Há bem pouco tempo foi editada nesta coluna uma matéria sobre os aposentados e o leitor desqualificou a figura Lula e a presidenta, sobrando até para o Partido dos Trabalhadores e ao mesmo tempo rasgando seda para o senador Paulo Paim, do PT, como se fossem os responsáveis pela desgraça dos aposentados brasileiros.
Uma matéria muito pobre com ranço ideológico profundo, próprio daqueles que desconhecem a problemática de uma previdência instituída na década de 60, que serve a dois senhores, trabalhadores urbanos e rurais, que bem ou mal se encontram protegidos por um regime social mal pensado, que precisa ser repensado ao decorrer do tempo. Essa previdência da galinha de ovos de ouro que gerou a indústria da fraude, uma engenharia produzida por maus advogados, maus agentes público, escritório de contabilidade, significa que a bactéria da corrupção está presente nas artérias da sociedade, tanto que nem garçom de pizzaria está livre dessa maldição através das gorjetas para obter-se privilégio no atendimento, comportamento esse que deixa uma parcela da população estarrecida com tanta hipocrisia.
Pois bem, para desgraça maior vem o sr. Fernando Henrique Cardoso e tira a equivalência do salário mínimo como referência de reajuste do povo aposentado e o chama de vagabundo. Mas esse assunto ainda vai dar pano pra manga, esta aí a proposta 85/95 na ordem do dia, na qual está se construindo um consenso em torno dela, envolvendo as centrais sindicais, governo e Congresso. Há quem diga que será uma saída para futuros aposentados e para o caixa da previdência, então, não é a presidente que vai resolver esse dilema, mas sim o Congresso Nacional, isso é racionalidade de análise que envolve gerações futuras, é uma questão que não pode ser a toque de caixa, como muitos querem e muitos que se deixam levar pelos formadores de opinião irresponsáveis, frutos de uma sociedade imediatista sem compromisso com o futuro.
Cidadão de sã consciência percebe que esse imbróglio encontra-se também no mundo desenvolvido como a Itália, Portugal, Espanha, França. Trabalhadores estão indo às ruas em defesa da garantia de uma aposentadoria digna, portanto, não é privilégio somente dos aposentados brasileiros. E o leitor, equivocadamente, fecha sua matéria com a palavra de ordem "Vamos mostrar nossa força nas ruas". Esse cidadão não está contribuindo, pois é mais fácil jogar lenha na fogueira do que esclarecer fatos concretos com coerência, responsabilidade.
Gercio Bento