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Herança econômica para 2014: mais inflação e menos crescimento

Jorge Alves Martins Jr. e Carlos Sette
| Tempo de leitura: 2 min

Segundo as fontes do governo, as previsões de crescimento da economia para 2014 estão em torno de 2%, inferior à previsão de 2013 no mesmo período. A incerteza sobre o futuro e a queda de rentabilidade vêm tirando do empresário a paixão pelo risco. As empresas estão investindo menos e preservando os recursos em caixa, a confiança do setor está em baixa e aquelas que possuem preponderância de pontos fortes aguardam o cenário melhorar para se desenvolver. Entre os poucos investimentos recomendados estão as áreas de desenvolvimento de produtos (P&D) e marketing, cujo objetivo é de atender a sofisticação cada vez maior dos hábitos dos consumidores e assim abrir novos mercados.

Por outro lado, a sazonalidade no mercado externo está cada vez mais influente na economia brasileira, neste ano as principais "commodities" sofreram alterações drásticas em sua origem de preço e o resultado disso foi um ano de vasto prejuízo ao fabricante, com inúmeros reflexos de inflação para o consumidor final.

A possibilidade de uma mudança na política de estímulos monetários nos EUA poderá trazer sérias consequências à moeda brasileira se comparada à moeda americana, havendo grande desvalorização do Real frente ao Dólar. A combinação desse fato, com o rebaixamento da classificação de risco da dívida brasileira, poderá ocasionar um terremoto no país. Todo esse risco acontece pois existem inúmeros desequilíbrios em nossas contas públicas, além dos juros e inflação altos.

O aumento abusivo de preços dos combustíveis, do papel e do trigo em 2013 impactou no crescimento econômico, nos custos para as empresas e na formação dos preços, com matérias-primas oscilando em torno de 70% à mais fica impossível de se manter o mesmo preço de venda e, consequentemente, o resultado torna-se visível na queda de venda (produtividade afetada) ou na conta da população.

As empresas devem repensar suas estratégias de mercado e iniciar um novo plano de ação, caso contrário teremos uma economia crítica e defasada igual à de 2013, ou pior.

Por ora, sem mais especulações: ou o governo Dilma retoma os fundamentos principais da economia e controla a inflação na fonte (incentivos, redução de juros no BNDES para setores específicos, isenção temporária ou redução de tributos para setores em declínio) ou veremos um novo fracasso de sua política econômica, sob o risco de sermos notícia no mundo assim como hoje citamos a Europa: crise no mercado, crise na fábrica e crise no bolso de cada cidadão. Há tempestade no ar!

Os autores, Jorge Alves Martins Jr. é economista com MBA em Finanças e Carlos Sette é economista, diretor de empresas

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