Iniciar o ano de 2014 lendo o artigo de meu querido professor Razuk me foi muito mais prazeroso do que a reunião de "parentes" onde me encontrava aguardando a dita passagem do ano, inclusive porque suas maravilhosas e sábias palavras caíram como uma luva na conversa que rolava entre eu e meu sobrinho trintão, solteiro, gatíssimo! E pobre, ou digamos, está mais para remediado que pobre. Seu maior problema são três bagagens de mão as quais ele se acha obrigado a carregar!
Sua maior revolta é não ter dinheiro suficiente (o que para ele é ser pooodre de rico). A segunda maior revolta é não ter tempo para "viver". Segundo sua visão de trintão, "muuuito" dinheiro lhe daria mais tempo para viver. Tem lógica, né? Já eu, com minha visão de cinquentona (para mais), argumentava que dinheiro não é tudo, que mesmo você dormindo em travesseiros de pena de ganso (será que é o mais caro mesmo?) não significa que terá um sono tranquilo e reparador, o que as vezes um humilde trabalhador braçal consegue ter porque em sua humildade vive de acordo com suas posses, sem vociferar contra a vida, como se essa lhe devesse alguma coisa.
Em minha opinião, esse sonho de ser rico, "muuuito rico", que muita gente tem, nada mais é que seu desejo desenfreado de consumir, consumir e consumir! Como se com isso fosse ser feliz para sempre. Não vem com esse papo furado de falar: "Ai, eu não quero uma mansão, só uma casinha com uma piscininha no fundo (símbolo de estatus para muitos, uma piscininha que não seja de plástico, claro), um carro bom para viajar, dinheiro para gastar sem perguntar quanto custa. Não quer mais nada, né?
Sobre a viagem, eu concordo. Se tivesse ganho na mega da virada nem estaria aqui escrevendo, mas primeiro gostaria de conhecer meu vasto país! Principalmente Fernando de Noronha! Mas o problema de consumir e consumir é que você vai querer mais e mais para ficar satisfeito! Então, isso vira uma "roda viva" em que a pessoa não pode deixar a peteca cair para manter seu "estilo de vida"!
Às vezes, me pergunto se as pessoas pensam por algum segundo na madeira nobre do caixão que vai querer ser enterrado, ser diferente nisso. Se sobressair até nisso também é necessário? Você não vai ver nada, mas os outros sim! Sempre vai ter um que vai sair falando que o dele vai ser melhor que o seu!
Quanta babaquice esse consumismo e vaidade exacerbada no ser humano que faz, como diz o professor, em vez de parceiros de viagem, nos tornarmos competidores uns dos outros, nos frustrando quando não somos os vencedores dessa corrida para ser o maior.
Eu heim! Tô fora! Como disse ao meu querido sobrinho, não tenho grandes anseios. Na verdade, para mim, a única coisa que muda no ano novo,, são os dois últimos números. As coisas continuam as mesmas e as pessoas, idem.
De minha parte, tudo que almejo é continuar por aqui "muuuito" tempo, e não perder a capacidade de me encantar com coisas tão bucólicas como o nascer e o pôr-do-sol, o voo dos pássaros nestes horários. Sem dúvida eles sabem melhor sua trajetória do que muitos seres humanos sabem a própria. E, acima de tudo, poder continuar tendo o enorme prazer de ler esses homens com "alma de mulher", que me fazem "tremer na base" com suas extremas sensibilidades, como tive a ousadia de dizer a meu também querido professor Consolaro.
Com dinheiro ou sem dinheiro, desejo a todos um feliz ano velho! Depende de cada um fazer com que seja novo de fato.
Magali Martiniak Teixeira