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O brasileiro e a caderneta de poupança

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

No século 19, foi criada a denominada "caderneta" de poupança, um instrumento introduzido nas Caixas Econômicas visando abrigar os recursos dos chamados "escravos de ganho", que eram escravos que tanto recebiam recursos para seus senhores como para si.

O controle destes recursos era efetuado nas cadernetas. Passados muitos anos de sua implantação, a expressão "caderneta de poupança" se consolidou e, hoje, mesmo com todos os instrumentos eletrônicos, ainda falamos "caderneta" para mencionar esta modalidade de aplicação financeira.

Os números apontam para um incremento de R$ 71 bilhões em seu saldo líquido, ou seja, os depósitos superaram os saques neste volume no ano de 2013.

A pergunta que muitos fazem é: qual o motivo da preferência do brasileiro por esta modalidade de poupança?

Há inúmeros motivos. Primeiramente, tem a ver com o histórico acima relatado. As gerações se sucedem e a cultura da caderneta poupança é repassada entre os familiares. Outra questão está ligada a facilidade de sua movimentação. O poupador pode depositar seus recursos a qualquer tempo, também pode sacar quando desejar, enfim, tem o que os financistas denominam de "liquidez", ou seja, é um ativo financeiro que vira dinheiro rapidamente.

Além da facilidade em sua movimentação, a caderneta de poupança passa segurança. Isso está ligado ao fato que, se houver qualquer problema com a instituição financeira que abriga o depósito dos recursos, o poupador sabe que receberá seus recursos. Ao longo da história tivemos poucos momentos de insegurança, sendo o mais emblemático o confisco realizado no governo Collor. Por sinal, talvez um dos maiores erros estratégicos da história do controle econômico brasileiro (caderneta de poupança é considerada sagrada neste contexto, portanto, não deve ser atingida com medidas de controle econômico). Atualmente, o Fundo Garantidor de Crédito cobre até R$ 250 mil por CPF em caso de qualquer problema com a instituição financeira. Considerando que o grosso dos depósitos é efetuado por pequenos poupadores fica evidente que o risco de perda praticamente inexiste.

Também a caderneta de poupança é isenta de imposto de renda. Enquanto nas demais aplicações existem a incidência de imposto sobre os ganhos obtidos (variando entre 15% e 22,5%), na poupança não há esta incidência. Isso também é um grande facilitador para aqueles que não estão afeitos ao mundo das finanças.

Na prática, quem guarda dinheiro, por menor que seja o valor, deseja os atributos que a caderneta de poupança possui. Determinados poupadores até desejam diversificar suas aplicações, mas se deparam com limites de valores, taxas administrativas, marcação a mercado, imposto de renda, e tantas outras implicações, que desistem da mudança.

Se o rendimento da caderneta de poupança não é elevado, a liquidez e segurança desta modalidade oferecem aos conservadores (perfil de quem aplica nesta modalidade) o porto seguro que desejam.

Muita família, sabiamente, mantém recursos represados para fazer face às emergências, para constituir um volume para realizar o sonho da compra de sua própria moradia, para garantir o futuro educacional de seus filhos, e até mesmo para realizar o sonho de consumo.

As estatísticas confirmam tudo isso. Mesmo por vezes perdendo para a inflação fica evidenciado que a caderneta de poupança manterá a proximidade com o povo brasileiro. E isso é bom, à medida que ter o hábito de poupar é salutar, e ainda permite que as instituições financeiras criem lastro para fazer face aos projetos de construção civil.

O brasileiro e a caderneta de poupança possuem uma relação muito estreita.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, diretor regional do Corecon e articulista do JC

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