Esportes

MMA: duelo polêmico


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Tramita nas comissões da Câmara dos Deputados projeto de lei que tem como objetivo proibir a exibição de lutas de artes marciais não olímpicas, em emissoras de televisão aberta ou fechada no Brasil. O principal alvo são os combates de artes marciais mistas, o MMA. Apesar de já estar há algum tempo na Casa, o assunto ganhou força nesta semana, após a fratura de Anderson Silva, transmitida ao vivo para todo o País.


O projeto foi discutido em 2013, e prevê multa de R$ 150 mil à emissora que descumprir a lei, caso seja aprovada – o que não há prazo para acontecer. O valor dobraria se houver reincidência e chegaria até a cassação da concessão pública do canal. O projeto, de autoria do deputado federal José Mentor (PT-SP), entretanto, prevê que modalidades não olímpicas consideradas não violentas fiquem fora da lei, como a capoeira.


Em entrevista à Agência Brasil, Mentor defende o projeto, por entender que o MMA estimularia a violência. “É importante tirar essa luta da TV, porque a única lição que ela propagandeia é a violência. São golpes violentos, joelhadas, golpes violentos no rosto e onde o sangue é o suor, como dizem aqueles que gostam do MMA”, diz. “Pesquisas feitas no Exterior mostram que a TV influencia a juventude. Antes (do MMA) você via briga de escola, mas não via joelhada no estômago como há hoje”, afirma.


Sem censura


O deputado nega que o projeto seja censura e compara a exibição de lutas violentas a veiculação de propagandas de cigarro - proibidas em revistas, jornais, outdoors, televisão e rádios desde o ano 2000.


O projeto, neste momento, encontra-se na Comissão de Ciência e Tecnologia do Congresso. Em declarações nesta semana, após a luta do UFC 168, onde Anderson Silva fraturou a perna, José Mentor aumentou o tom de seu discurso, chegando a dizer que MMA não é esporte. “Arte marcial tem uma filosofia, MMA é agressão”, disparou o deputado.


O outro lado


Para Elísio Cardoso Macambira, presidente da Confederação Brasileira de Artes Marciais Mistas (CBMMA), o MMA deve ser sim encarado como uma modalidade esportiva. “O praticante é um superatleta. Tem um treinamento muito rígido, de 12 horas por dia, adquire músculos. Quando entra para lutar, ele tem condições de aguentar os golpes do adversário”, explica.


O dirigente acrescenta ainda que golpes na nuca e na genitália são vetados, e que atualmente cerca de 1 milhão de pessoas praticam as artes marciais mistas no Brasil. A proposta apresentada por José Mentor ganhou a resistência de alguns colegas de Parlamento, como o ex-pugilista Acelino “Popó” Freitas (PRB-BA) e Magno Malta (PR-ES). O último entende que a Fórmula 1, por exemplo, é tão violenta como o MMA. “Nós assistimos a morte de Ayrton Senna ao vivo”, declarou à Agência Brasil.


As transmissões de MMA – cuja principal empresa organizadora de eventos é a norte-americana UFC – só pode acontecer no Brasil entre 23h e 6h na televisão aberta, sendo classificada pelo Ministério da Justiça como imprópria a menores de 18 anos. Atualmente, quem detém os direitos de exibição da modalidade no País é a Rede Globo, na TV aberta, e o “Canal Combate”, na TV a cabo.

Anderson Silva recebe alta

Quatro dias após o desafio contra o campeão dos médios do UFC, Chris Weidman, em que fraturou dois ossos da perna esquerda, o brasileiro Anderson Silva mostrou que ainda está muito desapontado com o desfecho do combate.

O resultado o impediu de recuperar para o Brasil o cinturão que manteve durante seis anos, oito meses e 22 dias (recorde entre os campeões do UFC).

“Só peço perdão a todos os brasileiros por tê-los desapontado. Dei o meu melhor, mas não foi o suficiente”, disse à reportagem.

Anderson recebeu alta e deixou o hospital em Las Vegas onde passou por cirurgia na perna em um ônibus cedido pelo UFC e passou a virada do ano com sua família, em Hermosa Beach, onde mora.

Em seu último ranking, publicado na noite de segunda, o UFC manteve Anderson na primeira posição dos médios, o que abre possibilidade de o brasileiro retornar ao octógono em um desafio ao campeão.

Segundo estimativas do cirurgião-médico do UFC, Steven Sanders, por sua experiência, levará entre seis e nove meses até a perna de Anderson estar totalmente recuperada.

Weidman enfrentará outro brasileiro em sua próxima defesa de cinturão, Vitor Belfort, que já sentiu o gosto de ser campeão do UFC.


 

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