A brasileira Malak Zahwe, morta durante um atentado a bomba anteontem, em Beirute, foi enterrada ontem à tarde no sul do Líbano em uma cerimônia pública da qual participaram líderes políticos e religiosos.
A estudante, que tinha 17 anos, é uma das vítimas recentes de uma onda de ataques terroristas no país, dando conta de que a aparente tranquilidade política dos últimos anos está sendo estilhaçada pelas bombas e pelas disputas sectárias.
Malak estava na região de Haret Hreik, sob influência da milícia xiita Hizbullah, quando um carro-bomba explodiu, deixando ao menos cinco mortos e mais de 60 feridos. Ela provava roupas com sua madrasta, que também morreu.
Nascida em Foz do Iguaçu, a garota morava em Beirute há anos. Amigas de infância ouvidas pela reportage, durante o enterro, afirmam que ela sonhava em tornar-se uma enfermeira. “Ela tinha muita fé em Deus, todo o mundo queria ser amigo dela”, diz Karima Jebai, 17 anos, natural do Paraná e no Líbano a passeio.
Fátima Hijazi, 18 anos, foi avisada da morte da prima por meio de familiares. Também nascida em Foz do Iguaçu e em Beirute durante uma visita, ela viajou até Majdal Silem, na fronteira com Israel, para o enterro. “Quando alguém da nossa família é vítima de um atentado, temos mais medo de que aconteça conosco também”.
Abir Hijai, 17 anos, disse à reportagem que já foi avisada pelos pais de que ela só irá voltar para Beirute quando for a hora de pegar o avião de volta ao Brasil.