplo, e nas festas, há sempre  uma situação prazerosa, brincadeiras, elas ficam soltas e participam da algazarra da casa e, com isso, o estresse pelo barulho passa rápido.

 

Medicamentos em último caso


Para os cães e gatos que têm verdadeiro pânico, existem medicamentos específicos, a maioria deles baseados em homeopatia ou até naturais como florais. Há também quem recorra à acupuntura. Mas só um profissional pode indicar, e o resultado vem a médio prazo. Por isso, considere a possibilidade de começar um tratamento agora, para não ter uma Copa do Mundo traumática. Afora isso, a outra solução é a indicada por um amigo engenheiro e que às vezes dá certo: “Rezo muito, para cair um verdadeiro dilúvio, que apague todos os rojões”, diz Pedro Israel Novaes.


 

•Nada de coleiras, evite armadilhas


Essa é uma situação importante: não prender os cães mais agitados e os mais suscetíveis aos barulhos. Nada de coleira. Na tentativa de correr, fugir do estímulo sonoro, muitos podem acabar se enforcando. É o que faz Beatriz, especialmente quando sai de casa em noites de festa. Deixa-os todos juntos, em locais onde possam correr, mas sem se machucar. Evitar armadilhas, locais onde eles possam subir e depois não consigam descer é fundamental (veja dicas acima).


•Nada de agradar


Um ponto comum entre todos os veterinários é não reforçar o medo dos cães. Quando acontecer a primeira vez de eles ouvirem o rojão e correrem, se esconderem, nada de ir atrás deles ou abraçá-los, agradá-los.  Brincar é uma coisa, desviar a atenção também, pegar no colo é outra. Esse pedido de conforto vira uma forma de resgate. Vão querer sempre colinho. Uma espécie de muleta.  


•Gatos: recomendações


Gatos precisam de alguns cuidados extras. Como escolher um quarto da casa que tenha um armário para ser o local deles no Réveillon. Abra uma ou duas portas e coloque cobertores para forrar e formar tocas confortáveis. Embaixo das camas, coloque também panos formando tocas. Além de fechar as janelas, se houver cortinas, encoste um colchão, vai servir para abafar o barulho e evitar que eles escalem a cortina. Água, comida e caixinha de areia podem ficar distribuídas pelo quarto nos cantos.

 

 

 

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