Política

Contra falta d?água, DAE deverá setorizar o sistema de distribuição

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

Convocada em função da crise de falta d’água em Bauru nas últimas semanas, a reunião realizada ontem entre vereadores e Departamento de Água e Esgoto (DAE) revelou que apenas o reforço no abastecimento por meio da perfuração de novos poços não vai resolver o problema que afeta algumas regiões da cidade. Técnicos da autarquia apontam a setorização dos serviços de distribuição como o fator essencial para o fim das torneiras secas.

Éder Azevedo

Giasone e diretores da autarquia, na Câmara, durante reunião convocada em regime de urgência por vereadores

O longo tempo e o alto custo necessários para a concretização dessas obras, porém, preocupa. Diretora de Planejamento do DAE, Nucimar Paes estima que a setorização se torne realidade daqui a quatro ou cinco anos, confirmando cenário já admitido por Giasone Candia logo no início do encontro, quando o presidente declarou que o problema não seria resolvido em curto prazo.

A setorização trata-se de subdivisões das regiões que, atualmente, recebem a água da mesma unidade de produção, com a criação de microrregiões que terão sistema de abastecimentos independentes.

Assessor de Gabinete da autarquia, Isaar Almeida usou a grande região do Bela Vista para exemplificar o conceito. Atualmente, a mesma unidade abastece as partes alta e baixa da região. De acordo com o servidor, porém, essa área deveria estar dividida em pelo menos quatro setores.

O objetivo é fazer com que as partes de maior altitude possam receber água de forma isolada para alterar o cenário atual, no qual a parte baixa é atendida, mas inviabiliza o abastecimento na alta.

O modelo de setorização com microrregiões será apresentado ao DAE pela empresa contratada para elaborar o Plano Diretor de Águas. “A partir desses apontamentos, poderemos executar as obras necessárias. A expectativa é de que elas possam começar no início do ano que vem, mas o sistema inteiro deve levar de quatro a cinco anos, se houver disponibilidade orçamentária para isso”, pondera Nucimar.

A engenheira observa que a autarquia depende da conclusão do estudo para orçar o valor dessas intervenções. “Mas dá para adiantar que não é barato. Precisaremos rasgar o asfalto e abrir o encontro de redes. Serão mais de 3 mil ligações por microrregião”.

Técnico do da autarquia, Isaar pontuou ainda que a setorização da distribuição d’água em microrregiões ajudaria ainda a amenizar os picos e a falta de pressão em alguns bairros. “Influenciaria também na redução das perdas de água do sistema”.

E a Telemetria?

“Minha indignação é muito grande. Já era para termos há muito tempo. Há falta de interesse em dar sequência nisso”. O desabafo é do presidente do DAE, Giasone Candia, durante reunião a respeito da contratação de serviço de Telemetria.

Trata-se de um sistema que permitiria ao DAE monitorar em tempo real o funcionamento das unidades de produção, distribuição e a pressão da água em toda a cidade, possibilitando a identificação de problemas, como queima de bombas e vazamentos.

Atualmente, a autarquia só identifica problemas na produção quando a população já sente o efeito da falta d’água. Os vazamentos, hoje, estão em mais de 450 pontos da cidade. A telemetria garantiria maior controle e agilidade na resolução de problemas.

Não há previsão para implantação do sistema. A justificativa é a falta de recursos. Nos exercícios de 2012, porém, houve sobras orçamentárias de R$ 6,2 milhões. O balanço de 2013 ainda não foi fechado. E vale lembrar que o DAE admite perda de 38% de toda a água produzida e tratada. O volume equivale à vazão da ETA.

DAE planeja mais seis novos poços em 2014

Enquanto a solução a médio prazo não chega, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) prevê a perfuração de mais seis poços para captação do aquífero Guarani em 2014. As obras de um deles, o Zona Norte 2, terão início em janeiro.

Esse poço deverá amenizar o desabastecimento sofrido por cerca de 20 mil pessoas que vivem na Pousada da Esperança 1 e 2, Vila São Paulo, Jardim Ivone, Quinta da Bela Olinda e Colina Verde.

Anteontem, o JC mostrou que 240 famílias do residencial Mirante da Colina ficaram três dias consecutivos sem uma gota d’água nas torneiras.

Os outros cinco poços previstos são Val de Palmas, Jardim Tevê, Villagio IV, Padilha, Imperial III. Juntos, eles ampliarão a produção de água em 2.030 metros cúbicos por hora.

Bomba velha

O Departamento de Água e Esgoto  admitiu que, mesmo com o início do funcionamento do poço Roosevelt 3, às vésperas do Natal, os bairros Jardim Petrópolis, Vânia Maria, Fortunato Rocha Lima, Alto Alegre, Vila Lemos, Parque União, Nove de Julho e Jaraguá ainda sofrem com falta d’água.

A unidade, que deveria produzir 200 metros cúbicos de água por hora, está com vazão inferior a 140 metros cúbicos por hora.

Isso porque ainda está em operação uma bomba velha, utilizada para os testes do poço. O equipamento novo ainda não foi entregue pela empresa vencedora da licitação.

“Achamos por bem coloca-lo para funcionar, mesmo que ainda não de forma plena do que deixar as pessoas sem água no Natal”, explicou o presidente do DAE, Giasone Albuquerque Candia.

Por que falta?

Na reunião realizada ontem, na Câmara Municipal, a diretora de Produção e Reservação do DAE, Talita Nuzzi, voltou a atribuir o agravamento da falta d’água nos últimos dias ao calor e ao aumento considerável no consumo provocado pelas altas temperaturas.

Presidente da autarquia, Giasone Candia afirmou que o problema está concentrado em alguns bairros e não é generalizado, como colocaram alguns vereadores.

Talita alegou ainda que a falta de água em bairros como o Mary Dota, que não costumava ser afetado pelo desabastecimento, é causada por manobras na rede feitas pela autarquia em horários em que o consumo é menor, para garantir o atendimento a outras regiões nas quais a crise já é crônica.

Segundo a diretora, o problema se concentra nas regiões em que a oferta de água é menor do que a demanda populacional, situação provocada pelo rápido crescimento da cidade, que não foi acompanhado pela estrutura do DAE nos últimos anos.

Diretora de Planejamento, Nucimar Paes revelou que, no ano 2000, foi concluído planejamento para o abastecimento em Bauru. Muitos dos poços e reservatórios previstos ainda aquela época, no entanto, não saíram do papel até hoje. É o caso, por exemplo, da unidade de produção do Val de Palmas, que será construída em 2014.

De acordo com técnicos do departamento, alguns poços previstos há quase 15 anos não foram priorizados por conta do crescimento do adensamento populacional de outras regiões da cidade, provocado, inclusive, pelos conjuntos habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida.

 

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