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Cassação do deputado João Paulo Cunha é discutida na Câmara

Folhapress
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Beto Oliveira/Câmara dos Deputados

Mensalão - Enquanto o deputado deve começar a cumprir a pena de prisão, colegas da Câmara discutem a sua cassação

Em meio à expectativa de que o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) se apresente ainda nesta terça-feira (7) para começar a cumprir a pena de prisão do mensalão, o comando da Câmara já iniciou uma discussão sobre o futuro político do colega.

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), agendou, de forma preliminar, uma reunião da Mesa Diretora da Casa para decidir sobre a abertura de processo de cassação do petista para o dia 4 de fevereiro. O encontro será formalizado após a Câmara ser avisada sobre o pedido de prisão.

Até o início da manhã desta terça-feira (7), o Supremo Tribunal Federal (STF) não enviou nenhuma informação sobre a situação de João Paulo para a Câmara.

Dos sete integrantes da Mesa Diretora, dois são do PT. Mas há um entendimento da maioria da Mesa de que nesses casos o comando da Câmara deve abrir um processo de cassação e enviar para a Comissão de Constituição e Justiça. Se aprovado, ele segue para votação no plenário da Casa, quando são necessários 257 votos para confirmar a cassação. Como o Congresso acabou com o voto secreto para cassações no ano passado, o caso, se chegar ao plenário, será em votação aberta.

Essa é uma das razões a que colegas recorrem para pressionar Cunha a renunciar ao cargo. Eles apontam que o petista, que era ex-presidente da Câmara na época do escândalo, não deve resistir a uma votação aberta, especialmente em um ano eleitoral.

Cunha tem dito que não pretende deixar a vaga na Câmara, contrariando o que ocorreu com os outros três deputados condenados no mensalão. No ano passado, o STF mandou para a prisão outros três deputados condenados no processo quando ainda exerciam o mandato: José Genoino (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT). Todos renunciaram a seus mandatos após as prisões, para evitar a cassação no plenário da Câmara.

Nesta segunda-feira (6), o presidente do STF, Joaquim Barbosa, rejeitou dois recursos apresentados pelo deputado e determinou que ele comece a cumprir pena de 6 anos e 4 meses por dois crimes pelos quais foi condenado no processo do mensalão.

A prisão do parlamentar depende somente de Barbosa assinar o mandado de prisão.

O STF concluiu que João Paulo que presidiu a Câmara de 2003 a 2005 recebeu na época R$ 50 mil do mensalão como propina para contratar uma das agências do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, o operador do esquema, para prestar serviços à Casa.

Num primeiro momento, João Paulo cumprirá pena no regime semiaberto por dois dos três crimes pelos quais foi condenado -peculato (desvio de dinheiro público) e corrupção passiva. Em relação ao crime de lavagem de dinheiro, a votação no STF que definiu sua condenação foi apertada e o deputado obteve o direito de apresentar um recurso conhecido como embargo infringente, que será analisado ainda neste ano.

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