Douglas Reis |
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Gerente de custos gráficos da Editora Alto Astral, Toninho está na empresa há 25 anos |
“Lembro-me do pequeno riacho, da venda, dos terreiros de café e da vez em que comi uma manga coração-de-boi sozinho sob uma frondosa mangueira...”, conta José Antônio Rodrigues, o Toninho da Editora Alto Astral e do Noroeste, sobre as lembranças da terra onde nasceu, a zona rural de Ubirajara (SP).
De família bastante humilde, Toninho chegou a Bauru ainda muito criança. Aqui, cresceu, estudou, trabalhou duro e se tornou um reconhecido executivo. Aos 8 anos de idade, o gerente de custos gráficos da Editora Alto Astral e presidente do Conselho Deliberativo do Noroeste era um bucheiro, atividade dura, principalmente para a idade. “Levantava às 4h, separava rins, corações, fígados e entregava aos clientes de carrocinha. Depois, eu quebrava os ossos dos animais para fazer sabão, mas foi um bom período da minha vida. O trabalho só me fez bem”, registra.
Apaixonado pelo Noroeste, o entrevistado de hoje narra as suas principais lembranças com uma memória invejável. “Sei até a data de quando tudo começou: 11 de abril de 1970. Tornei-me um noroestino ferrenho”, analisa. Conheça essas e outras lembranças e feitos de Toninho a seguir.
Jornal da Cidade - Você é conhecido como o Toninho da Alto Astral...
José Antônio Rodrigues (Toninho) - Estou na Editora desde 1989. Passei duas décadas da minha vida vendendo discos, de 1969 a 1989. Eu tinha 14 anos quando comecei a trabalhar como discotecário em uma loja na Praça Machado de Mello. Naquele tempo dos LPs, eu vivi tudo o que se fez no mundo da música. Eu já conhecia o João Bidu da Vila Bela, onde morávamos, e ele tinha um programa na Auri-Verde, o Loteria Musical. Os vendedores de discos andavam com uma sacola de exemplares e eu levava muitos álbuns de samba para ele tocar. Aquela loja também vendia revistas, charutos, tabaco, brinquedos... E, quando o João começou a editar o seu anuário astrológico, a loja passou a vendê-los. No lugar funcionava a antiga rodoviária da cidade. Muito movimento. Até ganhamos uma promoção por termos sido o ponto de mais venda de revistas. Eu acredito que nada na vida é por acaso, e foi naquela época que começou a minha amizade como o João e o Pedro José. Mais tarde recebi um convite para trabalhar com eles.
JC - Quais foram os seus degraus dentro da empresa?
Toninho - Este ano faço 25 anos de casa e sou o funcionário mais antigo na ativa. Comecei como assistente, fui gerente comercial, gerente administrativo financeiro e assumi a gerência de custos gráficos. Uma das melhores coisas que me aconteceram foi ter entrado na Editora Alto Astral. Este ano faz 50 anos que eu trabalho e eu tenho 57 anos, apenas. Nunca deixei de trabalhar, primeiro porque precisava ajudar os meus pais, depois porque gosto muito.
JC - Quando começou esta jornada de meio século?
Toninho - Trabalhei no Jornal da Cidade no primeiro semestre de 1970. Eu dobrava os jornais, ensacava e os entregava no Centro da cidade, a pé. Esse foi o meu segundo emprego, na verdade, porque o primeiro foi como bucheiro, aos 8 anos. Antigamente não havia muitos açougues e os bucheiros vendiam miúdos de boi e de porco em carrocinhas. Eu fazia isso na Vila Cardia, onde morava com meus pais e irmãos. Levantava da cama às 4h, separava rins, corações, fígados e entregava aos clientes. Era um serviço um pouco danado porque depois da entrega eu precisava quebrar os ossos dos animais para fazer sabão, mas foi um bom período da minha vida. O trabalho só me fez bem. Eu trabalhava de manhã e estudava à tarde, no Mercedes Paz Bueno. E eu tinha muitos amigos. Lembro-me do Nelson Gonçalves, um menino que estudava comigo e que morava no caminho da escola. Eu passava na casa dele e íamos brincando pelo caminho.
JC - Você também tem uma longa história com o Noroeste.
