Nacional

Colhedor de café viaja 1.200 km para vender sorvetes na praia


| Tempo de leitura: 5 min

Na temporada de verão, há quem percorra mais de 1.200 quilômetros em busca de um bom negócio em frente ao mar. Sempre em novembro, Jaime Rodrigues, 28 anos, despede-se do trabalho de colheita nas fazendas de café no norte de Minas Gerais e pega a estrada rumo ao litoral do Estado de São Paulo.

 

Neste ano, o jovem de Virgem da Lapa foi contratado como sorveteiro em empresa de Ilhabela, a FrutVerão. Do serviço anterior, na colheita, guarda como semelhança a jornada extensa.

 

Rodrigues estima cumprir até dez horas de jornada diária para a venda de sorvetes na praia do Curral, uma das mais badaladas da região.

 

As vendas aumentam  em dias de calor. Na quinta-feira passada, enquanto conversava com a reportagem,  o sorveteiro foi abordado por até sete clientes em menos de 15 minutos.

 

 

 

Língua Azul

 

“Tio, tem Blue Ice?”, perguntou uma das crianças, referindo-se a um picolé que deixa a língua azul. Em um dia comum, ele calcula vender 150 picolés (os preços variam de R$ 3,50 a R$ 5,00). “Mas tem vezes que vendo mais. No final de semana sai de 200 até 300 palitos por dia”, afirma o mineiro, que estima receber até 30% do valor total das vendas.

 

Apesar da experiência - além do litoral paulista, Rodrigues já trabalhou nas praias de Santa Catarina -, trabalhar embaixo do sol não é fácil. “Tem que fazer da fraqueza a força. Às vezes dá vontade de deixar o carrinho e sair correndo”, afirma, aos risos.

 

Rodrigues não é o único que veio de “longe” para trabalhar no litoral paulista. Também de Minas, mas da cidade de Berilo, no Vale do Jequitinhonha, o sorveteiro Alcidino Rocha Alves, 40 anos, da Nestlé, já comemora: para ele, as vendas estão melhores nesta temporada. “Depende muito do público e de como está o tempo. Neste ano está melhor porque tem mais sol”, afirma ele, que faz o trajeto rumo ao litoral há cinco anos, junto com alguns de seus familiares.

 

 

‘Indústria do verão’ fatura até 71% a mais

O verão com temperaturas quase 3ºC acima da média tem sido especialmente lucrativo para empresas que já costumam registrar aumento das vendas nesta época.

As vendas de sorvetes da Rochinha, que tem 1.000 pontos no Estado de São Paulo, cresceram 35% desde o Natal.

Na Capital, a sorveteria Bacio di Latte registrou aumento de cerca de 15% nas vendas. “Entre o Natal e o final do ano, São Paulo estava vazia, mas nossas lojas ficaram cheias”, diz um dos sócios, Nick Johnston.

A Diletto, com 3 mil pontos de venda, chega a vender 30% mais sorvetes durante o verão. A Frooty Açaí afirma ter tido um aumento de 71% em seu faturamento em dezembro de 2013 em relação  ao mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 8,5 milhões. A receita anual é de  R$ 75 milhões.

O diretor Marcelo Cesana afirma que a empresa contratou mais 40 funcionários para atender à demanda, um crescimento de 38%. O calor é um dos motivos, além da expansão da empresa. “Bota melhor nisso. Está bombando”, afirma.

Os bares também estão lotados. Marcela Silva, proprietária do bar e restaurante As Mineiras, mudou o cardápio para aproveitar o verão.  Ela aumentou em 17% as vendas de comida acrescentando saladas e pratos leves ao tradicional leitão a pururuca e ao torresmo.

Além disso, por causa do calor, a venda de cerveja aumentou 15% em relação ao último verão, a de sucos, 20%, e a de caipirinha, 10%.

As altas temperaturas também refletem nas vendas de gelo. Segundo Wanderley Polegato, gerente da Coopergelo, desde a segunda quinzena de dezembro, a produção cresceu entre 30% e 40%  - 20 toneladas são produzidas diariamente na fábrica.

O Wet’n Wild, parque aquático em Itupeva (266 km de Bauru), registra o segundo melhor janeiro da história do empreendimento, inaugurado em 1998. “Se o calor continuar firme, vamos fechar o mês em torno de 100 mil visitantes”, diz o presidente, Alain Baldacci. No chuvoso janeiro de 2013, o parque recebeu 48 mil pessoas.

 

Calor pode aumentar risco de formação de pedra nos rins, alerta especialista

 

O calor intenso do verão, o aumento da transpiração e a baixa ingestão de água são os principais responsáveis pelo aumento do risco de formação dos cálculos renais, ou pedra nos rins. Mudar a alimentação e beber líquidos regularmente e observar a coloração da urina são algumas medidas que podem evitar o problema, explica Fábio Vicentini, urologista do Centro de Referência para a Saúde do Homem, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

 

Segundo Vicentini, os casos de cálculo renal aumentam 30% nos períodos mais quentes do ano. Apesar de ter maior incidência nos homens, o especialista alerta que todos devem adotar as medidas para cuidar da saúde dos rins. “A dieta ideal inclui primordialmente o aumento da ingestão de líquidos - cerca de dois litros de água por dia e de sucos de frutas cítricas -, associado à diminuição do uso de sal nos alimentos. As refeições diárias devem conter mais verduras, legumes, frutas e saladas.”

 

É preciso ainda estar atento quanto ao consumo de frutos do mar, porque apresentam índice elevado de ácido úrico, um dos responsáveis pelo desenvolvimento dos cálculos renais. Além disso, é recomendável reduzir as frituras e o consumo de carne vermelha no período de calor.

 

Segundo Vicentini, mais de 15% da população mundial apresenta cálculos renais e a maioria (85%) consegue expelir as pedras naturalmente, pela urina. “A maneira mais fácil de monitorar a hidratação ideal do corpo é observarmos a coloração da urina. Quanto mais transparente estiver, melhor. Se estiver com aparência amarelada e escura, é sinal de que o corpo precisa de mais líquidos para manter-se hidratado, longe dos cálculos renais”, disse.

 

 

Comentários

Comentários