Éder Azevedo |
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Alexandre Bertoni, da Sert: “Muitos acabam preferindo ficar na informalidade” |
Depois de um período de recuo, a oferta de emprego com carteira assinada voltou a crescer em Bauru. Nesta semana, o Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) disponibilizou 726 vagas na região, o número mais elevado desde novembro do ano passado.
Na última semana de outubro, 730 vagas haviam sido ofertadas pelo órgão, mas, entre o final de dezembro e início de janeiro deste ano, o volume despencou para 428. Segundo a Secretaria de Estado do Emprego e Relações do Trabalho (Sert), à qual o PAT é vinculado, a variação é sazonal e ocorre devido à desaceleração das contratações própria de cada final de ano.
“No fim do ano, muitas empresas dão férias coletivas aos seus funcionários ou entram em recesso, só retornando aos trabalhos, efetivamente, apenas nesta semana”, cita o diretor regional da Sert, Alexandre Ciro Perin Bertoni. Os números do PAT se referem a todas as vagas disponibilizadas por empresas de nove municípios da região.
Segundo Bertoni, os principais geradores de emprego são os setores de comércio e serviços, reforçando a vocação da economia de Bauru. Mas, em sentido oposto à ampliação do número de vagas, nesta época do ano a procura por emprego costuma ser pequena, como a reportagem pôde constatar em visita à sede do PAT, na tarde de ontem, que estava vazia.
O fenômeno ocorre porque, nesta época do ano, os trabalhadores desempregados costumam retardar a busca por reinserção no mercado para aproveitar com maior tranquilidade o período de festas e férias escolares dos filhos. Há, contudo, uma preocupação mais profunda e permanente quanto à dificuldade para o preenchimento das vagas.
Bertoni explica que falta experiência ou qualificação profissional para atender às exigências das empresas e, quando o trabalhador se enquadra nos requisitos, muitas vezes não se interessa pelo salário oferecido. “Com isso, muitos acabam preferindo ficar na informalidade, inclusive recebendo auxílio de programas sociais do governo federal”, opina.
Mão de obra
Para tentar minimizar o problema, muitas empresas têm optado por “importar” mão de obra de cidades mais distantes e até mesmo de outros países. “Recentemente, uma empresa estava fazendo seleção e havia candidatos da Argentina. Embora haja a diferença de idioma, eles conseguem se comunicar e se adaptar com facilidade”, pontua.
E, para quem estava profissionalmente preparado, as oportunidades para conseguir reingressar no mercado foram muitas em 2013. Segundo dados do PAT, entre o final de agosto e início de outubro do ano passado, a oferta ultrapassou a marca de mil vagas a cada semana.
Um número que, segundo Bertoni, foi bem acima da média. “A cidade de Bauru e a região receberam grandes investimentos nos últimos anos, como o novo shopping e uma grande loja de departamentos, que movimentaram e continuam movimentando muito as contratações”, analisa.
Para 2014, no entanto, o cenário não deverá ser tão otimista, já que o ano será marcado por uma Copa do Mundo e, logo em seguida, eleições presidenciais. Por este motivo, Bertoni acredita que 70% de toda a movimentação produtiva e de oferta de emprego ficará concentrada no primeiro semestre.
“Os jogos vão parar o Brasil nos dias de jogos da Seleção. Além disso, teremos sete feriados emendáveis (sendo que quatro deles caem na terça ou quinta-feira). Por mais que a indústria precise continuar produzindo e o comércio vendendo, o ritmo não se manterá o mesmo”, completa.
Serviço
O PAT de Bauru fica na rua Joaquim da Silva Martha, 11-39, Altos da Cidade. O telefone para mais informações é o 3234-9923.
