O presidente uruguaio, José Mujica, disse que o Brasil financiará 80% de um novo porto submarino que deve driblar os esforços argentinos de controlar a passagem de produtos no Atlântico Sul.
Mujica disse ao jornal "República", numa entrevista publicada nesta terça-feira (31), que a construção do porto deve começar daqui a um ano. O projeto, que custará US$ 500 milhões, será instalado em Rocha, no Uruguai. O Brasil pagará pela maior parte dele, por meio do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul.
"O Brasil está dando e dará uma grande mão com esse trabalho", disse Mujica. "O Uruguai não tem a capacidade de financiar isso sozinho, e depende por enquanto de ajuda externa". O vice-presidente Danilo Astori disse que o porto subterrâneo deve libertar a indústria de logística uruguaia das políticas protecionistas argentinas.
Em outubro, o Ministério da Economia argentino começou a recusar todos os navios de carga que paravam em portos uruguaios ao viajar pelos países sul-americanos, visando promover os portos argentinos e pressionar o Uruguai a abrir concessões nas negociações de um novo acordo logístico do Mercosul.
Os portos de Buenos Aires e de Montevidéu competem há séculos para dominar a logística da região, mas o último decreto elevou os custos para fazer negócios nos dois países.
Uma empresa de contêineres de Montevidéu, a Katoen Natie, anunciou 500 demissões em dezembro, e a Câmara de Comércio argentina pediu que o ministério levantasse a proibição pois as empresas de importação e exportação argentinas se viam forçadas a parar nos portos brasileiros.
O porto submarino de Rocha, que terá conexões ferroviárias com um novo projeto de mineração de ferro no norte do Uruguai e com as indústrias do sul do Brasil, trará "uma transformação revolucionária para o Uruguai, se finalmente conseguirmos", disse o vice-presidente. "Ele não vai neutralizar a influência da Argentina sobre o Uruguai, mas em termos de logística deve mudar completamente".