Regional

Agressão de vereador será investigada

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Civil irá investigar denúncia de agressão de vereador de Macatuba (46 quilômetros de Bauru). Após discussão com um casal de trabalhadores rurais por divergências envolvendo um veículo, ele quase teria arrancado a orelha do homem com uma mordida. O casal alega ainda que foi impedido pelo parlamentar, que é motorista, de entrar no ônibus de sua propriedade que os levaria para trabalhar. Em depoimento à polícia, o vereador negou todas as acusações. Por envolver agente político, a ocorrência será investigada pela Delegacia Seccional de Polícia de Bauru.

A reportagem apurou que, no ano passado, os coletores de laranja Juliana Azevedo, 32 anos, e Alexandre Martins Eusébio, 26 anos, entregaram um Gol pertencente a eles ao vereador Sebastião Cândido de Moraes (PT) para que ele assumisse as parcelas do financiamento. No início deste ano, o casal descobriu que o carro já havia sido repassado a um terceiro e que nenhuma das parcelas tinha sido paga.

Eles fizeram contato com Sebastião, que teria se comprometido a devolver o veículo no último sábado, o que não ocorreu. No domingo à noite, os trabalhadores rurais foram até a residência dele para conversar. O vereador disse à polícia que o casal invadiu a casa, o que deu origem a uma briga generalizada, inclusive com a participação de familiares dele, e resultou em agressões físicas mútuas.

A PM foi chamada e Sebastião aceitou devolver o Gol. Na ocasião, segundo a versão de Juliana e Alexandre, o parlamentar teria dito que, no dia seguinte, eles nem precisariam ir trabalhar porque ele não os deixaria entrar no seu ônibus. Além de vereador, ele é motorista, fiscal de turma e proprietário de um ônibus contratado por empresa de Matão para levar coletores de laranja até fazendas da região.

Na segunda-feira, por volta das 5h50, o casal foi até o ponto do ônibus e, segundo eles, o vereador teria impedido ambos de entrar no veículo. Alexandre e Sebastião entraram em luta corporal e o primeiro levou uma mordida que quase lhe arrancou uma das orelhas. Ele foi medicado e levou onze pontos. Para separar a briga, a mulher chegou a dar botinadas no braço do motorista, que teve luxação no cotovelo.

O fato foi presenciado por testemunhas. O parlamentar negou ter impedido a entrada dos trabalhadores e declarou à polícia que eles armaram “tocaia” para ele com a intenção de agredi-lo. A ocorrência foi registrada como lesão corporal, injúria e ameaça, crimes que teriam sido cometidos pelos três envolvidos, além de constrangimento ilegal e fraude na entrega de coisa (estes praticados, em tese, apenas pelo parlamentar).

Dano

O último crime – uma modalidade de estelionato – está previsto no Código Penal e ocorre quando uma pessoa entrega para outra algo diferente do que foi combinado. Segundo a polícia, no domingo à noite, após a confusão na casa do vereador, o Gol foi deixado na rua, em frente à residência dos pais de Alexandre. Ele estava com os quatro pneus vazios (um deles foi cortado) e sem óleo no motor. O parlamentar diz que o carro foi entregue no endereço por uma terceira pessoa. O caso será investigado.

Ontem, durante a tarde e noite, o JC telefonou várias vezes para o número do celular do vereador fornecido pela Câmara de Macatuba, mas ele estava desligado. O último contato foi feito às 20h34. A reportagem também deixou recado na caixa postal, mas Sebastião não retornou as ligações.

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