Regional

Jaú recupera praça do século passado


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A Praça do Cano Torto (Praça Miguel Russo) em Jaú (47 quilômetros de Bauru) passou por reformas o que possibilitou devolver o local à população com água potável, nova iluminação e paisagismo remodelado, nova pintura em todo o entorno e segurança adequada para os frequentadores. As obras foram concluídas no ano passado e resgataram o patrimônio histórico e cultural da cidade que estava abandonado havia alguns anos.

O serviço de reforma incluiu desde o encaminhamento a instituições dos moradores de rua que lá fixavam residência improvisada, até a reinstalação da tradicional bica de água potável. “Nós fizemos todo o trabalho de recuperação do Cano Torto. Primeiramente fizemos o trabalho de alvenaria necessário, fizemos o conserto da parte hidráulica, do encanamento e fizemos com que as bacias voltassem a ter água. Instalamos água potável no local, que há muitos anos não tinha mais”, explicou o prefeito Rafael Agostini (PT).

No local foi feito o trabalho de pintura e revitalização paisagística em todo o entorno da avenida marginal do rio Jaú, desde a ponte da rua Major Prado, passando pelo Cano Torto até chegar à rua Quintino Bocaiuva. “Também fizemos a substituição de toda a iluminação, trocamos todas as lâmpadas e os globos quebrados.”

História

Construído no século passado para dar de beber às tropas e aos tropeiros que vinham do sertão, o cano torto despejava água num bebedouro em forma de concha próximo ao rio Jaú, onde hoje é a rua Tenente Lopes na confluência com a rua General Galvão. Diz a lenda que os tropeiros que bebiam daquela água, voltavam para o povoado para ficar. “Quem bebe água do ‘canão’ um dia volta”, diziam os moradores. Em 1936, com a morte do proprietário de terras do local, Miguel Russo, foi doado o terreno para a Prefeitura. Uma mina d’água escorria pelas terras e desembocava no Jaú. A administração pública canalizou a água cristalina e construiu o bebedouro: tinha origem o Cano Torto. Formado por uma cuia de cerca de 2,5 metros de diâmetro e uma pequena parede vertical com um cano torno que redirecionava a produção da mina.

Relatos na imprensa informam quem a popularização do local consolidou-se porque tropas boiadeiras e transportadores de café atraíam um grande número de curiosos, dando origem à lenda de que todos voltam à cidade após beber das suas águas.  O Cano Torto ficou no local até o início da década de 70,  quando o prefeito Jarbas Faracco decidiu levar a atração para a praça na avenida Marginal – posteriormente, a praça receberia o nome de Miguel Russo. A construção antiga, deteriorada, foi demolida. Na nova praça, o Cano Torto se manteve como ponto turístico. A falta de manutenção e depois que se detectou contaminação na água do “canão” levaram a administração a desativar a bica por volta do ano de 2002.

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