Toninho - Eu sei até a data de quando tudo começou: 11 de abril de 1970, uma quinta ou sexta-feira, dia em que eu pisei pela primeira vez no Noroeste. Meu pai havia construído uma casinha de madeira na Vila Bela e eu fui durante o dia visitar as instalações, principalmente a piscina, para me tornar sócio do clube. Deixaram-me ver o campo e, de lá para cá, tornei-me um noroestino ferrenho. A partir de então, sempre estive envolvido com o Noroeste. Agora ainda mais, como presidente do Conselho Deliberativo. Vivi muitas histórias viajando pelos jogos, fui diretor de 1988 a 1989. Fiquei um pouco afastado em meados dos anos 90 e voltei em 2006, indicado como conselheiro. Tenho conduzido o meu trabalho no Noroeste da melhor maneira possível.
JC - Viagens também fazem parte de suas paixões?
Toninho - Ah, sim. Conheço a Argentina, Colômbia, Venezuela, Uruguai, Estados Unidos, Canadá, Portugal, Espanha, Alemanha, França, Reino Unido, Suécia e Holanda. Grande parte dessas viagens foi feita a trabalho pela Alto Astral, por causa dos projetos que tínhamos no exterior, mas já fiz alguns passeios com a família também.
JC - O gado é um investimento, certo?
Toninho - Sim, eu crio o gado nelore P.O., não com tanta intensidade como há um tempo, mas ainda tenho alguns animais. É um ramo que me seduz muito e me faz bem. Eu gosto de vaca, de boi, de cavalos... Nasci na roça, em uma fazenda grande chamada Varginha, no município de Ubirajara. Depois de 50 anos, eu voltei a esse lugar por causa do gado. Tudo está diferente, mas lembro-me do pequeno riacho, da venda, dos terreiros de café e da vez em que comi uma manga coração de boi sozinho sob uma frondosa mangueira... Outra história que ficou em minhas retinas conta um tombo que levei carregando garrafas de leite. Ainda consigo sentir o cheiro da borra de café usada por minha avó para curar o ferimento.
JC - Por que a “nota 10” para a sua mãe e sua esposa?
Toninho - Meus pais são Lídia da Silva Cordeiro e José Rodrigues Cordeiro (ele já falecido). Os tempos para nós foram muitos difíceis. Eu adiei meu casamento quatro vezes porque era arrimo de família. Eu fazia a compra do mês para a casa e estudei, sempre com o fruto do meu trabalho, sou advogado formado pela Instituição Toledo de Ensino (ITE), e nunca vi a cor do dinheiro do meu pai, que sempre foi muito humilde. Não passamos fome, mas foi difícil. Minha mãe merece nota mil, isso sim. Ela sempre teve problemas de varizes e alguns dias as úlceras estouravam em seus pés. O sangue esguichava e, mesmo assim, ela cuidou dos nove filhos, nascidos em escadinha, e ainda teve de superar a perda de um, que Deus levou aos 5 anos de idade, infelizmente.
JC - Sobre a sua história de amor.
Toninho - Conheci minha esposa em 1982. Ela trabalhava como faturista. Eu cheguei até o balcão e disse para o gerente: ‘Nossa, que moça bonita que está trabalhando aqui. E ela gostou (risos)’. Em 1985, ela descobriu que estava grávida do nosso filho mais velho, que foi a melhor coisa que nos aconteceu, porque eu tinha medo de sair de casa para formar minha própria família. Eu temia que meus pais e irmãos passassem necessidades. Casamos e deu tudo certo, graças a Deus. Passamos por alguns perrengues no início, mas estamos todos bem. Sou um cara muito feliz, com uma esposa linda e maravilhosa, assim como nossos filhos são. E tenho tido a sorte de encontrar grandes pessoas pelo meu caminho.
JC - Você é religioso?
Toninho - Sou católico apostólico romano, mas pouco praticante. “Não adianta ir à igreja rezar e fazer tudo errado”... É o trecho de uma música que eu cito. Minha filosofia é fazer o bem às pessoas. Quero para mim o que quero para os outros.
Perfil
Nome: José Antônio Rodrigues
Idade: 57 anos
Cidade: Ubirajara (SP)
Esposa: Marcirene Aparecida Joanoni Rodrigues
Filhos: Marlon Vinícius e Caio Guilherme
Hobby: Futebol, TV, filmes
Livro de cabeceira: “Memória Digital”
Filme preferido: “Perfume de Mulher” (vi mais de 20 vezes) e a trilogia do filme “O Poderoso Chefão”
Estilo musical predileto: Todos
Time: Noroeste e Palmeiras
Para quem dá nota 10: Para a minha mãe e minha esposa
Para quem dá nota 0: Aos políticos com más intenções que pensam apenas em si e se esquecem do povo
E-mail: jantonio@astral.com.br
