Vindo de Bocaína (SP), no longínquo 1938, já comecei a gostar e admirar esta "Capital da Terra Branca". Aqui desfrutei minha infância e adolescência.
Imberbe ainda, fiz primário no saudoso "Rodrigues de Abreu", ginasial no saudoso e lendário "Guedes de Azevedo", colegial (científico) no também saudoso "Ernesto Monte", ciências econômicas em Marília, em 1962, do primeiro ao terceiro ano de direito da ITE, curso normal, também no "Guedes de Azevedo".
Lembro-me das nossas ruas de terra, depois paralelepípedo, antes de chegar o asfalto; das boiadas vindas da média e alta paulista, atravessando as arenosas ruas Bandeirantes e Cussy Junior, que nos faziam correr, de medo, para dentro de nossas casas.
Como todas as cidades, Bauru também teve suas figuras populares, que fizeram parte da história desta cidade. O "Bentinho", asilado da Vila Vicentina que faleceu aos 95 anos, andando pelas ruas sempre com sua bengalinha, que se irritava com a petizada, na saída das escolas, quando provocado. Tinha também o "Dito Pé de Breque", este dormia nos túmulos do Cemitério da Saudade e à noite se postava no muro desse logradouro provocando sustos nas pessoas que por ali transitavam, principalmente mulheres.
Tinha também o "Kalango Pé de Frango", de pernas tortas, que dava carreirão nos estudantes quando provocado. Tinha ainda o "Pelézinho", bravo, que enfrentava até a polícia. Também lembro da "Maria Papeleira", que no Carnaval se enfeitava com retalhos de roupas usadas e na cabeça usava uma corôa de flores do campo, que vivia às turras com seu companheiro, o "Zé das Latas", outra figura.
Aproveitando o ensejo e, por amor a Bauru, insisto na Faculdade de Medicina tão solicitada pelos ilustres mestres Rodolfo Pereira Lima e Joaquim Elíseo Mendes (acadêmicos); reitero porque parece que esse tema "amarelou", nos termos de promessa pública estadual. Bauru, pela sua importância geográfica e foro de uma capital, bem que merecia a sua, perdendo para Bragança Paulista, Marília (duas), Catanduva e Pouso Alegre (MG). Estamos bem servidos em direito e odonto.
É imperioso destruir o mito: "Bauru é uma cidade com vocação comercial". Para tanto, convoco o nosso secretário de Desenvolvimento Econômico do município quanto à possibilidade de ganhar uma indústria de citrus, amenizando o custo de frete. Convoco ainda o secretário de Desenvolvimento Econômico quanto à possibilidade de se ganhar uma montadora, a exemplo de Iracemápolis, pequeno município próximo de Limeira, que já possuía uma montadora da Hyundai, e agora acaba de ganhar uma montadora de motocicletas. Veja quanto de ICMS e empregos estamos perdendo, o que nos daria o luxo de descansar o lombo dos contribuintes do IPTU ("galinha dos ovos de ouro"). Tocante às figuras populares que enriqueceram o folclore da cidade, presto-lhes esta modesta e singela homenagem, ainda que não seja póstuma.
Waldo Cyro Giraldi