Os rancheiros de Boraceia já haviam reclamado da poluição e das consequências da falta de cuidados dos responsáveis. Muitos deles perderam a chance de alugar o espaço para as festas de final de ano. Aqueles que arriscaram, tiveram que devolver o dinheiro porque o odor é insuportável e nenhuma família quer fazer festa em um local fétido.
Moradores, visitantes e comerciantes reclamam da situação. Aparecida Daniela Parra, 34 anos, é moradora de Jaú e foi passar as festas de final de ano na casa do pai em Boraceia. Ficou decepcionada.
“Em Jaú o ar é outro. Aqui tem um ar fétido, um cheiro de fezes insuportável que nos obriga a tapar o nariz. Incomoda bastante no momento de dormir quando a casa é fechada. O odor fica preso e não há quem aguente.”
O pai dela, Antonio Aparecido Parra, 61 anos, diz que mudou de Jaú para Boraceia há quatro anos. “A água nunca foi tão limpa, mas não tinha um cheiro tão acentuado. Na hora que o vento bate na direção das casas, fica insuportável.”
Marco Masselko, 42 anos, nasceu em Boraceia, frequentou o rio Tietê quando criança e considera preocupante a situação. Ele tem duas filhas menores e acha que a saúde pública deveria verificar o que está ocorrendo, uma vez que as nuvens de mosquitos, ainda não identificados, invadem as casas na mesma velocidade que o odor. “Fecho as janelas, mas pouco adianta.”