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Ano Novo pede ações de cidadania

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 4 min

Bauru está crescendo, Bauru está mais bonita, Bauru se desenvolve. Bauru está até ficando uma cidade cara para se viver e refinada. Um exemplo: na véspera do Natal, um bolo para a ceia, de bem-casado com amêndoas portuguesas, foi vendido na Galeria dos Pães, nos Jardins, bairro nobre em São Paulo, a R$ 33,00. Em Bauru, numa padaria próxima ao Santa Edwirges, um bolo de leite ninho com damasco era vendido a R$ 30,00 o quilo. Estamos nos igualando aos melhores lugares do mundo. Pelo menos em preço.

 

Douglas Reis

Lixo é um dos problemas que estão na nossa porta

Mas estamos também tendo os problemas das grandes metrópoles. E esperamos do poder público a solução para tudo. Não é bem assim. Está na hora de, em alguns casos, arregaçarmos as mangas. Termos um choque de cidadania. Fazermos pela gente, pelos outros, aquilo que gostaríamos de ter. E não se trata de filantropia, de caridade. Neste ponto, parece-me que o bauruense é bem servido. Somos generosos e nossas entidades, se não estão melhores, vão bem, obrigada. O bauruense é solidário. Se une na tragédia. Mas precisa agora ter mais ações pontuais de cidadania.

No trânsito, o medo

Motociclistas que não respeitam o trânsito, pedestres que não respeitam faixas e não usam passarelas em rodovias, gente que reclama de falta de “tartarugas” para diminuir a velocidade, motoristas que reclamam que há lombadas demais, sinaleiros exagerados e por isso o trânsito não flui.  O resultado é recorde de atropelamentos, acidentes e as estatísticas de morte aumentando.  Se as pessoas não respeitarem as sinalizações, se os motociclistas não forem menos afoitos, com certeza, de nada adiantarão as ações públicas. A melhor mudança é aquela que o homem faz. De dentro para fora.


Nos EUA, todo mundo sabe, o pedestre é respeitadíssimo. Primeiro o ser humano. Depois a máquina. Na Suíça, em Genebra, há nas grandes avenidas, semáforos em todos os cruzamentos. Propositadamente. Para obrigar os cidadãos a deixar os carros em casa e tomar o transporte público, ou a andar a pé, de bicicleta e patins. Isso mesmo! E sim, eles não gostam como nós de parar (sem falar que o consumo é maior) em todo cruzamento, como nós na Rodrigues Alves. Mas eles têm bons transportes. Nós não  chegamos lá ainda. Ainda. Mas não precisamos transformar as vias alternativas em pistas de corrida (como acontece na Nuno de Assis), nem deixar de atravessar as ruas na faixa de pedestre, não é mesmo? Simples assim. Isso se chama cidadania.

Lixo pelas ruas, a solução em suas mãos

Há que se reconhecer: moramos numa cidade suja… Tudo bem, há mutirões, contra a dengue, campanha para retirada de lixo, problemas de coleta por conta da urbanização. Mas, por mais que o poder público faça sua parte, se não houver consciência do morador este problema não vai acabar. Nas ruas Santo Antonio, Praça dos Expedicionários e Inácio Conceição Vieira, vários flagrantes foram feitos pela reportagem no último dia do ano de 2013. Uma constante de norte a sul e de leste a oeste. Bauru está uma cidade suja. Se não houver um choque de cidadania, investimento em educação, se as pessoas não se conscientizarem de que o lugar do lixo é no lixo, a cena irá se repetir. Ad eternum. Dá para o cidadão começar a agir já, agora. (DK)

Os “nóias” pelas calçadas

“Ai, credo vó, são os nóias”, diz a netinha Catarina, de 7 anos, para a avó. Ela aponta para um rapaz que  aborda o carro no cruzamento, a esmolar. Tem cara visível de drogado, vítima da “paranoia” que cunhou o termo moderno. Outros dois ficam ali próximos como se esperassem para dar o bote. A avó trata de acelerar. Em outro ponto da cidade, as pessoas desviam de um deles, que dorme na rua. Não, não temos ainda a nossa cracolândia. Mas nas principais ruas do centro da cidade (e nos bairros mais importantes também) há uma situação de conflito, de perigo, ninguém pode mais sair sozinho. Cada um é invadido pelo medo de ser tomado de assalto. Há o estigma, a criminalidade decorrente dos usuários de crack, muitos meninos e meninas em situação degradante, muitos servindo ao crime e à prostituição. É preciso mais do que medidas paliativas. Não basta recolher. Não há abrigos suficientes para todos. Não dá certo punir. E agora, José?


 

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